Martinez, Ronaldo, FIFA, Arábia Saudita e os basbaques

Há algo de insólito quando se assiste aos jogos de futebol de Portugal no Mundial e as posteriores declarações de Roberto Martinez. É um sentimento de incapacidade gritante para lidar com um treinador que faz de conta que não vê o que toda a gente vê.

Em geral, o treinador defende as exibições dos jogadores escolhidos e está sempre satisfeito porque a equipa está preparada para as diferentes fases do torneio, segundo o Mister…

E, no entanto, a equipa de Portugal até hoje não foi capaz de uma exibição que faça acreditar na sua força. Não há quem não veja a pobreza das prestações da seleção, salvo o treinador.

Portugal jogou contra o Congo, que se situa no 134ª posto e o Uzbequistão no 50ª e a Colômbia no 13º.

O jogo contra o Congo foi de uma pobreza franciscana e contra o Uzbequistão foi quase mais do mesmo, embora o resultado deixe transparecer algo diferente, mas o Congo ganhou ao Uzbequistão 3/1.

O jogo a sério era contra a Colômbia, 13º posto e Portugal 7º. Quem jogou no campo todo foi a Colômbia. Portugal, às vezes, dava uns esticões e então esticava. Muito pouco se viu.

No final desse jogo, de novo, Martinez, elogiou a miséria do jogo de Portugal. A imprensa é unânime. E ainda certeira quanto ao papel de Ronaldo. Configurar a equipa a jogar para ele marcar golos é já um caso patológico. O homem foi. Não é, o que é, talvez ainda dê para certas situações, mas não mais do que isso.

Até pode correr, mas o seu correr é já sem a habilidade de o fazer para ganhar lances; perdeu a noção do que é correr para ganhar um lance. Corre como um corpo rijo, sem versatilidade, à espera de mais um recorde. Ronaldo tornou-se um caso maior no seio da seleção, talvez até pela sua disponibilidade e ousadia. Muito provavelmente contagia, mas de onde não há o que se precisa, não se pode tirar o que faz falta.

Depois seguindo um corrente portuguesa de basbaquismo ancestral, alimentado por certos media, há um campeonato do mundo onde joga Portugal para apurar o vencedor e há outro para averiguar dos recordes de Ronaldo que só a ele interessa. E aqui entram todas as personagens para quem Ronaldo é mais importante que a equipa, tal como parece ser o caso de Martinez, que não ousa tirar Ronaldo do campo nem um minuto…

O Portugal que descrê do fenómeno futebol como desporto coletivo, achará sempre mais fácil fixar-se num fenómeno individual, a roçar o individualismo egocêntrico narcísico, que é a ideia de Ronaldo poder jogar sempre… Se nunca jogar outro naquela posição, nunca saberemos o que poderia suceder. Essa é a maldade de Martinez e da sua entourage.

Pode ser que Portugal ainda mude, mas não é de todo previsível. Caindo com a Croácia ou mais adiante, Martinez vai ter às suas ordens Ronaldo no Reino saudita. Os amigos   – Infantino e Mendes – lá o encontrarão e se juntarão para eventualmente voltarem à Casa Branca e enaltecer o papel de Trump na luta pela paz, mesmo desencadeando guerras em todo o lado.

Custa aceitar que tendo Portugal jogadores de altíssima qualidade que, se unidos com espírito de equipa, poderiam fazer um mundial que deixasse boas recordações a todos os portugueses.

Resta-nos esperar por mais um jogo onde Ronaldo lá estará a fazer de cepo e a impedir a equipa de jogar como equipa.

Uma equipa que joga para um jogador que já não joga o que jogou por incapacidade natural, é uma equipa à partida com uma grave deficiência. Isso explica a razão dos elogios de Martinez à equipa – poder continuar a jogar como ele quer, com Cristiano Ronaldo a fazer de 9 … um jogador à espera de marcar um qualquer recorde para bem dele, da sua marca mundial, da FIFA e dos patrocinadores sauditas interessados na imagem do casal num Reino medieval.

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