Os eurocratas estão a trair os interesses europeus

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia os governantes, a inteligentsia e os media ocidentais cerraram fileiras em torno da inevitabilidade da derrota russa e, como tal, a negociação seria após a rendição russa. Todos os dirigentes eurocratas, estadunidenses, atlantistas da NATO anunciaram a derrota iminente da Rússia, todos e mais alguns. Ou seja, a guerra foi travada entre o Ocidente alargado e a Rússia com o sangue ucraniano porque Zelenski e Cª acreditava que a derrota da Rússia daria à Ucrânia um novo e poderoso estatuto da Ucrânia na NATO e na Europa.

Os socialistas, liberais, populares, conservadores e alguns verdes anunciaram a uma só voz a derrota da Rússia. Forjou-se um partido único da derrota estratégica da Rússia. Desde a Escandinávia até à Grécia. Quem destoasse era acusado de ser serventuário de Putin. Aqui e em qualquer, como diz a canção.

A cegueira atingiu tais proporções que a senhora alemã que foi posta à frente da Comissão afirmou que a Rússia ia deixar de ter frigoríficos porque precisava dos chipes para os mísseis … e o senhor socialista espanhol colocado à frente da política externa europeia considerou a UE um jardim e o resto do mundo a selva. Para produzir semelhantes declarações dá para imaginar o descontrolo mental ideológico dos que estão à frente da eurocracia.

É gente desligada dos povos e países respetivos e que ali está ao serviço do neoliberalismo e que pretende fazer da UE um porta-aviões dos EUA tanto em termos económicos como militares.

Gente incapaz de ver para além dos vidros dos edifícios da grande burocracia europeia e que tenta prolongar a todo o custo o seu poder e sobretudo os seus proveitos, nada despiciendos. Gente sem alma, de lustro artificial perdida no choque entre as realidades dos povos e das nações e o mundo da financeirização, entre a vida dos povos de que perderam o contacto e as metas das grandes corporações desejosas de abocanhar o que cada país tem de interessante no plano da rentabilidade. Vivem ao rés da uma cegueira paralisante que os faz gritar a mesma coisa a toda a hora para receberam mais de quem lhes exige comprar mais armas e mais produtos estratégicos ao outro lado do Oceano.

A cegueira atingiu tal ponto que não são capazes de ver que se a Rússia não foi derrotada militarmente na Ucrânia pelos EUA/NATO/UE não o irá ser apenas pela UE, pois os EUA ao retirarem-se deixam a UE e Zelenski a falar sozinhos e a receber milhares de milhões de armas compradas e pagas pelos europeus…

Se esta cegueira não for interrompida pela rebelião dos povos fartos de Macron, Starmer, Merz, Meloni que têm dinheiro a rodos para armas à custa da saúde, das pensões e de infernizar a vida de todos os que vivem do seu trabalho, então a UE caminhará para o desastre total na medida em que os seus dirigentes deixaram de defender os interesses das nações e dos povos europeus e passaram a defender os interesses das grandes corporações financeiras estabelecidas em todo o lado para cobrar mais lucros e esmifrar a desgraça de um continente que há décadas se apresentava ao mundo como algo interessante e digno quanto aos direitos humanos.

Quando Trump teve consciência que a guerra na Ucrânia escalava para um conflito mundial ou se abria um processo negocial, os dirigentes da UE, perdidos na sua solidão ideológica, não revelaram a coragem de encabeçar e liderar o processo negocial enquanto europeus onde se trava a guerra e entraram no processo para o minar e subverter inventando pretextos ridículos e fora do teatro das operações chegando ao ridículo de Macron fazer de gauleiter , esquecendo que Napoleão foi derrotado em Moscovo e não em Paris.

Até um fulano como Trump é capaz de ver o que este conjunto de idiotas não é capaz de ver, prestando-se ao degradante espetáculo de os pôr sentadinhos de cada lado da mesa e chamando cada um a dizer ao senhor mestre escola o que ele gostaria de ouvir, sobressaindo o caixeiro viajante de seu nome Mark Rute que disse ao mestre que os sapatos de Trump eram os mais lindos do mundo e Macron fez rir o mundo ao ameaçar enviar tropas na tal coligação de voluntários que como toda a gente sabe não tem capacidade para mandar um cego tocar um bandolim em Kiev. Os conselheiros de Macron ainda não lhe fizera o ponto sobre as invasões napoleónicas.  

Esta trupe perdeu o pé e gravita fora do tempo. Parou e não percebeu ainda que o tempo novo é outro. Vive no passado enquanto nações inteiras na Ásia e noutras partes avançam a UE vive do que já não é.

