UM OUTRO TEMPO QUE NÃO ESTE

Este é um tempo desfaçatez, um tempo de predação sem a nobreza dos predadores da selva que matam para sobreviver.
É um tempo de vingança sobre estes decénios de alguma contenção da predação em que o Estado Social possibilitou aos cidadãos da Europa uma vida com o mínimo de dignidade.
É um tempo de fausto para uma ínfima minoria e de austeridade para a imensa maioria, fazendo crer a estes que não há alternativa.
É um tempo em que os bilionários, algumas centenas, os donos dos mercados, têm mais rendimento que cerca de quarenta por cento da população mundial.
É um tempo em que os donos de tudo isto e mais alguma coisa também são donos dos media e martelam vinte e quatro horas as vantagens do mundo deles, criando uma espécie de verdade única, a de que o mundo é deles.
Tudo o que no mundo possa suceder depende deles. Eles admitem eleições, mas já arranjaram um modo de governar único em que o Tratado Orçamental, na zona euro, é mais importante que a Constituição de cada país. É o alfa e beta da governação. Para tanto quebraram a coluna aos partidos da governança e têm-nos à mesa das negociatas em que sobra sempre alguma coisa para os bons empregados. Privatizações, concessões, parcerias e compras de milhares de milhões são o seu eixo estratégico.
Esses dirigentes partidários entendem a governança como um tirocínio para entrar no mundo dos que mandam nisto tudo. Uns para o FMI, outros para os grandes bancos, outros para altos cargos na EU, outros ainda para as empresas que deram o acordo à sua privatização, o mundo do verdadeiro poder, daquele que se não curva diante de resultados eleitorais como os da Grécia.
Há décadas teriam de comprar um general, um Pinochet qualquer, e matar com armas os milhares de resistentes.
Agora asfixiam os países à míngua, matando lentamente os mais desfavorecidos tirando-lhes pensões, saúde, transportes, água, eletricidade e habitação. Tudo isto de cima de um sorriso chanel com o de Cristine Lagarde ou da carantonha assustadora da Sra Angela. Ou de um cumprimento à Brutus do Sr Junker ao Primeiro-Ministro da Grécia.
Ai querem pensões e não querem comprar armas, ai não querem mexer no IVA, ai querem aumentar o IRC, pois fiquem a saber que não vos aceitamos e vamos fazer tudo para trazer de volta os Samaras e os Papandreus para que eles voltem a mandar nos gregos e ordenarem o que nós entendermos para os gregos. Esses são da nossa confiança, os profissionais na narrativa de Durão Barroso.
Até o enfastiado de Belém já apareceu ao lado do governo a dizer que estamos bem e os gregos mal por não fazerem o que nós fizemos, sendo certo que os gregos só fizeram o que a troica mandou fazer.
Este é um tempo de não esquecer o que o enfastiado disse sobre o BES, e o que Passos Coelho disse sobre o empreendedor Dias Loureiro.
É um tempo que os donos de tudo isto querem encerrar o tempo dentro de um Tratado Orçamental do Tempo durante o qual ninguém poderá sair desse tempo de luxo para os de cima e de ignomínia para as populações e todos terão de assistir aos programas de televisão, radio, como basbaques desejando apenas um dia ser como um@ daqueles novos pachás.
É este o tempo de em que tudo se vende e da seguinte maneira: os que dão assessoria ao Estado são os mesmos que dão assessoria aos compradores, recebendo dos dois lados, e escolhidos quiçá pela mesma entidade. Veja-se a quem o Estado pagou e a quem os chineses da Three Gorges pagaram no negócio da venda da EDP.
É um tempo de desfaçatez. Um tempo tão cheio de maldades que quase não dá vontade de viver ou dá tanta vontade de viver para que este tempo dê lugar a outro onde sejam realmente os povos quem mais ordenem, um tempo mais humano.
domingos lopes

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