Centeno, a Grécia e o jogo das escondidas

 

A propósito da saída da troica da velha Grécia reacendeu-se na vida política uma discussão enviesada que visa esconder o que esteve na base das intervenções do Banco Central Europeu, FMI e União Europeia.

O que levou ao colapso de algumas economias periféricas foi a crise do sistema financeiro internacional. Para o salvar os Estados resolveram emprestar milhares de milhões de euros para assegurar que os bancos não faliam e assim salvar os congéneres franceses e alemães que iriam ser duramente atingidos com os incumprimentos dos bancos dos países da periferia.

O Estado português já fez chegar à banca mais de dezassete mil milhões de euros.

A crise do setor imobiliário alimentado por uma banca insaciável espoletaram a crise nas economias mais vulneráveis.

Independentemente da leviandade de muitos cidadãos e de certas empresas, no que se refere ao acesso ao crédito oferecido pelos bancos, a verdade é esta: os Estados pediram a intervenção da troica para salvar a banca.

No vídeo com que Mário Centeno brindou os gregos e a União Europeia não há uma palavra que refira sequer ao de leve as causas da crise. Tudo se passa como se os gregos fossem os únicos responsáveis pela crise, independentemente de graves e grosseiras distorções na economia grega da responsabilidade das autoridades gregas.

Na mensagem de Centeno o que se passou na Grécia foi um desvario grego e agora ou andam direitinhos de acordo com a troica ou voltam a ter de enfrentar o pelotão de domesticação dos países sem salvação.

As transferências de riquezas dos gregos para empresas estrangeiras, o desemprego a rondar os vinte e seis por cento, a pobreza extrema de mais de um quarto dos gregos, uma economia que compete a partir de salários baixos, um serviço de saúde em ruínas, eis o resultado da intervenção da troica.

A Grécia está hoje bem mais pobre do que estava. Vai continuar sob vigilância apertada de que Centeno se vangloria.

As economias da Europa central safaram-se afundando a economia dos países periféricos.

Com os chamados programas de assistência financeira os países sob assistência ficaram muito mais pobres e os países que a dirigiram mais ricos. Onde está a coesão da União Europeia? Será possível imaginar uma união em que uns empobrecem e outros enriquecem, devendo os que empobrecem seguir as regras que os levaram ao empobrecimento?

Pode aceitar-se, ou há quem julgue que será aceite, que a pobreza é um mal para os países pobres, mas um bem para quem investe e pode retirar lucros fabulosos? É esta a União?

Centeno é Ministro das Finanças de um governo que governa com o apoio parlamentar das esquerdas não pode ser o mandatário do rigor austeritário das troicas. É um caminho perigoso para o PS. Afinal o senhor holandês que Centeno substituiu continua a reinar…

 

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