A vaga neoliberal hoje dominante vai prosseguindo o desmantelamento do Estado de Direito Democrático desde a vertente social, económica, cultural, ambiental e atacando as liberdades democráticas, elemento presente nas revoluções liberais. Este neoliberalismo representa em grande medida o contra-ataque ao liberalismo revolucionário da revolução burguesa.
Incidiu inicialmente sobre o que considerava ser um escândalo que consistia na consolidação na ordem jurídica dos direitos adquiridos pelo conjunto dos trabalhadores, isolando-os das classes médias que em boa medida se deixaram manipular por essa ideia de que eram as conquistas democráticas e sociais dos trabalhadores que impediam as economias de se desenvolverem, pois tornavam o mercado demasiado rígido, afastando os investidores. Aliás a rigidez laboral é eterna, até os trabalhadores aceitarem trabalhar, ganhando o sustento.
A própria União Europeia abraçou o ordoliberalismo e a obediência cega aos mercados financeiros, deixando cair a sua alma, a coesão social, bem patente nos nossos dias com investimento no belicismo e corte nas questões sociais. Os trabalhadores e os pobres são culpados de tudo, incluindo da sua situação.
A passagem para esta política global apoiada pelos principais partidos políticos dos países da UE fez surgir uma nova espécie de partido único em defesa deste rumo.
A partir do momento que grandes questões políticas deixam de estar sujeitas ao escrutínio por serem consideradas intocáveis, resta às democracias pouco para decidir. Como já vimos, se as opções estão tomadas por um enorme aparelho de burocratas muito bem remunerados – uns melhor do que outros- resta quase nada para discutir, pois as centenas de Regulamentos que ditam aos Estados o que fazer não passam pelos crivos da democracia (in)existente dentro de cada país.
Os Estados membros, seja qual for a sua situação económica têm de respeitar a norma do défice não poder exceder os 3%, impedindo os “atrasados” de se chegar aos mais “adiantados”, o que torna a União numa real Desunião pelo facto de a Alemanha e a constelação próxima ficarem com alavancas que impossibilitam os outros países, designadamente da periferia ou do Leste de se aproximarem dos da dianteira, o que equivale a dizer que entre os Estados da UE uns caminham a passos de metro e outros de centímetro e assim deve continuar a ser per secula ad seculorum.
Entendemos, pois, por partido único, nesta configuração, a existência de vários partidos, todos eles apoiantes desta política única. Não se trata de proibir a existência dos partidos políticos, por enquanto, embora na Ucrânia – candidata privilegiada – os partidos de esquerda foram proibidos e os apoiantes da causa palestiniana na Alemanha, França e Reino Unido enfrentam medidas repressivas e prisão enquanto os governos, salvo o espanhol e o irlandês, mantêm no apoio ao genocídio dos palestinianos em Gaza e à invasão do Líbano.
Com Ursula Von der Leyen à frente da Comissão tudo acelerou com o desplante da permanente ultrapassagem de decisões que competem apenas a cada Estado.
É a defesa da política de empobrecimento das populações, das privatizações a todo o custo, do corte da despesa pública, da limitação dos direitos democráticos e sociais, da corrida aos armamentos, do aumento brutal dos orçamentos militares ditos de Defesa, das limitações do direito à greve e das tentativas de fazer regredir as leis laborais ao século XIX, da complacência e acordos com a extrema-direita em quase todos os países( com a vergonha do NÃO de Montenegro ser SIM), da transformação da Justiça numa caricatura e da incapacidade estratégica porque só têm uma política única a cargo de muitos partidos, tipo secções dessa política que varre a Europa. Veja-se o caso da Rússia. Os EUA, o deady dos atlantistas, negoceia com os russos; os europeus continuam a pagar o armamento e a guerra as long as it takes. E se houver guerra na Europa serão os primeiros a enfrentar o braseiro nuclear.
É esta versão que simboliza o desespero dos cidadãos e dos povos da UE e que a extrema-direita usa como cavalo de Troia para abalar as estruturas democráticas de cada país. O partido único tem essa particularidade, é constituído por vários partidos que perseguem e prosseguem a política responsável pela desesperança europeia.
Agora é que chegaste a essa conclusão? Mais vale tarde que nunca.
GostarGostar