O realismo de Trump não é compreendido pelo mundo surreal de Ursula, Kallas e Cª. Preferiam que Trump fizesse o que ele sente que não pode fazer. Na verdade, tem os norte-americanos à perna, estes dirigentes europeus têm à perna o pavor de perder as mordomias. É triste que a UE tenha esta estirpe à sua frente. Pertencem a secções diferentes do mesmo partido europeu, o partido dos interesseiros, o partido dos cegos pelo pavor de perder os seus privilégios. A UE é para esta gente um palco cheio de regalias.

Ademais, estão a conduzir a UE ao abismo. Os povos não se sentem representados por estes burocratas. O projeto neoliberal extirpou-lhes a alma. Ficou-lhes o mealheiro e a vaidade de serem o que julgam ser e não são.

Em Washington no dia 18, tal como no campo de golf de Trump na Escócia, a senhora Ursula e Cª mostraram o quão insignificantes são e face a um sujeito nada recomendável mendigaram o que ele nunca lhes dará porque um capacho serve para ele limpar a sola dos sapatos. Mais nada.

Há que abrir os olhos, varrê-los e substituir porque quem ame a Europa, as suas nações, os seus povos, a sua cultura e não viva fechado em jardins de eurocratas.

A Europa precisa de uma política de paz e de segurança para todos os países. É essa política que é preciso buscar com outra gente com coluna vertebral. Talvez se tenha aberto um processo de paz em Ancorage no Alasca. Isso atemoriza os que querem a guerra para se safarem.

Há 80 anos, em segundos, o Presidente Truman incinerou no braseiro atómico dezenas de milhares de inocentes.

No dia 6 de agosto de 1945, o Presidente Harry S. Truman ordenou que a aviação daquele país atacasse com uma bomba atómica Hiroshima, cidade japonesa, o que causou a morte imediata de um em cada cinco habitantes. Três dias depois atacou com outra bomba atómica Nagasaki.

 Nas duas cidades entre agosto e o final desse ano morreram respetivamente140 000 e 74 000 pessoas absolutamente inocentes. Muitos dos sobreviventes teriam querido ter perecido. 

O Japão estava derrotado. Os ataques tiveram como objetivo mostrar a Estaline quem mandava no mundo. Como se sabe, a supremacia durou pouco tempo, pois a URSS também se mostrou capaz de aceder à loucura que constitui o mundo das armas nucleares. Até hoje, há sempre um que chega primeiro à nova arma, mas os outros logo alcançam o mesmo patamar de destruição.

Na cabeça dos dirigentes mundiais parece só haver lugar para alcançar o domínio nas relações entre Estados. Até agora, desde tempos imemoriais a humanidade tem sido orientada por este critério, mais selvagem que o da selvajaria de todos os animais que lutam pela sobrevivência, pois na Terra cabemos todos desde Gaza à Ucrânia, passando por Taiwan até à Venezuela.

Quando os dirigentes ocidentais nos falam de valores nas relações internacionais bem sabem que nesse plano os valores são a força de cada Estado.

Que glorificamos hoje desde a escola até ao fim da vida? a força – leia-se a Odisseia, O Lusíadas, Cid, o Campeador, a Chanson de Roland…A nossa civilização assenta na força, no domínio, na escravatura, na servidão, na exploração e na força de que é exemplo o spetacular ataque dos EUA ao Irão. Como exclamou Donald Trump, se calhar sem saber, (que saberá ele), que foi, tanto quanto confirmam várias fontes, um espetacular fiasco, apenas para americano ver e acreditar na força bruta que Trump afirma possuir, sobretudo quando interrompe o jogo de golf e se dedica na Sala Oval ou no Mar-a-Lago a encher o mundo de tuítes mal escritos e cheios de bazófia.

Os valores liberais são impor aos aliados tarifas brutais, ameaçar com a força pilhar partes de países, transformar territórios nacionais em estâncias balneares e expandir de uma lado ao outro da Terra os seus campos de golfe e sacar big Money everywhere .

Num tempo que quase já só se fala só de guerra, de mísseis hipersónicos ou de drones e a paz é uma palavra proscrita em quase todas as capitais, é preciso recordar Hiroshima e Nagasaki.

 Foram os EUA quem atacou as duas cidades mártires com bombas atómicas. Hoje aquelas bombas são quase irrelevantes face ao poder destrutivo dos novos mísseis com ogivas nucleares.

