EPPUR SI MUOVE

Esta frase é atribuída a Galileu Galilei – E, contudo, move-se – referindo-se ao facto de a Terra girar em torno do sol, o que renegaria, face à Inquisição, para salvar a vida, em 1633, e não esturricar na santa fogueira. O Vaticano admitiu o erro em 1983.

E, contudo, o mundo continua a mover-se. A derrota do comunismo com a implosão da URSS criou do lado capitalista a convicção que os ponteiros da História ficariam um sobre o outro para todo o sempre e a torrente neoliberal seria imparável. Tudo se passaria dentro do novo mundo dominado pela potência vencedora, os EUA. Sob a sua batuta aconteceram as invasões do Afeganistão e do Iraque, os bombardeamentos da Sérvia, a independência do Kosovo, a intervenção na Líbia, o golpe de Estado de 2014 na Ucrânia liderado por Victoria Nuland e que queria que a U.E. se fod—e…

Epurr, no fundo dos fundos, onde se amassam as grandes energias que moldam o mundo, continuavam os movimentos contraditórios de tudo quanto vive. Quando o poder se concentra, logos outros poderes se movimentam por múltiplas razões como é da mais elementar experiência.

A hegemonia dos anos 90 do século passado enfrentava os primeiros sinais de desgaste tanto interno, como no quadro global deste novo mundo, logo nos fins dessa década.

No plano interno, o Ocidente triunfante enfrentava o empobrecimento de camadas da população cada vez mais amplas. Caía o nível de vida. Sucumbia em significativos setores das sociedades a esperança como parte integrante da vida. O futuro iria ser pior que o passado. Medrou a extrema-direita que está no governo ou partilha acordos em quase toda a Europa e ameaça seriamente nos EUA.

Por outro lado, a compressão desta nova ordem gerou aproximações inesperadas há décadas. A grande maioria dos países do Sul e que são a imensa maioria da população mundial, pelas mais diversas razões sentiu o chamamento dos que se organizaram em tornos dos BRICS.

A seta do tempo está a pôr em causa esta nova velha ordem. A China, a Rússia, a India, o Brasil, a África do Sul, o Irão, a Arábia Saudita (quem diria) juntam-se neste terreno para se afirmarem (cada um à sua maneira) que fazem parte do mundo e querem participar no estabelecimento de regras de segurança e cooperação que permitam que todos respirem sem asfixias das organizações internacionais de um mundo inclinado para um lado.

O próprio capitalismo derrotou os propósitos hegemónicos dos EUA, na medida em que as sanções não funcionaram devido ao facto de ser mais forte a pulsão para comprar mais barato do que as sanções impostas pelo Ocidente sem o peso de outrora. A invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo os experts ocidentais, seria derrotada no plano económico. E não foi porque ainda há quem se oriente pelos princípios capitalistas originais. Só os serventuários preferiram comprar mais caro e estagnar as suas economias. Tenha-se presente que os EUA com as sanções passaram a ser o primeiro exportador de gás liquefeito a nível mundial. A U.E. paga agora cerca de cinco vezes mais do que pagava.

Nestes embates, agora à superfície, surge o que opõe Israel/EUA/U.E. à luta contra a ocupação israelita dos territórios palestinianos definidos na Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU. A fórmula de que Israel tem direito a defender-se ,perde todo o sentido quando Netanyahu destrói Gaza ao milímetro com ódio tribal e ordena a execução no Irão do chefe das negociações por parte do Hamas, após a China ter conseguido unir 14 organizações palestinianas. Ordenar o assassínio do negociador, num país terceiro, é uma ação de puro terror. Revela a incapacidade de ganhar a guerra que trava vai fazer um ano em outubro. E também que com Netanyahu não há paz.

Este movimento do mundo traz à tona a natureza das coisas tal como elas são; de um lado Israel com o Ocidente, do outro lado, os palestinianos com a imensa maioria do Mundo.

Epurr, o mundo vai continuar a girar e a mudar o que se torna imperioso mudar. Sucederá o que tiver de suceder, como diria o cego Tirésias na tragédia de Édipo de Sófocles. Netanyahu pode arrasar Gaza, mas o mundo não lhe perdoará, muito menos os palestinianos. Netanyahu sempre que se levantar, verá sangue por todo o lado, já não escapará à sorte que engendrou.

