Se é verdade que se veem caras e não se veem corações, também é verdade que há caras que escancaram os corações.
Nos momentos em que o papel de um indivíduo conta para o desfecho de uma dada batalha, mormente quando é o capitão da equipa, assumir esse desígnio é próprio dos grandes capitães, aceitando que outro companheiro pode fazer pela equipa aquilo que o comandante considera relevante.
Um capitão sabe que esta regra é “sagrada”. Um capitão não está acima da equipa. Dá tudo pela equipa. Quando chega a hora de ser substituído, mesmo que não goste, aceita a decisão porque este princípio faz parte dos pilares fundacionais da equipa.
Acresce que, em relação a quem entra, uma reação de não aceitação da substituição complica a comunhão na própria equipa. Gera sempre tensões no momento que pode ser decisivo para o supremo interesse da equipa, bem mais importante que o peso de cada elemento da equipa.
No jogo de hoje, com a Croácia, uma vez mais, o lado quase narcísico de Ronaldo ficou escancarado no seu rosto quando Martinez o substituiu. Naquele rosto estava impressa toda a sua arrogância e o todo seu egoísmo. Um capitão que tem aquela conduta não merece a braçadeira.
Saber que todos os seres humanos, nas várias tarefas da vida, não são os mesmos quando têm vinte ou quarenta anos é fundamental. Os que vivem só para si nunca o saberão. Ronaldo está a arrastar o seu papel como jogador para um lado indesejável e feio. Talvez os que o rodeiam o impeçam de ver para além do seu físico. Um jogador concentrado em recordes não está concentrado na equipa. Esse é o desatino de Ronaldo. É pena e penoso.