Tanto faz ser bilionário, milionário, trabalhador, cristão, muçulmano, ateu, o que quer que seja para nos irmanarmos na morte nuclear. Que cada um compita com a sua ideologia em paz. Não há nenhuma bomba nuclear boa, são todas más, e todas deviam ser desmanteladas. Que o mundo acorde. Hiroshima e Nagasaki nunca mais. Acabar com a guerra na Ucrânia e em Gaza. Desarmamento em vez de corrida às armas. PAZ.

  O MUNDO À BEIRA DO ABISMO

O mundo gira para um absurdo precipício, caso não seja alterado o rumo para o choque bélico entre as principais potências mundiais. Muito se tem escrito sobre o tema e a mudança de paradigma na ordem internacional.  Uma potência em declínio e outras a tentarem impor-se. Uma União Europeia decadente a comportar-se como alguém já não é o que foi. O chamado Sul Global a fortalecer a sua presença mundial de onde sobressaem os BRICS com todas as suas contradições que são muitas, mas que a política de fanfarronice de Trump ajuda a superar. E conflitos e guerras por todo lado. Agora entre o Camboja e a Tailândia.

Os dois mais perigosos conflitos atuais estão na invasão da Ucrânia pela Rússia e na ocupação do território palestiniano por Israel.

A guerra na Ucrânia vai completar em agosto três anos e meio e o extraordinário neste conflito é que nenhum dos beligerantes quer que ele acabe tal como está. Com efeito, embora lento o avanço da Rússia é indesmentível. O confronto na Ucrânia entre a Rússia e NATO/EUA/UE vai continuar. A Rússia quer que a Ucrânia sucumba aos seus desígnios (impedir a sua entrada para a NATO e uma nova arquitetura de segurança internacional), e o Ocidente, na sua lógica, não “pode” perder esta guerra.

 A Rússia acha que consegue alcançar os seus objetivos, dada a sua força militar e a sua situação económica.

 Os EUA não perderam a ilusão de enfraquecerem significativamente a Rússia e até levar à sua exaustão interna, contando para tanto com os europeus a pagar os custos.

A elite da UE virou definitivamente as costas a qualquer política realista que assente no continente europeu e entregou-se à política do novo Presidente dos EUA que trata os europeus como vassalos, apresentando ao mundo com gaudio o vassalo maior, o Senhor Mark Rutte. Mesmo quando Trump ameaça filar a Gronelândia à Dinamarca e impõe novas tarifas de 15% às exportações europeias e a compra de.  750 000 milhões de dólares de gás líquido e 640 000 mil milhões de dólares em armamento e investimentos nos EUA de 600. 000 milhões de dólares. Nada mais. Ursula Von der Leyen, tendo em conta a linguagem corporal não estava nada bem.

O show off da Cimeira de Haia da NATO abriu várias fissuras com vista a agradar ao novo patrão.

 O ponto de desconfiança dentro da NATO e da UE já leva a Alemanha a congeminar transformar-se no país dominante na Europa ocidental do ponto de vista militar, deixando a França e o Reino Unido desconfiados. 5% do PIB em gastos militares é colossal, designadamente para as despesas sociais que terão de ser cortadas.

Zelenski também não “pode” aceitar a situação. Jogou tudo na convicção que o apoio ocidental derrotaria a Rússia e tal não se está a verificar.

A guerra vai, portanto, continuar. A menos que neste velho e sonolento continente os povos queiram impedir que seus filhos sejam incinerados no braseiro nuclear e exijam com veemência a paz.

Mas a anestesia que os faz virar ao olhar para não ter de enfrentar o genocídio dos palestinianos de Gaza e permita que os principais dirigentes da UE alinhem com o carniceiro de Telavive não augura nada de bom.

Os palestinianos de Gaza vão continuar a morrer à fome e a tiro. Será talvez uma nova Guernica. Aos burocratas europeus e ao negociante de estâncias balneares, as vidas humanas já não importam, só o big Money…

Está a ser difícil sair da ordem unipolar liderada pelos EUA para outra multipolar. O curso dos acontecimentos aponta, porém, como sendo irreversível essa direção, sem que, contudo, se vislumbre a sua arquitetura.  E tudo o que é incerto gera medo. Há quem recuse fazer exames médicos com medo da confirmação de uma doença grave. Os feiticeiros do domínio jogam nessa carta, o medo. No entanto, o rumo em direção ao precipício é visível. O medo cega.

Um Miguel de Vasconcelos de saias, Mariana Leitão da IL

Portugal, ao longo da sua História, foi enfrentando diversos inimigos. Naturalmente por se localizar na Europa, enquanto território organizado em Estado, foram sempre europeus, sendo o maior deles, Castela.

Os franceses também nos quiseram pôr na ordem e ao serviço do Imperador Napoleão.

