Nem todas as árvores morrem de pé

chaparro deitado

As árvores, diz-se, morrem de pé. A verdade é que as há que preferem morrer deitadas. Veja-se o chaparral que vai morrer junto ao grande lago que é o Alqueva. Todas de pé, menos três. Duas deitadas a espreguiçarem-se para o lado do nascente, esperando da água e de Cheles sabe-se lá o quê.
A outra espreguiçando-se para o poente virando costas a Castela e estendendo-se para Montejuntos.
Todas as outras erguendo-se para o céu de onde vem um calor impiedoso a crestar o restolho de agosto, aguardando que os pombos torquazes nelas acarrem quando o sol se estiver a ir e um ventinho vier serenar a pele dos chaparros .
Só que ninguém sabe explicar, nem os grandes sábios, a razão das três azinheiras não quererem morrer de pé quando chegar a sua hora e deitarem-se à espera do dia final para aquecerem no seu brasido a alma dos de Capelins.
Virando as costas às irmãs estas três azinheiras estendem a sua personalidade horizontal, como que rastejando à procura do que só elas sabem, pois nunca o disseram a ninguém, nem aos que as cuidam.
Rastejar pode ser a afirmação no meio da altivez.
Delas um dia se poderá dizer morreram como os homens.
Alguns, raros, como estas azinheiras, morrem de pé. A natureza poderia explicar. Porém, o que ela sabe não o diz. Quem quiser saber o há de procurar e se tiver sorte a pé ou deitado o ficará a saber.

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