O PALAVREIRO

Paulo Portas foi ontem à SIC. E falou, falou e falou. Que contou? Um conto parecido com o da carochinha. Pegou em três ou quatro palavras e jogou com elas. Ele foi sempre um bom jogador de palavras, um palavreiro.
É amigo e admirador da Sra Dra Maria Luís. Tem por Passos a maior consideração. Vem aí a recuperação. Arrumaram a casa. Ai Jesus se vem o PS…e o despesismo . Foi o PS que chamou a troika e agora já ninguém treme só de ver os troikanos chegar a Lisboa, graças a ele e ao Passos … este desemprego é obra do PS.
O palavreiro usa as palavras para as assassinar: o CDS esteve de acordo com a vinda da troika e com o Memorandum. Foi o CDS mais o PSD, mais o PS quem assobiaram pela troika.
O CDS prometeu baixar impostos e o Dr Portas andou a correr pelas feiras a defender os pensionistas e os agricultores.
Chegou ao governo aumentou impostos, diminuiu pensões e atacou os agricultores criando com a Cristas à cabeça uma crise sem precedentes no setor leiteiro com a ruína dos produtores de leite.
Portugal está muito pior do que estava. A dívida subiu mais de cinquenta mil milhões de euros. O país empobreceu. A pobreza bate à porta de um em cada quatro portugueses. A fome ronda um terço das crianças nas escolas. Não há vacinas para a tuberculose. As gripes põem os hospitais em estado de guerra e transformam-se em acampamentos. Portugal regrediu aos anos noventa do século passado.
Do outro lado do modo de viver os ricos ficaram muito mais ricos. As camas desaparecidas no SNS apareceram nos hospitais privados.
As riquezas do país foram entregues a grupos económicos poderosos, incluindo as que geravam riqueza para a comunidade.
Aos banqueiros o Estado abriu os cofres e entregou-lhes o ouro, enquanto se regateava quatro ou cinco euros de aumento do salário mínimo ou até o seu fim para Portugal se tornar ainda mais pobre e competitivo. Quanto mais pobre mais competitivo, mais os ricos da Europa elogiam o Passos e as suas virtudes de agradar aos credores e desprezar os compatriotas.
A receita do CDS foi agravar tudo o que de mau fez Sócrates, aumentando brutalmente as doses de empobrecimento da população e as de enriquecimento de uma casta que vive a olhar para o ar para saber com rola a economia de casino nas diferentes bolsas, os tais que vivem acima das possibilidades.
O palavreiro olhas para as palavras como se fossem abrigos para a sua política de desastre. E que faz? Pega nelas e atira-as contra a realidade. De tanto cansaço pela perda da cotação das palavras na inteligência e sensibilidade humana usa-as como lenços de assoar.
As palavras deixaram de ter valor para os turvadores das próprias palavras. Quando o palavreiro diz que estamos melhor ele não engloba no estamos a maioria dos portugueses e portuguesas. Esses já não contam. O que conta para ele são os que de facto estão melhores: banqueiros, financeiros, gestores, fundos, grandes escritórios dos advogados, goldens figuras vindas do Extremo-Oriente, os ricalhaços de todas as latitudes.
Os outros a quem, entre um copo de tinto numa feira ou uma castanha num magusto noutra feira, prometeu tudo não contam até à nova corrida, novas eleições.
Só que agora o dirigente do CDS que assegurou aos credores a defesa do protetorado tem de se apresentar como um verdadeiro palavreiro, um homem capaz de pegar nas palavras e esmifrá-las até ao limite da última gota de seiva. Até à última fronteira da decência: anuncia o combate sem tréguas às desigualdades sociais.
Quando se chega a este ponto a única palavra que desapareceu do léxico do palavreiro é a grandiosa palavra que separava os homens honrados dos outros, a palavra vergonha.
domingos lopes

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