NETANAYAHU – O DÉSPOTA

O primeiro-ministro deu ordens aos seus subordinados para assassinar Ismail Haniyeh, líder do Hamas, assumindo-se como um político capaz de tudo para de manter no poder. Há meses tinha mandado assassinar a sangue frio três filhos e quatros netos do líder palestiniano.

Como Macbeth, nada o faz deter o seu aparelho de terror e de opressão.

Às suas ordens já foram assassinados cerca de 40.000 palestinianos, dois terços crianças, mulheres e velhos.

Um homem que está a negociar com o seu interlocutor e organiza o seu assassinato é um monstro. É um sujeito que vive noutro tempo, ou dito de outro modo, o tempo de Netanyahu não é deste tempo. Mata para fugir à justiça. Mata para poder escolher os juízes que o hão julgar pelos crimes de corrupção de que é acusado.

É a este homem, a quem o Tribunal Penal Internacional emitiu mandado de captura para levar a julgamento, que Kamala Harris e Trump se vergam.

A ordem liberal internacional com regras dos EUA serve para apoiar a política de sangue inocente levada a cabo por Netanyahu. Tanto por parte do Partido Democrático como do Partido Republicano.

No congresso foi aplaudido de pé. Agora depois de meses de massacres, Kamala alega o direito de Israel de se defender porque tem medo das palavras, caso contrário substituiria o verbo defender por assassinar, mas isso ela sabe que não pode dizer. Faz parte do sistema e é dele dirigente.

É esta ordem internacional que vai sucumbir. O medo da decadência é tal que perderam a cabeça. O mundo não vai aceitar o regresso ao velho direito tribal. Os dirigente israelitas têm as mãos tingidas de sangue e tal como em Macbeth nenhum detergente lhe lava o sangue das mãos.

Mesmo que, para além dos EUA, a maioria dos líderes da U.E. se curve e se afirme como servil, o povo palestiniano vai resistir e ter o apoio do Sul Global e dos povos do mundo. Netanyahu terá o destino que escolheu.

Os crimes em Timor-Leste não impediram que a liberdade vencesse a opressão. Na Palestina não haverá exceção.

Isto não é decadência?


…”Acredito que o meu trabalho como Presidente, a minha liderança no mundo, a minha visão para o futuro da América, tudo merecia um segundo mandato…”

Houve um levantamento no Partido Democrata para ele desistir, mas merecia um segundo mandato. E ninguém se riu na sala Oval. Devem ter comentado – merecias, merecias…

Mas o melhor está no meio da frase…a minha liderança do mundo… Quando alguém perde faculdades políticas e não vê o que se passa no mundo, então pode liderar à vontade o que lhe vier à mão, incluindo todos os planetas do sistema solar.

A minha liderança no mundo…disse o que não lidera o seu partido e lidera mal o seu país, pois afirma que o que está em causa é a própria democracia, o que ninguém dirá em Malta que não lidera o mundo.

Assim vão os EUA, com um homem que governa o país a pontos de correr risco de interromper a vida democrática e que desconhece o mundo que diz liderar, pois ninguém desse mundo, salvo os dirigentes servis da U.E., de Israel e das ilhas Marshal, lhe conferiu esse mandato.

Isto não é decadência?

Paulo Rangel em delírio de subserviência

Hoje, dia 24 de julho, Sua Excelência, o MNE de Portugal, declarou numa longa entrevista ao DN, enquanto o Chefe estava em Angola…

” … Há uma coisa que os EUA sempre respeitaram e que faz parte da sua idiossincrasia em termos de de situação internacional que é a ideia de que não pode haver violação da integridade territorial com base na força…”

O senhor ministro já nos surpreendeu de muitas maneiras até esta descoberta fantástica.

Se o Sr. Ministro estava em pleno uso das suas faculdades – ainda não tem 81 anos – faça o favor de se apetrechar e vá então descobrir por causa da tal idiossincrasia quem à força muito muito bruta invadiu

Cuba

República Dominicana

México

Guatemala

Vietnam

Laos

Cambojda

Iraque

Granada

Líbia

Jugoslávia até à independência unilateral do Kosovo

Fora o resto.

Sr. Ministro, fica- lhe mal tanta sabujice. Acredite. Os gringos são lixados, nem por tais fretes o vão considerar mais.

A democracia made in USA e a realeza dos oligarcas

O debate entre Trump e Biden veio expor perante os Estados Unidos da América e o mundo, de modo impressivo, o modo como se afirma e se apresenta o sistema liberal/democrático naquele país.

