Aos Amigos Benfiquistas

O nariz de cera de dizer que uma coisa é a instituição, outra são os seus elementos integrantes tem muito que se lhe diga; mas mesmo muito.

Uma instituição ganha notoriedade e prestígio porque quem a dirige lhe dá essas características com a ação que lhe imprime. Se quem a dirige, não tem esses dons e não os passa para a instituição, naturalmente que ela não adquire essas virtudes.

São as mulheres e os homens que integram a instituição que fazem dela honrada ou desonrada.

Quando se pretende desculpar a ação dos prevaricadores, o refúgio na instituição serve às mil maravilhas, na medida em que muitas vezes a ação dos homens visa “prestigiar” a instituição onde eles se acoitaram para também eles aparecerem de mão dada com a instituição nos píncaros da lua.

Se um destacado dirigente da instituição decide com outros criar uma rede de fulanos que contra as leis da República e contra as questões nevrálgicas do funcionamento do Estado de Direito Democrático para entrarem nos segredos do Citius e afins, então o homem e a instituição só se despegam se a instituição e o homem se despegarem.

Se a instituição clama pela inocência do homem perseguido pela Justiça e ainda a ataca junto do mais alto magistrado da ação penal, temos que a instituição e o homem estão muito bem um para o outro e um no outro, continuando a identificar-se, mesmo na hora da desgraça.

A instituição é uma coisa diferente da dos homens que a dirigem se ela tomada de surpresa pela eventual conduta criminosa de um dos seus dirigentes, dele se demarcar e se declarar satisfeita pela justiça estar a funcionar.

Se a instituição, pelo prestígio que granjeou graças à ação honrada e sábia de outros homens, se convencer que por esse facto e pelo poder alcançado é intocável e pode fazer o que quiser para artificialmente manter o prestígio que já não tem como manter, enveredando por condutas criminosas, é, a todas as luzes, evidente que a instituição não se distingue dos homens que a dirigem e estão indiciados pela prática de crimes.

A instituição está acima dos homens se em relação à conduta ilícita dos mesmos se declarar que nada tem a ver com a referida conduta, condenando-a. Se ao contrário defender essa conduta, instituição e dirigentes fundem-se e afundam o prestígio da instituição em causa.

Por isso, devem as instituições, quando confrontadas com condutas criminosas de dirigentes que a dirigem, demarcar-se e condenar as atitudes desses sujeitos. Não há instituições sem mulheres e homens que lhe dão corpo e vida. Não há instituições em que as suas condutas estejam desligadas dos dirigentes que lhe traçam o destino.

Se uma instituição não quiser ter o mesmo destino dos sujeitos que a dirigem contra as leis, tem de os afastar e condená-los publicamente e antes da própria justiça que é mais lenta.

Se assim fizer é nítida a separação; se o não fizer é porque funcionam, sem qualquer separação das condutas criminosas.

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