Social-democracia em Debate- Chapelada a Pedro N. Santos

As sondagens tornadas públicas na Alemanha quanto à votação nos partidos são claras no que toca a uma matéria em cima da mesa, e que se prende com as alianças dos partidos sociais-democratas.

Se os resultados eleitorais de setembro do ano passado foram maus para o SPD (partido social-democrata), estas sondagens, realizadas após a quebra do compromisso de Martin Schulz de não fazer coligação com a CDU de Merkel, são desastrosas e colocam o SPD atrás do partido da extrema-direita.

Esta coligação aparece ao eleitorado como uma traição ao anunciado, com toda a pompa e circunstância, por parte de Schulz, garantindo ao eleitorado social-democrata que não faria a coligação.

Com esta conduta deu um passo mais no sentido de desiludir a massa de eleitores e simpatizantes do SPD. Frustrou as suas aspirações. Contribuiu para denegrir a atividade política, acentuando o lado negativo que chega aos cidadãos que os leva a pensar que os políticos são todos iguais, pois o SPD tinha anunciado que não se coligaria com a CDU. Foi um excelente serviço prestado aos populistas à extrema-direita.

Este tipo de coligação (a chamada grande coligação) diminui significativamente as possibilidades de escolha dos eleitores. Além de que o eleitor escolhe uma coisa e o eleito impinge-lhe outra. O cardápio para governar é quase único.

Vale a pena fazer um rápido percurso para dar conta da destruição que este tipo de comportamento provocou nos partidos socialistas e sociais-democratas.

Em Espanha, França, Itália, Grécia, Áustria, Holanda, Bélgica e até na Suécia os estragos estão à vista. Grandes partidos da III Internacional estão hoje em mínimos históricos. E porquê? Porque exatamente pisaram os ideais que fizeram deles grandes partidos alternativos.

Ao abraçarem os ideais neoliberais deixaram de ser vistos pelos eleitores como sendo uma alternativa, passando a ser como os partidos dominantes de direita. E para tomar aspirina todos sabem que a da Bayer é a única; também em política nada melhor que a direita para fazer a política neoliberal, mesmo que por momentos os sociais-democratas tenham pensado que eles também a podiam fazer tornando-a menos odiosa. Foram eles que se tornaram odiados por quem neles confiava.

Basta atentar no exemplo de Portugal. O PS virou à esquerda e subiu no seu apoio tanto no plano social, como no plano eleitoral.

A política até agora realizada por este governo com apoio parlamentar do PCP, BE e Verdes colhe apoio maioritário no seio dos portugueses.

Por isso é de saudar o texto publicado neste jornal no dia 29/02/2018 por Pedro Nunes Santos em que assume claramente que o desafio da social-democracia é o da defesa do papel do Estado no desenvolvimento da economia através de investimento público, na redistribuição dos rendimentos através da provisão dos serviços públicos e de prestações sociais e na proteção e reconhecimento do valor do trabalho enquanto parte importante da dignidade pessoal.

Pode achar-se que fica aquém do que outras esquerdas defendem, mas por aqui passa o caminho do progresso e de alternativa.

Claro que as outras correntes socialistas também têm de tirar dividendos desta etapa do progresso social, apoiando o caminho e diferenciando-se naquilo que é a diferença na independência de cada um. Um acordo que só beneficie um dos parceiros não tem futuro. Esse é o famigerado abraço de urso que deu o que deu na França.

Há que encontrar, neste quadro diferente, um posicionamento dos restantes parceiros em que possam, por um lado, aparecerem como sujeitos da mudança para melhor, e que, sem eles, tal mudança não teria sido possível, mas que , por outro, como tendo um projeto de diferença, que vai para além do que se negoceia.

Seria também uma desgraça se entendessem que eventuais dificuldades de comunicação com os respetivos eleitores resultasse do acordo e não das próprias contingências. Estes acordos exigem mais que nunca capacidade de ganhar os apoios sociais para este projeto e sem esse apoio pode haver surpresas negativas. O mal, em todo o caso, estará sobretudo na dificuldade dos partidos e não nos acordos em si.

A nova liderança do PSD está no terreno a tentar envolver o PS para que este se afaste dos atuais acordos. Já o tornou público. Costa foi escolhido para um primeiro encontro por Rui Rio. Antes de Assunção Cristas. Facilitar o caminho de Rio seria um desastre.

Se o PS fosse no cântico da desgraça, o mal seria também dele. Que o diga o PSOE, o PSF, o PASOK, o SPD e outros.

Nesta fase da vida política é fundamental que, face ao poder gigantesco dos donos do dinheiro, as esquerdas convirjam. Por aí passa um futuro melhor e possível.

domingos lopes

 

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