Aqueles dois homens representando os dois partidos dominantes dos EUA são os seus expoentes máximos. Dois velhos, em que cada um tentou mostrar estar melhor fisicamente que o outro. Um aproveitando a senilidade evidente do outro para lhe chamar dorminhoco/sonolento e o outro perdido, no meio de tanta luz das câmaras, sem saber onde pegar o debate e fugir ao duelo. Se poucas esperanças havia nos esclarecimentos, ficou ainda mais evidente que a política dos dois candidatos ao lugar ainda mais importante do mundo cairá para o que tenha mais destreza no puxar do gatilho. Uma espécie de duelos nos novos saloons mediáticos.

Num mundo tão conturbado, marcado por duas guerras brutais, sem pacificação à vista, o debate em que os argumentos acerca do mérito das políticas de cada um foram substituídos por golpes e contragolpes, sendo uns mais baixos que outros. Nenhum deles esclareceu fosse o que fosse. Insultaram-se.

O resultado foi o que se viu: Trump tinha mais aptidões físicas que Biden. Centenas de milhões de dólares desviaram-se para a conta de Donald, naturalmente para quando e se for Presidente tenha presente que os votos custaram muito big money e sem ele os votos voavam. Trump que contribuiu para a campanha de Kamala Harris para Procuradora-Geral da Califórnia sabe como se faz a coisa.

 Elon Musk declarou ao Wall Street Journal em 16/07/2024, que planeava doar à campanha de Trump até novembro 43.1 milhões de euros em cada mês. Os amigos são para as ocasiões e os negócios as usually. A declaração ocorreu três dias depois do atentado…que se tivesse sido bem-sucedido ninguém faz ideia das consequências, designadamente entre os apoiantes de Trump, muitos de entre eles mais conformes a uma seita a roçar ideais fascistas e nacionalistas onde só os EUA têm lugar à mesa de Deus Pai, gente que encontra no discurso de ódio e vingança de Donald Trump o seu sustento.

 Trump, filho de um emigrante escocês, prega o encerramento das fronteiras e apelida de criminosos os deserdados de tudo e que esperam encontrar na América algo, tal como o pai de Trump. Para a sua fé cristã só são filhos de Deus apenas os branquíssimos norte-americanos que o apoiem.

É este país pleno de violência em todo lado, incluindo nas escolas, cuja solução Trump considera ser armar os professores, que pretende ter a liderança do mundo e que nem sequer foi capaz de derrotar os talibans e se coloca sem o mínimo pudor atrás do homem chamado Netanyahu que age de acordo com normas tribais vigentes naquela região há mais de dois mil anos. Todas as ocupações são boas se forem a favor dos EUA, daí a ocupação da Palestina.

Biden foi obrigado a sair de cena num regime de gerontocratas e oligarcas a receberem milhões de outros que tais, para dar lugar a uma sucessora cujas ideias são as mesmas e que estão bem ancoradas no chamado Deep State de tal modo que os fundos para a campanha bateram recordes. Quem pode concorrer a Presidente nos USA? Quantos milhões é preciso para ter votos?

Quem acredita que só agora os dirigentes do Partido Democrata se tenham dado conta que o Presidente Biden confundia o Presidente do México com o do Egito, entre outros dislates?

Estavam disponíveis para o manter porque em boa verdade contava muito pouco, tal como irá contar Trump ou Kamala Harris se forem eleitos. Basta ter em atenção os atentados contra Presidentes e ou candidatos na terra das armas de acesso livre para assassinar e de abortos duramente penalizados, mesmo quando a mulher é violada, nomeadamente em certos Estado.

A substituição de Biden, “por amor ao país”, já rendeu largos milhões de fundos à nova candidata. Bela colheita junto de gente que decide, em grande medida, quem vai ser Presidente.

Se nas monarquias os Reis são escolhidos por hereditariedade, nos EUA os Presidentes são escolhidos entre os mais ricos que contem com o apoio dos estrondosamente multibilionários.

Os EUA nunca tiveram monarquias, mas têm reis – do imobiliário, do Espaço, dos carros Tesla, da indústria do armamento, do cinema, da aviação, do entretenimento, do gás líquido, do petróleo, dos fundos muito fundos, das Bolsas de Valores Mobiliários, do crime como Al Capone, and so one. Uma democracia à medida dos reis e dos oligarcas.

