O grande Mandamento – entregarás teu voto a quem interpreta e seguirás o rebanho.

Soam as trompetas a anunciar que vem aí a inteligência artificial e que o mundo já não será mais o que foi, como se alguma vez tivesse sido como era antes de o ser. Como se se o mundo de repente passasse a não ser composto de mudanças. Como se de repente pudéssemos tomar banho duas vezes na mesma água do mesmo rio.

Soam as trompetas no final de cada debate acerca de quem ganhou e de quem perdeu, como se os debates destinados a esclarecer os cidadãos a fim de poderem votar com mais conhecimento fossem substituídos por um conjunto de luminárias sentadas atrás do ecrã a dizer aquilo que as suas opções ideológicas lhes ditam.

Talvez a nossa felicidade maior seja a de podermos mudar e contribuir para mudar o mundo. Talvez seja este impulso vindo do fundo da História que nos faz mover por uma ideia, por uma utopia. Aqui não há artificialidade. Há um profundo sentimento de esperança de que somos capazes de forjar o nosso futuro, independentemente de todas as tragédias por que passamos.

Alguns líderes vão participar nos debates com o chicote do tempo velho contra o tempo novo. Isto só vai bem se se aceitar que tudo fique mais ou menos na mesma, se os que estão em baixo permitirem aos de cima continuar em cima custe o que custar aos que são esmagados. São eles os de cima que podem distribuir a riqueza que estiver a escorrer do seu prato para os que estão em baixo.

Há nesta parafernália de modalidades a pregar para que tudo fique na mesma um conjunto de dogmas que são muito mais sagrados que os 10 Mandamentos da Lei de Deus para os católicos.

De todo eles o imperante é o de que o Mercado é o Deus Todo-Poderoso, Criador, Bondoso ou Furioso e só a Ele os seres humanos devem obediência. Se Ele está furioso há que o apaziguar com cortes aos milhares de milhões de euros para que de barriga cheia se acalme. Já não pede vidas para serem degoladas; agora pede mortes lentas por falta de saúde, alimentação ou outros cuidados. Todos os que ousarem desafiar este poder omnipotente não são aceites à mesa do orçamento.

O que sabemos e, às vezes, esquecemos é que somos nós que fazemos a História e o nosso futuro contra os que querem manter tudo como está, como sempre aconteceu e não queremos ver.

Há um poder que é o de nos amarrar a um ecrã. Não basta ouvirmos e vermos. Há que nos meter na fila do rebanho, dizendo-nos como devemos interpretar o que vemos e ouvimos.

O redil é o sonho dos mandantes e dos sacerdotes desse novo Deus. Porém, há uma ideia, uma utopia e tudo pode ser diferente, se houver coragem e pensarmos sem medo. Precisamos de coragem. Haja coragem.

2 pensamentos sobre “O grande Mandamento – entregarás teu voto a quem interpreta e seguirás o rebanho.

Deixe uma Resposta para Abilio Travessas Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s