Olhando para as equipas que ultimamente dirigiram os EUA, uma pergunta impõe-se: o que está a acontecer naquele país para que as últimas Administrações sejam tão incapazes e vivam tão fora da realidade; o que deixou de funcionar e se transformou nesta verdadeira distopia?
George W. Bush dizia que falava com Deus e ordenou a invasão do Iraque. Biden estava senil, não era só dorminhoco. Trump não será dorminhoco, mas não aguenta ouvir um discurso com mais de cinco minutos e segundo o prestigiado jornal espanhol El Pays só ouve (não lê) notícias que o não critiquem.
Rodeou-se de uma equipa onde impera a mais pura irracionalidade, mesmo podendo de certo modo, face ao desvario ideológico, ser racional.
JD Vance afirma com toda a sua convicção que existem OVNIS e que são a prova da existência do Diabo.
Rubio um emigrante cubano, tal como os padecentes da síndrome de Estocolmo, lança campanhas contra os emigrantes latino americanos, ele filho de uma família pobre. Faz lembrar novos-ricos provenientes de famílias trabalhadoras que escondiam os progenitores.
Hegeset, o autointitulado Ministro da Guerra, anda preocupado com os níveis de testosterona dos militares com mais de trinta anos e ordenou aos serviços médicos a administração de testosterona a quem a não tivesse nos níveis adequados.
Trump chegou a Ancara para a Cimeira da NATO a espingardear com quase todos os dirigentes dos países da UE. Aliás, disse que se a Cimeira não fosse na Ásia não tinha ido. Mark Rutte, caixeiro dos EUA, aconselhou cinco minutos a cada dirigente para não aborrecer Polifemo. No final, depois de todos os insultos concluiu que os líderes europeus o amam. Que remédio…é uma questão de encaixe.
Quem neste mundo pode confiar um segundo que seja no que Trump afirma, incluindo os aliados? Aqui bate o ponto, no plano institucional da política de Estado, nas relações internacionais a confiança entre os dirigentes dos diferentes países é um dado de suprema importância. Não se trata de estar de acordo, mas aquilo que se diz tem de apresentar algum valor. Trump diz e desdiz-se em minutos. Mesmo depois de ter cumprido o seu primeiro mandato, continua a presidir os EUA como se fosse o boss dos seus negócios, o mandão, o que tem as mais belas armas e o avião mais lindo. É um deslumbrado no cargo e de si mesmo, um narciso da era tecnológica. Este é o homem que dirige a equipa do país mais poderoso do mundo. Estes são os indivíduos que mandam nos EUA, apoiados pelos plutocratas que, tal como Rubio, veem num social-democrata um perigoso comunista e até nos Democratas, tal é o despautério. Esta é a elite estadunidense à qual se verga a Europa. Ressuscitaram o espetro do comunismo e do socialismo e organizam conferências internacionais para conjurar o perigo dos maus vencerem os bons com o biombo do terrorismo que tão bem conhecem desde a Síria ao Iraque passando pelo Afeganistão e o resto. E daí os abraços ao Presidente atual da Síria, Abu-Mohammad al-Julani, que serviu como segundo Emir no Estado Islâmico. Não é contra estes terroristas que Rubio convoca os países. Há bons terroristas, os que alinham com os EUA, e há os maus, os que não estão em linha com a Administração.
Musk, o homem mais rico do mundo, com uma fortuna superior ao PIB dos noventa e dois países mais pobres do mundo, entusiasmado com a eleição do seu amigo Trump fez a saudação nazi.
Peter Tihel, dono da Palantir, considera que liberdade e democracia não são compatíveis, devendo-se abolir a democracia para ficar a liberdade dos poderosos Fundos fazerem em liberdade o que quiserem sem oposição democrática. As oposições serão atos terroristas dos maus, parafraseando o inefável Rubio.
As contradições nos EUA são tão agudas que há multibilionários que alertam para a situação perigosa que vive aquele país. O bilionário Nick Hanauer, escreveu um artigo interessante a este propósito…”The pitchforks are coming” e considerava que as desigualdades nos EUA já não são próprias do capitalismo, mas sim do feudalismo. E alertava para o que ocorreu no final do século XVIII na França e daí a expressão das forquilhas ou forcas estarem a chegar.
A pergunta inicial precisa de respostas. Não as temos. A verdade é, contudo, esta: o rumo dos EUA é o de um país a caminho de um regime de extrema-direita às ordens de um punhado de plutocratas. A resistência interna está também em marcha. Os povos decidirão. É a hora dos aliados não servirem de capachos.
O alerta das forcas feito pelo bilionário estadunidense Nick Hanauer | Opinião | PÚBLICO