As eleições autárquicas, as esquerdas e o exemplo francês

Público – Edição Lisboa

  • 9 Jul 2024
  • Domingos Lopes Advogado

Portugal tem 308 municípios dos quais 122 com menos de dez mil habitantes, 65 entre dez e vinte mil, 32 entre vinte e trinta mil e 33 entre trinta e cinquenta mil. 6.924.159 portugueses moram em 56,18% de todos os municípios, segundo dados da Wikipedia. Entre o 25 de Abril de 1974 e meados da década de 80, o PCP tinha uma política autárquica de grande amplitude política, para além da esquerda ou direita.

Exceção feita aos grandes municípios, onde os interesses financeiros e imobiliários se faziam sentir, a orientação era a de que a política autárquica passava pela defesa das populações na concretização do saneamento básico, infraestruturas de caráter social, desportivo e cultural. O poder local é uma das maiores obras de Abril.

O PCP deu cartas e chegou a dirigir 50 municípios, nomeadamente nas eleições de 1979. Não ganhou certas câmaras por uma unha negra ou diferenças mínimas — Cascais, Sintra, Peniche entre outras. Mais de 60% dos candidatos eram independentes.

Entretanto, o país foi-se “litoralizando” e tornando o interior um enorme espaço com crescente perda populacional. As políticas seguidas configuram um verdadeiro desastre nacional, deixando ao abandono mais de metade do território nacional. Sem o poder local o abandono seria maior.

Não deixa, entretanto, de ser válida a ideia de que na larga maioria das autarquias os confrontos políticos não têm a dimensão dos confrontos dos maiores municípios, onde se situam os grandes interesses económicos, financeiros, imobiliários que abrem o modelo de cidade a alternativas de direita ou de esquerda. Basta atentar no gravíssimo problema da habitação para se compreender que não se pode deixar apenas à iniciativa privada a sua resolução. Ou na política de privatizações de bens essenciais, como a água.

Em relação à capital, o PCP sempre tentou uma política de alianças, designadamente com o PS, o que nunca resultou, enquanto o PCP ficava à frente do PS. A coligação eleitoral do PCP chegou a obter 27,50% dos votos em 1985, em Lisboa; o PS, tendo recusado qualquer aliança, ficou pelos 17,98%.

Mais tarde, graças à aliança do PCP e do PS, foi possível eleger Jorge Sampaio como presidente da Câmara de Lisboa, com base num programa negociado entre os dois partidos e que muito contribuiu para fazer avançar a cidade, como é ainda hoje reconhecido.

O PCP era então um partido duro a negociar, sem medo das dificuldades de uma negociação. Trata-se de um verdadeiro erro político, consentâneo com a fraqueza política dos dirigentes do PCP, antes de qualquer negociação entre as esquerdas e o PS, recusá-la à partida com o argumento de que não se está disponível para entregar câmaras ao PS.

Era e é perfeitamente possível ao PCP ouvir propostas, levar as suas, analisar até que ponto o conjunto de acordos constituiria um património de compromissos mínimos, para ir para a frente ou para esclarecer em concreto os motivos de uma recusa.

A ideia de que as alianças do PCP com outras forças de esquerda ou de centro-esquerda são responsáveis pelas suas quebras está por confirmar, estando, sim, reconfirmada, em eleições sucessivas, que as perdas constantes e significativas do PCP não se devem a alianças políticas com outros partidos de esquerda e centro-esquerda, dado que estão ausentes.

A coragem política da direção comunista ou é reavivada, e entra na sua orientação política, ou a irrelevância será o seu futuro, incluindo no plano autárquico. Imaginemos que as esquerdas e o centro-esquerda não elegem o presidente do município de Lisboa, porque o PCP faltou à chamada e os seus votos eram suficientes… Ou, que elegem, e que os votos do PCP não foram sequer precisos!

Lisboa precisa de um presidente da câmara mais comprometido com as aspirações da população. O contributo do PCP pode ser importante, se a direção quiser parar o plano inclinado da irrelevância em que se afunda. Que o exemplo de França ilumine as mentes da direção comunista.

O HOMO BELICUS VERSUS  A MARAVILHOSA AVENTURA DA VIDA

Há muitas razões para desconfiar de Putin, Zelenski, Biden, Ursula e de outros dirigentes. O primeiro invadiu a Ucrânia. Os segundos transformaram os Acordos de Minsk num biombo para a Ucrânia se rearmar, como confessaram. Tentaram, sabendo da total oposição russa, levar a cabo a integração daquele país na NATO com as consequências conhecidas para a Ucrânia.

A integração se se concretizasse significaria que a Rússia passaria a ter a sua fronteira de 2.245,80 quilómetros com a Ucrânia (Wikipedia) e com os 31 países da NATO.