Os ingleses, mais sofisticados, por via do comércio, Tratado Methuen, 1703, e do monumental roubo do chamado Mapa Cor de Rosa ( a ligação do Atlântico ao Índico) por via do ultimato da Inglaterra em 1890.

A frugal Holanda, hoje Países Baixos, conseguiu sacar-nos Malaca, mas sucumbiu em Angola e no Brasil. Tudo boa gente de valores e muitos liberais.

Há dois Portugais em Portugal. Um valente. Outro que se instala por dentro e é o Portugal do estrangeirismo, do que rasteja para ganhar força fora para se impor contra o próprio povo. É o Portugal da burguesia rentista, dos negócios ao cair da untadela ou do facilitador, da “modernidade” que se divide entre o Solar dos Presuntos, o Eleven ou o Avilez. Entre Cascias/Estoril e certas praias do Algarve. Estamostãobem, numestamos?

Mariana Leitão veio agora obnubilada pelo esplendor da motosserra de Milei, o antizurzo, proclamar que a IL quer que o Governador do BP seja escolhido por um concurso internacional.

Como toda a gente sabe de tal concurso só sairia alguém que agradasse aos júris, tudo gente qualificada nas mais altas instâncias das finanças e como tal lá seria escolhido homem/mulher a gosto do Black Rock, Goldman Sachs, e outros que tais.

Não viria para defender interesses portugueses ou até da banca portuguesa (por onde anda?) mas a dos mercados. Ou seja, o tal júri escolheria um altíssimo sacerdote pago a preço de ouro para fazer a política dos mercados, onde o país conta pouco.

Só é possível que tal aconteça num país que se habituou e o habituaram a viver de mão estendida. Como se alguém por essa Europa fora fosse dar a Portugal o que ele não produzir. Cavaco foi o primeiro a vender a marinha mercante, a indústria naval, a agricultura por uns tantos milhões de euros que se derretera em jipes e negociatas, tendo sido necessário tipificar um novo crime, desvio de subsídio.

Por sinal, os cheganos nunca falam destes subsídios que enchem alguns dos seus financiadores. Falam dos subsídios de tuta e meio para os desgraçados que na vida inteira não passarão de migalhas ao pé daqueles que enchem carrinhas de dinheiro.

A razão de um estrangeiro à frente do BP era ter uma espécie de sátrapa dos mercados. Bem pago, comme il faut.   

Há pelo país inteiro quem pense que estar no chamado clube dos ricos dá riqueza e gosta de se sentir o que não é. É um fenómeno explicado na psicologia social.

Na Faixa de Gaza morre-se de fome e de sede por ordem de um serial killer

O inferno nem sempre existiu. Talvez tenha dez séculos da nossa Era. Mas essa invenção de sofrimentos atrozes perpetrado pelos demónios contra a alma dos mortos, se bem que seja difícil imaginar as almas a sofrerem torturas do fogo e similares (dada a sua imaterialidade), já existia em muitos locais da Terra. Os escravos, os servos da gleba, os desgraçados padecentes de doenças que os tornavam incapazes, os que viviam de quase nada e sofriam de quase tudo. Os infinitamente pobres que morriam de fome. Como hoje se morre em Gaza.

A céu aberto, na Faixa de Gaza, o país que diz ser o escolhido de Jeová reuniu todas as maiores maldades do mundo, aquelas que pensávamos inexistirem, e de regresso à Idade das Trevas, à idade da força bruta, implacável, traiçoeira, covarde e vergonhosa cercou aquele território, obrigando os seu habitantes a deslocarem-se de um lado para o outro, sendo metralhados do céu e de todos os lados pelo mais poderoso exército da região há quase dois anos. E continuam a metralhar.

Depois de bombardearem hospitais, escolas, mesquitas, pelo menos uma igreja, habitações e já quase tudo se ter desmoronado, Netanyahu, o tresloucado, impõe aos palestinianos de Gaza a fome e a sede. Isto é, o extermínio dos habitantes de Gaza. Netanyahu é em linguagem de foro criminal um serial killer, a sua sede de sangue é inesgotável.

 As imagens chocantes de crianças esqueléticas e de disparos à queima roupa sobre quem corre para obter alimentos em recintos e filas controlados pelos israelitas não têm no mundo que vivemos a explosão de repúdio que se justificava.

Qual foi o crime cometido por estas dezenas de milhares de mortos? Serem palestinianos. Viverem em Gaza há milénios. Assistiram à chegada de fenícios, romanos, árabes, turcos, europeus. Ali viveram até serem corridos na ponta das baionetas pelos dirigentes sionistas de Israel com o total apoio ocidental. Milhões foram forçados a partir a famigerada NAKBA. Alguns milhões ficaram.  É a estes que Netanyahu quer exterminar. E toda vingança é ignominiosa, mas o massacre de inocentes por ordens de Netanyahu e seus parceiros é ainda mais aviltante. Fere-nos a todos. Faz-nos macambúzios. Revolta-nos.

