TENSÃO ENTRE A VENEZUELA E A COLÔMBIA

No dia vinte e nove de Agosto Nicolas Maduro ordenou o encerramento da fronteira  com a Colômbia no Estado Táchira ao longo de cento e sessenta quilómetros.

Uma semana antes tinha ordenado a expulsão dos colombianos do lado venezuelano desse Estado.

O número de deportados rondava os mil e cem colombianos. Os colombianos que por sua iniciativa abandonaram a Venezuela ultrapassavam os doze mil, segundo a Oficina Humanitária das Nações Unidas na Colômbia

O coordenador do sistema das Nações Unidas na Colômbia, Fabrizio Hochschild, considerou haver uma crise humana dado que…”Em qualquer parte do mundo, se chegam doze mil pessoas sem pré-aviso, e essas pessoas não têm meios de subsistência, dependendo da resposta da comunidade onde chegam, e de modo complementar da ajuda internacional, isto constitui uma crise humana…”

Causou um abalo na Colômbia a opinião de Ernesto Samper, atual Secretário-Geral da União dos países da América do Sul, e ex- Presidente da República da Colômbia, ao reconhecer que os paramilitares colombianos estavam operando na Venezuela, um dos argumentos usados por Nicolas Maduro.

É de sublinhar que a eleição para Presidente da República de Samper foi posta em causa devido a um mega escândalo que o envolveu em recebimentos de grandes somas provenientes do narcotráfico, tendo as testemunhas de acusação desaparecido uma a uma, ficando sem provas a séria acusação que impendia sobre ele.

A OEA na sua reunião de trinta e um de Agosto decidiu não discutir a crise fronteiriça, o que constituiu um desaire para a Colômbia.

Maduro convenceu o Panamá a abster-se propondo uma reunião entre os Presidentes da Venezuela e Colômbia, o que levou a que a proposta da Colômbia não tenha sido aprovada por um voto.

Por outro lado, a crise na Venezuela devido à baixa do preço do crude é grave. No entanto, o regime venezuelano mantem os preços dos bens de primeira necessidade sem qualquer aumento.

Do outro lado da fronteira os preços desses bens são muito mais caros. O contrabando nasce com toda a facilidade. Os colombianos compram no lado de lá e vêm vender no seu país a preços da Colômbia.

A gasolina na Venezuela, uma das mais baratas do mundo, é vendida na Colômbia por colombianos, que atravessam a fronteira, dez ou quinze vezes mais cara, o mesmo sucedendo com os bens essenciais

Os próprios venezuelanos também ganham comprando no seu país e vendendo na Colômbia.

Esta situação faz a Venezuela em tempo de vacas magras perder muitos milhões de bolívares,  devido ao contrabando.

Não se pode esquecer que na Venezuela vivem cerca quatro milhões de colombianos, mais oitocentos mil colombianos que devido aos combates entre as FARC e os paramilitares e o exército tiveram de fugir tendo o Presidente Chavez aberto a fronteira e dando-lhes o direito a votar, concedendo-lhes facilidades.

As relações também se têm deteriorado devido ao conflito interno na Colômbia entre o regime e as FARC, dado que o ex-Presidente Uribe, apoiado no Plano Colômbia, com a proteção dos EUA, perseguia as FARC na Venezuela.

Nicolas Maduro para além do contrabando colocou um grande enfase na perseguição aos grupos paramilitares que se infiltraram na Venezuela e que Samper confirmou.

Como é sabido muitos dirigentes dos grupos paramilitares criados com o apoio do exército colombiano estão hoje na cadeia devido a milhares de crimes horrorosos cometidos; outros fugiram para os países vizinhos, nomeadamente a Venezuela cujo regime é combatido pelos paramilitares.

Estando os EUA e a Colômbia ligados pelo Plano Colômbia é bem possível que para desestabilizar o regime da Venezuela tenham sido enviados paramilitares para aquele país.

Dos trezentos e trinta e cinco municípios existentes, a oposição venezuelana dirige sessenta e oito e destes 68,32% estão na fronteira com a Colômbia.

As negociações em Havana plissam. Há nervosismo no governo e na direção das FARC tendo em conta as perdas militares e as deserções no campo guerrilheiro.

Discute-se o futuro dos homens que a pouco e pouco foram perdendo a matriz do projeto inicial de Manuel Marulanda e enveredaram por outros caminhos alienando a dignidade do projeto daquele líder camponês.

A Colômbia vai ter eleições em Outubro e a Venezuela em Dezembro. Elas têm um peso crescente nesta grave crise.

De um lado Maduro defendendo os venezuelanos do contrabando e afirmando-se frente à Colômbia, apoiante dos paramilitares. O modo como expulsou os colombianos não é a mais humana, dado que muitos deles são cidadãos simples e humildes.

Do outro lado Juan Manuel dos Santos, Presidente da Colômbia, tenta captar a “unidade” nacional que se gera quando compatriotas são deslocados à força e outros decidem pelo seu pé ir-se.

A proposta, já aceite pelo Presidente da Colômbia, do Presidente Maduro vai no bom sentido. Para os dois países libertados pelo herói comum de ambos países, Simon Bolivar, é a única saída que pode restabelecer o mínimo de confiança entre ambos e respetivos povos.

Já há tensões e guerras a mais um pouco por todo o lado. Como alertou o Papa Francisco a terceira guerra mundial pode ter-se iniciado. É tempo de fazer serenar o conflito entre Venezuela e Colômbia. O mundo multipolar dos nossos dias vive tensões que necessitam de arrefecimento e não de mais guerras.

É , por isso, também, preciso um acordo entre o governo e as FARC, na Colômbia, que pare a violência. Será mais fácil, nesse quadro, serenar as fronteiras com os vizinhos.

domingos lopes

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