Recorda-se que Cuba não faz fronteira com os EUA, mas quando a URSS instalou misseis com ogivas nucleares naquele país, o mundo esteve muitíssimo perto de uma guerra nuclear.  

A guerra é na Europa e para desgraça dos europeus. A narrativa dominante não compactua com os poucos que não enfileiram no caminho da guerra. A continuar assim brevemente será entronado o homo belicus com a Sra. Ursula na sua apresentação e coadjuvada por Josep Borrel.

Alega-se que esta corrida aos armamentos é para defender a “democracia liberal” e os “nossos valores”. O Ocidente dos “nossos valores” à sua conta tem um lastro de vários milhões de mortos nas guerras da Argélia, Vietnam, Laos, Camboja e Iraque, entre muitas outras. Eram democracias os invasores e ocupantes. Os “nossos valores liberais” ainda sangram em Hiroshima e Nagasaki às mãos da democracia USA.

Repare-se como a democracia liberal de Israel ocupa e mata a sangue-frio nos territórios palestinianos ocupados.  Por que não há sanções contra Israel, antes apoio de todo o tipo?

 A maioria da Câmara dos Representantes nos EUA acaba de aprovar uma proposta de sanções a aplicar aos juízes do TPI e seus familiares, caso decidam emitir um mandado de captura contra Netanyahu pedido pelo procurador junto do tribunal, que fez idêntico pedido contra responsáveis de Israel e do Hamas.

 Por que não há solidariedade com a luta contra a ocupação israelita? Por causa do Hamas? Mas o batalhão Azov dos seguidores do nazi Stepan Banderas não impede o Ocidente de enviar cada vez mais armamento para a Ucrânia. Veja-se a excelente reportagem deste jornal Como a Ucrânia se tornou no maior viveiro de neonazis do mundo | Extrema-direita | PÚBLICO (publico.pt)

O Ocidente não tem uma abordagem séria destes conflitos. Muitos milhares de milhões em ajuda aos ocupantes israelitas, nem uma fisga para os palestinianos combaterem o ocupante. Sanções nunca vistas contra a Rússia- Choque e pavor- nem meia sanção contra Israel.

Os que se atrevem a defender soluções negociadas para a esta guerra são apelidados de putinistas, mesmo quando estão nas antípodas do regime vigente no Kremlin.

 A narrativa oficial alega que está em causa o nosso modo de vida, mas nós somos da NATO desde o regime salazarista/fascista. Conviveram bem até 25 de Abril de 1974.

A insensatez das elites e das opiniões públicas é gritante. A força da gravidade do poder faz com que a maioria se sujeite a essa força. Todos caminham como se na Europa não houvesse uma guerra, que a continuar, pode alastrar a todo o continente e entrar noutro patamar terrível, o do braseiro nuclear. Dizem que é preciso perder o medo, mas o medo da guerra ou o medo da paz? Coragem é não ter medo da paz. E há, apesar de tudo, quem resista. Aí reside a esperança, na força dos que se não vergam às narrativas belicistas.

Tudo se pode resolver, mesmo os problemas mais graves entre Estados, desde as armas não liquidem as condições de vida para negociar. É confrangedor não surgir na opinião pública europeia um despertar que leve à criação de um movimento que não se renda ao peso do poder dos governantes belicistas que cortam despesas na Escola Pública, no SNS, na habitação pública, nas creches e infantários para empregarem esses fundos na compra de armas.

É necessário que os dirigentes europeus pressionados pelas opiniões públicas obriguem os dirigentes russos, ocidentais e ucranianos a fazerem cedências. A paz é a palavra mais subversiva na atualidade. Na Europa a extrema-direita cresce, como se viu nas recentes eleições europeias. Quanto maior for este sufoco belicista, mais crescerá.

Podemos estar a caminhar para uma guerra europeia. É preciso vencer o peso da inércia e levantarmo-nos do chão para inverter o atual sentido do conflito. O braseiro nuclear faz-nos tão humanos que acabam as diferenças sociais, ideológicas e religiosas. Saibamos ser racionais e inteligentes e defender a paz, a condição que nos permite continuar a nossa maravilhosa aventura de vida.

https://www.publico.pt/2024/06/11/opiniao/opiniao/homo-belicus-versus-maravilhosa-aventura-vida-2093664

As Buscas na Saúde – quem ia fugir? Tinha de ser antes do dia 9.

