PORTAS, O BUFARINHEIRO

Portas habituou-nos a tudo. Não deve haver um só português que não ache capaz de vender seja o que for. Ontem à noite, no debate com Catarina Mendes, vendeu o produto habitual: tiramos o país do protetorado, estamos melhor, connosco ao leme vamos ficar melhor, a economia respira confiança graças à estabilidade.
A demagogia sem fim pode ser testada nesta arte de manipular: é melhor um estágio que nada, é melhor um emprego temporário que a ausência de emprego, ou o caminho da coligação ou a Grécia.
Na verdade é melhor ganhar cem euros que cinquenta; é melhor um corte no vencimento de cem euros que um de duzentos…
Se não fosse o Tribunal Constitucional Passos e Portas e a Dona Maria Luís ainda andavam a cortar à bruta para bem do empobrecimento e da competitividade.
O problema de Portas e da coligação é este: a propaganda é capaz de fazer esquecer a realidade?
O país está pior. Mas está pior porque o programa de Passos e Portas era colocar o país pior, empobrecendo-o. Se o governo teve êxito é porque empobreceu os portugueses para fazerem deles mão-de-obra barata e tornar o país um dos mais competitivos, nas palavras de Passos.
Pode o país aceitar que a amargura em que vive se transforme num mundo irreal que só existe nas televisões e na boca dos governantes?
Pode o povo português esquecer a sanha belicosa de Passos a atacar os portugueses por viverem bem de mais?
Pode o povo português esquecer o ataque fanático à Função Pública movida por este governo?
Pode o povo português esquecer a desgraça em que se transformam os hospitais no Inverno e no Verão, sem macas para os doentes espalhados pelos corredores?
Pode o povo português esquecer o que este governo fez aos professores, aos enfermeiros, aos médicos, aos juízes, aos magistrados do MP, às forças armadas, aos homens da GNR e PSP? À Segurança Social? Aos pescadores, aos agricultores?
Só se engana, depois de tudo isto, quem quiser. Quem já votou em Passos e Portas e ache que está como eles dizem que continue a votar e já conhece as doses de austeridade que hão-de vir.
Nas eleições somos livres. Na cabine ninguém nos ameaça. Votamos em quem queremos.
Quem ontem ouviu Portas sabe de fonte certa que ele é capaz de dizer tudo para ser governo. Todos sabem. Então por que votam neles? São todos iguais… Todos sabem que só o podem dizer se levarem ao governo os que nunca lá estiveram: PCP, BE, Livre…A coragem é precisa. Venha ela. Depois que não se queixem.

MARCELO, O BITAITES
Marcelo desdobra-se pelo país. Ele vai à Festa do Avante, ele comenta a entrevista de Sócrates, achando-a sensata, ele deve ir ao Senhor de Matosinhos e à Assembleia-Geral dos Bombeiros de Alpedrinha…
Há quem diga que é por generosidade…Há quem pense que anda ao retalho a ver se enche as urnas em futuras eleições para substituir o que está em Belém a fazer de PR.
É capaz de ser sensato…ou não, depende do modo de encarar a política…Portas e Marcelo cada um a seu jeito até são capazes de mergulhar no mar da ilusão e do ilusionismo. Um mergulhou no Tejo e perdeu para Sampaio. Outro demitiu-se e com um novo cargo debaixo do braço voltou. Sempre o mesmo. A política ao serviço dos interesses pessoais.
Domingos Lopes

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