Olhamos em redor de nós e que vemos? No mundo fechado dos dirigentes da UE os sorrisos de apoio ao carniceiro de Telavive que está a fazer o trabalho sujo da UE, segundo Merz, o homem com currículo  na Black Rock; o fugitivo de da justiça israelita, o amigo Trump, que se o deixassem fazia de Gaza um resort sobre as ossadas e o sangue do povo palestiniano.  

Os nossos olhos e os nossos ouvidos parecem estar fechados para o extermínio palestiniano, talvez de tão preocupado estarem com o destino do Estádio da Luz ou da assinatura do contrato de Cristiano Ronaldo ou do namoro de uma atriz portuguesa com um corredor da Fórmula1… Depois o que passa na televisão é uma guerra, só que a guerra é entre ocupantes e ocupados. Veja-se a diferença com a Ucrânia. Não se toca em Israel…é o cão de fila dos interesses ocidentais, faz o trabalho sujo…

Posso estar enganado, mas há aqui uma perda do mínimo de lucidez. Várias personalidades, ao longo de vários séculos, ensinaram-nos que pode enganar-se muita gente durante muito tempo, mas é impossível enganar toda a gente todo tempo.

Aqui bate o ponto, até onde irá esta espécie de letargia dos povos ocidentais para aguentar este extermínio?

Se Netanyahu entregasse a Trump numa bandeja as últimas cabeças dos palestinianos de Gaza, então seria verdade que os monstros tinham vencido e que o mundo resvalaria em direção ao ponto negro onde deve estar a morte.

Sim, se a morte de tantas crianças, mulheres e velhos palestinianos já não nos choca, que podemos merecer? Já não seremos humanos, talvez semáforos que acendemos e apagamos, como os telemóveis.

Os sentimentos fizeram de nós humanos; a falta de sentimentos far-nos-á desumanos. Qual o caminho? O grito de Viva la Muerte está ao rés das nossas cabeças. Então…

Os media, os basbaques e o jogo das emoções

O mundo está mergulhado num enorme vazio. Os outros, os nossos companheiros desta curta caminhada na Terra, é como se não existissem. Mas como somos seres tremendamente sociáveis, somo levados em certas situações a tirar os olhos dos nossos queridos telemóveis.

A nossa pertença à comunidade está a transformar-se num imenso espetáculo universal em que a dor ou a alegria de alguém, quase sempre pertencente à lista restrita dos chamados famosos, se transformam em doses gigantescas de transmissão de tudo e de nada referente ao evento em questão.

A falta de sentimento de pertença à comunidade seja ela profissional, vicinal, religiosa e até ideológica como resultado de um mundo cada vez mais egoísta, hedonista a rondar o narcisismo faz com que cada aja de acordo com as vagas mediáticas que transformam certos acontecimentos em espetáculos de densas cargas emotivas.

Se algum(a) famoso(a) com acentuado pedigree casa ou dá uma festa de arromba os canais televisivos disputam entre si os exclusivos e transmitem-nos ad nauseam e naturalmente que uma sociedade perdida de sentido e mergulhada num desânimo quase total aceita com toda a naturalidade o basbaquismo a que se configurou.

Os media, pertença de bilionários, bem assessorados pescam nos mares das emoções superficiais e servem a cada minuto diretos dos festejos ou das desgraças.

Estas incontinências sentimentais entram diretamente na área descoberta da sensibilidade humana e corporizam a tal pertença que se foi perdendo num mundo alucinado de guerras e de desigualdades sociais brutais.

Estes espetáculos mediáticos só têm o pleno efeito quando dizem respeito aos que vivem no cimo, no cume, na vida boa. E para que a dose tenha plena eficácia a juventude nos casos de júbilo ou desgraça é também um elemento de glamour ou de dor.

A morte de Diogo Jota e de seu irmão ao volante de um potente Lomborghini Huracan, abanou o quotidiano porque não é suposto que um ídolo como o Diogo morra ao volante aos vinte oito anos.

Ninguém pode esperar algo como aquelas mortes. Então a nossa condição de humanos nivela-nos a todos. Podemos morrer. Todos os dias morrem jovens e outros em situações dramáticas. Só que não pertenciam ao firmamento da Terra. Morrem e ninguém fala deles. Compreende-se, dado que admiramos os que se distinguem nas suas vidas. Tudo certo.