As buscas por causa das gêmeas aconteceram exatamente agora por mero acaso. Ninguém no MP sabe que vai haver eleições no próximo domingo. Ou então o MP sabe de algo do qual informarão o país com um parágrafo apenas e que impediria a recolha de provas. Tinha de ser agora. Como já fora naquele dia com António Costa no ano passado. Para onde vais Portugal? Quem te anestesiou? Abre os olhos!

Caramba, qual é a admiração face ao Nuno Melo normal?

Nuno Melo declarou hoje que qualquer pessoa normal compreende que os ucranianos possam bombardear o território russo com as armas entregues pelos países ocidentais.

 O Sr. Nuno é por enquanto Sua Excelência, o Ministro da Defesa de Portugal. Acreditem.

Vale a pena refletir sobre a normalidade porque o assunto é muito importante para todos nós. Falou o Sr. Ministro.

Em 1973 aquando das negociações para terminar a invasão do Vietnam perpetrada pelo nosso mui estimado aliado da NATO, os EUA, um representante deste país perguntou à representante da Frente de Libertação Nacional do Sul, a Sra Nguyen Thi Binh, o que davam em troca, se os EUA saíssem do Vietnam.

A resposta ficou marcada a letras de oiro para todo o sempre: Nunca nos passou pela cabeça bombardear os EUA e continuamos a pensar do mesmo modo.

A Rússia invadiu a Ucrânia. A NATO/U.E./EUA prometeram todo o apoio para rasgar os Acordos de Minsk II. Anunciaram o derrota estratégica da Rússia. Um coro que ia de Costa a Von der Leyen passando pelo inenarrável Boris Johnson que (não)tinha consciência que as suas festas nos jardins da Downing Street com dezenas de convidados violavam a lei que interditava qualquer ajuntamento devido ao COVID. Garantiram todo o apoio à Ucrânia as long as it takes … Nunca em momento algum falaram de algo diferente que não fosse a derrota estratégica da Rússia.  

A palavra negociações está proibida no léxico ocidental, menos para o Papa Francisco. Quem defender que o conflito deve ser resolvido por via negocial é pró russo, mesmo que não tenha a menor simpatia por Putin e o seu regime. Cotrim defendeu num debate para as eleições europeias que há que cortar no SNS, na Escola, nos transportes, nos serviços públicos e aumentar o orçamento militar para derrotar a Rússia, sem que ele e os que pensam como ele expliquem como se derrota uma potência nuclear.

Há muito que o regime ucraniano tinha sucumbido se não fosse o monumental apoio à Ucrânia, não sobrando sequer uma fisga para os palestinianos ocupados há mais de cinquenta e cinco anos em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Leste. Nem pedras. Nem alimentos para quem está a morrer de fome.

São tantas, tantas as sanções contra a Rússia que não sobrou uma única contra Israel, apenas os biliões de dólares em armamento de todo o Ocidente para Netanyahu. Cerca de quarenta mil mortos em Gaza não chegam para acordar a consciência ocidental. Já fora assim no Iraque com as centenas de milhar de mortos.

Desenhado a traços largos o quadro pergunta-se, pode o Ministro da Defesa de Portugal defender que as armas ocidentais, incluindo portuguesas, devam atacar a Rússia no seu território, pois tal declaração em caso de alargamento do conflito significará colocar Portugal na mira da potência nuclear? É normal Dr. Luís Montenegro? Está de acordo?

 Uma coisa é a Ucrânia defender o seu território com o que tem e o que venha a ter e não é pouco, outra é um país fornecer à Ucrânia armas para atacar territórios na Rússia.

A sra. Nguyen Thi Binh explicou aos representantes dos EUA o que o Sr Nuno nunca perceberá de tão preocupado andar com a incorporação nas FFAA de pequenos delinquentes.

As armas que a Frente de Libertação Nacional do Sul recebeu da URSS e de outros países nunca foram para atacar território dos EUA.

John Fritzgerald Kennedy nunca aceitou que Cuba tivesse instalado misseis da URSS, mas para Biden a Ucrânia, ainda mais perto da Rússia que Cuba dos EUA, pode entrar para a NATO. Tudo certo…Tudo normal. É a tal democracia liberal a funcionar as usually. Em nome desses “valores” os democratas ocidentais levaram a morte a milhões e milhões de vietnamitas, laocianos, cambojanos, iraquianos, argelinos, líbios… dentro da normalidade. Caramba, qual é a nossa admiração face ao normal Nuno Melo?