OXI!OXI!OXIOXI! SOU GREGO!

O que hoje se passou na Grécia é um daqueles acontecimentos que nos faz ter gosto em viver esta vida.

É um daqueles momentos únicos em que ser humano nos dá a razão de sabermos que somos nós quem escreve o seu futuro.

Há quem nos pretenda impor a ideia que os do poder têm a capacidade de nos condicionar e contra eles nada há a fazer dado que são eles quem mexe os cordelinhos que decidem as nossas vidas.

A chantagem, o terror, a ameaça, o sorriso doloso da Cristine, o discurso aparvalhado do Sr Junker, a cerimoniosa Merkel, o embusteiro Coelho, a provinciana sátrapa M. Luís, o Sr das feiras, o inefável Hollande à procura da lambreta não impediram que a velha pátri de Ulisses, que a terra da democracia, que o país da filosofia, que o país da coragem respondesse com um claro OXI.

Vivemos à espera destes momentos que fazem toda a diferença, que nos conferem a certeza de sermos quem somos, de chegarmos apenas com a nossa vontade clara ao pé dos poderosos deste mundo e dizermos OXI, OXI,OXI, podendo dizer outra coisa.

Hoje não sou português, que me perdoe o meu amado pai e avô e todos os que me fizeram amar Portugal, hoje sou grego, sou grego como seria romano no tempo do grande Spartacus, como seria sul africano quando Mandela estava detido e chileno quando Allende caiu.

Hoje sou grego. Sou humano. Sou um homem que tinha de crer nos outros homens por exercício racional, mas hoje tenho fundadas razões para crer que os human@s em certas ocasiões são os únicos à superfície da terra capazes de escrever a sua história.

Hoje o povo grego deu um sinal a todos os povos da Europa: se estás unido e disposto a lutar podes determinar aquilo que é melhor para o teu futuro.

Aquilo que é tão simples como seja manifestar um querer complica-se quando te dizem que se decidires de certo modo vais ficar na miséria e te vão escorraçar do próprio local onde estás há milénios; sendo que mandões que nem sequer imaginavam a democracia e a política quando os gregos viviam nela e com ela.

A pátria dos homens que moldaram a Europa disseram à Europa dos cifrões: atenção- vocês têm os cifrões, mas nós temos o poder de dizer sim ou não. E é esta força a força do futuro, a força dos povos, a força das nações.

Entre os mandriões de Berlim, os eurocratas que vivem como pachás e o povo simples ocorreu este fenómeno: eu posso decidir o meu futuro seja qual for o poder da Merkel e do Hollande e do Schultz. Não vale a pena falar do embusteiro Coelho nem do Costa a fazer de conta que os gregos iam decidir.

Hoje é o dia da dignidade: entre o euro e a coragem, a coragem. Hoje os que não vão a votos foram esmagados pelos que vão às urnas. Hoje as urnas valeram um continente inteiro.

Hoje sou grego. Hoje sou Xenofontes. Hoje começou a marcha dos milhares de cidadãos a favor da democracia em toda a Europa. Hoje, mesmo o povo alemão ou finlandês ou holandês vai compreender o quão importante é a democracia. Hoje entre o dinheiro e a democracia venceu a democracia. Entre a vidinha e a vida venceu a vida.

Eu estava lá, como diria a o poeta. Sou grego.

domingos lopes

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