 Diogo Jota era um futebolista do Liverpool, da seleção nacional. Jogava bem. Ganhava rios de dinheiro. O que ele fez na vida foi jogar futebol a um elevado nível e recebia porventura num ano o que a maioria dos portugueses não recebem a vida inteira. O mal não estava do lado do Diogo, mas sim de uma vida desumana de grande percentagem dos seus compatriotas.

Durante estes dias de manhã à noite os media serviram tudo quanto puderam sobre Diogo Jota, desde o acidente ao casamento, filhos e progenitores.

O Presidente da República, o Primeiro-Ministro e individualidades de toda a espécie foram ao funeral e botaram declarações. Pedro Proença para se diferenciar atribuiu ao malogrado Diogo a condição de “aicone”.

Este é um traço bem carregado do atual estado das nossas comunidades e da forma como os tais valores dominantes entram pelas nossas casas e batem à janela das nossas consciências.

Um jogador de futebol morre numa autoestrada em Espanha a fazer uma ultrapassagem e desde esse instante até ao funeral os media não mais largaram a desgraça, sentando frente às televisões ou telemóveis milhões a acompanhar o ídolo distante, contrastando com a insignificância da morte para o resto da Humanidade.

No mesmo dia faleceu o General Garcia dos Santos, um homem que arriscou a vida no 25 de Abril de 1974 e que foi um dirigente impoluto, íntegro e que defendeu com toda a sua força os interesses democráticos. Quase não se soube.

O vazio civilizacional que atravessamos precisa de espetáculos para nos anestesiar e de seguir em frente e acordar com as alegrias e os infortúnios dos outros. Parece que nos basta a vida boa ou a morte dos famosos porque a nossa e a dos outros não vale a pena. A arte é fazer de todos nós basbaques que seguem os da vida boa.

A diferença entre Gregor, o caixeiro-viajante de Kafka e Rutte, o caixeiro da indústria da morte

Mark Rutte, o ainda Secretário-geral da NATO, não deve ter lido a Metamorfose de Franz Kafka.

Resumindo: Gregor, caixeiro-viajante, a personagem da novela acorda feito num inseto enorme e que o deixa horrorizado.

Se Rutte tivesse lido a famosa e intrigante novela jamais teria dito o que disse a Donald Trump, o novo Imperador do blasfemo Império Ocidental.

 Pensando melhor, talvez tenha lido e devido a esse facto antecipou o seu destino de inseto rastejante.

Na verdade, o ex primeiro-ministro dos Países Baixos, baixou-se tanto, tanto que atingiu os pináculos do rastejamento.  

Rutte, conhecendo as contradições e fragilidades da NATO, decidiu ir pelo caminho mais fácil – julgar que “compra” Trump com adjetivos elogiosos do novo imperador ocidental. Elogiou-o como só o sucessor na dinastia.

Até paizinho lhe chamou. E como bom fora da lei colocou nos Himalaias dos encómios as agressões dos EUA e de Israel às instalações nucleares iranianas.

Este senhor é Secretário-geral da NATO à qual pertencem quase todos os países da Europa e o Canadá, daí que seja o Secretário-geral de todos eles.

A estes países, alguns quase milenares, não incomoda um lambe-cus desta estipe? Nem um se distancia? A NATO é isto?

Gregor era um humilde caixeiro-viajante que tinha de vender mercadorias para ganhar a vida; este é o caixeiro-viajante da indústria da morte.

O VELHO BRUEGEL, O PROVÉRBIO NADAR CONTRA A CORRENTE E O GENERAL AGOSTINHO COSTA

Peter Bruegel, pintor flamengo do Renascimento, pintou alguns quadros acerca dos Provérbios que então nos Países Baixos estavam em uso. Um deles “Nadar contra a corrente” sempre me impressionou no sentido de que a vida é muito mais que encarneirar nas ideias dominantes.

Nos oceanos mediáticos que banham o mundo, há uma esmagadora maioria de opiniões e análises que fazem uma corrente única de pensamento e que tudo varrem. Há aqui e ali pequenas luzes de pluralismo que de algum modo contribuem para que o nosso espaço de vida não seja como o faroleiro do Principezinho do Saint Exupéry que apenas acendia e apagava.

A invasão da Ucrânia pela Rússia tornou-se o maior acontecimento deste século pelo seu significado geopolítico e geoestratégico.

Ora, vale a pena um exercício de memória. A corrente dominante assentava na seguinte narrativa: a Ucrânia entraria para a NATO, a Rússia seria derrotada estrategicamente e oapoio à Ucrânia seria as long as it takes…A fundamentação eral – a Rússia não aguentaria as sanções jamais aplicadas, as espingardas eram da 1ª guerra mundial, os soldados não tinham rações e segundo a Sra Ursula iriam ficar sem frigoríficos porque lhes estavam a retirar os chipes para os mísseis. Os cancros de Putin eram todos péssimos.

Era o tempo em que todo o tempo era martelada a ideia que não havia nada a negociar a não ser a derrota da Rússia, vide Costa, Biden, Marcelo, Macron, Stoltenberg, o Jardineiro Borrel e Cª. Zelenski convencido pelo embalo ocidental auto proibiu-se de negociar com Putin.

O general Agostinho Costa nas suas análises punha em relevo a quase impossibilidade de derrotar estrategicamente a Rússia e que após a malograda contraofensiva do verão de 2023, a Rússia estava a avançar no território da Ucrânia e que a continuar assim o exército ucraniano poderia sucumbir. Quem estava certo e quem estava errado?

Outro acontecimento maior foi o genocídio atual dos palestinianos de Gaza após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra os ocupantes israelitas. A uma só voz, o Ocidente correu em socorro de Israel alegando que tinha o direito a defender-se num território por si ocupado ilegalmente. Apesar do genocídio, Israel localizado na Ásia continua a participar na UEFA, nos Festivais da canção e outros eventos culturais. É o nosso bandido a fazer o trabalho sujo, Merz dixit.

A corrente dominante achava que Israel esmagaria o Hamas e traria os reféns de volta. Nas suas análises Agostinho Costa sublinhava que o exército israelita, tido como o melhor da região, não estava a conseguir derrotar os combatentes palestinianos. E até hoje mantém-se essa impossibilidade.  Quem estava certo e quem estava errado?

Devido à incapacidade de Israel de derrotar o Hamas, Netanyahu para salvar a pele no processo judicial em que é acusado, decidiu atacar o Irão com o objetivo de derrubar o regime, aniquilar a capacidade do Irão disparar mísseis hipersónicos e atacar as estruturas onde é suposto estar a produzir urânio enriquecido. A resposta iraniana foi dura e o escudo abriu buracos por todo o lado.  Entraram o spetacular B2 do Imperador de Mar a Largo que, segundo o próprio, obliterou a capacidade do Irão. A corrente dominante alinhou com o Imperador e o candidato a genocida.

Agostinho Costa chamou a atenção para a capacidade do Irão de atacar Israel e para o sucesso que Israel teve ao decapitar o regime, sem, contudo, o derrubar. Quanto ao espetacular ataque contra as instalações iranianas era ainda cedo para tirar conclusões.

Impõe-se de novo fazer a pergunta, quem estava certo e quem estava errado? Mas mesmo partindo do pressuposto que uma análise é uma análise e não uma certeza, é justíssimo afirmar que as análises do general estão mais conformes com o sucedido do que em desconformidade, sendo para além do mais devidamente fundamentadas.

A questão é quiçá outra: uma análise diferente desde os primórdios dos humanos não encaixa no sentimento da carneirada. Vai daqui por isso a minha chapelada ao senhor general. Que nunca lhe falte o espírito do velho pintor renascentista. Chapeau.

Trump, em tempo de pura crueldade

O Procurador-Geral da Florida, James Uthmeier, esclareceu que, no seguimento da ordem do Governador da Florida, DeSantis, estava ser construída uma nova prisão para albergar os imigrantes ilegais que forem capturados, cumprindo assim as determinações, nesta matéria, dadas por Trump.

O Procurador confirmou que seria denominada Alcatraz de Jacarés. Ficaria rodeada de pântanos cheios de serpentes e jacarés. Acrescentou que os custos de segurança seriam mais reduzidos, dada a impossibilidade de qualquer fugitivo sair vivo naquelas condições. Alguém construirá a prisão com fundos do Programa de Abrigos e Serviços da Agência Federal de Catástrofes. Talvez um amigo do business.

A segurança do estabelecimento, segundo as autoridades, será mais eficiente que a Alcatraz, ilha de São Francisco, onde “morou” Al Capone.

A prisão será inaugurada em julho e provavelmente Trump apresentá-la-á como um grande feito para fazer America great again.

Os ambientalistas criticaram os danos no ecossistema pantanal pelo facto de passar a haver uma maior movimentação em torno da prisão.

Os EUA encerram dentro de si a vitória dos imigrantes ou fugitivos europeus que levaram ao genocídio das tribos autóctones. Outrora, a brutal violência dos de fora contra os que já lá estavam. Agora é a mais cruel impiedade contra os miseráveis indocumentados que partiram para cumprir o sonho americano.

Mas o sonho americano está bem guardado como se viu em Los Angeles com a chamada da tropa por Trump para intervir internamente. O sonho da América está a tornar-se um pesadelo para os norte-americanos.

Os multibilionários com Trump à frente têm outro sonho: serem ainda mais ricos. Para tanto precisam de concentrar todas as forças na impiedosa e cruel exploração atiçando o racismo, a xenofobia, a homofobia, as crenças religiosas, tudo o que permita impor a ferro e fogo a lei do mais forte, como nos tempos do Oeste selvagem.

Só a mais pura selvajaria conceberia uma prisão rodeada de serpentes e jacarés para impedir a fuga de gente desesperada. Na Idade Média havia castelos com fossos cheios de crocodilos para se defenderem de ataques…

Em 1963, o Procurador Robert Kennedy, ordenou o encerramento da prisão de Alcaraz por ser muito cara a manutenção. Agora o Procurador Uthmeier, seguindo à risca as orientações de DeSantis, abre um novo tipo de estabelecimento prisional guardado por jacarés e cobras. Sabendo-se que nada fará deter a possibilidade de fugas, pode imaginar-se o que virá a suceder. a impiedade mais cruel explica esta medida.

O país mais poderoso do mundo revela a sua “nova” face trumpiana – a brutidade contra os de baixo. Nem todos podem oferecer aviões de luxo de 450 milhões de dólares como o Emir do Catar.

A única lei que Trump reconhece é a da força. Foi à força que quis impedir a sua derrota há 4 anos. Agora no poder usará a força para se manter ou manter a sua dinastia. A água vai continuar a correr para o mar.

…As suas vidas devem ser labirintos sinistros…

O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no dia 17 de junho, no regresso do Canadá (país por si cobiçado e ameaçado) que o líder supremo da República do Irão se não se render poderá ser morto.

Simultaneamente o Ministro da Defesa de Israel declarou que Ali Kamenei seria enforcado como Saddam Hussein.

Estas declarações são de dois lídimos representantes da chamada civilização ocidental prenhe de valores liberais e democráticos.

A sua linguagem, desencantada dos fundos dos tempos medievais ou mais antigos, voltam a ecoar em 2025, em junho.

São as duas lanças mais afiadas do Ocidente. Atrás delas colocam-se certos dirigentes europeus, gente da estirpe de um “trabalhista” como Starmer, de um liberal/centrista/banqueiro como Macron, de um conservador como Merz e tutti quanti (até o “nosso” Costa) cheios de valores liberais que justificam guerras e guerras. É espantoso que esta Europa da UE se curve diante de semelhantes personagens. Que se passará dentro da cabeça destes homens para seguirem pelo caminho que perseguem indiferentes ao futuro? O que os move? Macbeth a certa altura queria voltar para trás e a sua mulher impeliu-o para os crimes para tapar crimes. Aqui não se descortinam sinais de distanciamento dos carniceiros.

Por cá, em horário nobre, a SIC Notícias plantou no ecrã um oficial do exército israelita a arengar como iam exterminar tudo e todos. Depois teve ajuda de uma senhora jovem de olhos muito abertos e professora universitária que nunca ouviu falar de mulheres na Arábia Saudita e bem sabia como ia acabar o regime teocrático, sem conhecer provavelmente que os religiosos em Israel por causa da teocracia não fazem serviço militar…

Em Israel, em nome do Velho e Novo Testamento, o supremo defensor do Bem, o anjo dos anjos, o exterminador de palestinianos à fome e sede e à metralha, na sua loucura messiânica para fugir à justiça dos homens, avança com o seu outro amigo evangélico, Trump, para lançar um dilúvio de fogo, antecipando o Apocalipse do Irão.

Estes dois homens desprezam todas as regras do direito internacional. Nas suas vidas não há uma gota de bondade ou de compaixão. Estão unidos pela perfídia, pela impostura e pela maldade. Ameaçar brutalmente, fazer sofrer, matar, aniquilar, bombardear, esmagar é o seu restrito vocabulário.  

As suas vidas devem ser labirintos sinistros com pesadelos terríveis acerca do que fazer aos que consideram ser seus inimigos. Parecem saídos de um mundo de serial Killers.

Talvez, no futuro, haja medo de lhes apertar a mão. Nunca se sabe que veneno invisível pode lá estar.

Se este dueto tomar Teherão o mundo vai saber quem se segue na longa rota do poderio brutal da extrema-direita a caminho de ditaduras sem piedade para quem quer que se lhes oponha. O mundo está muito próximo de um negro manto de impiedade e de safadeza.