QUE MUNDO SE CUIDE DE TRUMP!

Donald Trump, o novo Presidente dos EUA, com a sua política de perseguição aos imigrantes veio acrescentar um sério e novo problema aos muitos que os países de origem desses imigrantes enfrentam agravando também os das regiões mais próximas desses países.

A tragédia que o Iraque vive há mais de uma década resulta da invasão levada a cabo pelos EUA contra o direito internacional.

Os iraquianos fugiram da guerra devastadora, a qual abriu espaço a um novo conflito militar e à ocupação de parte do território pelo Daesh.

A invasão do Iraque baseada num monumental embuste que envolveu figuras menores como Durão Barroso e Paulo Portas não destruiu o que não havia – armas de destruição massiva – mas destruiu o tecido da nação iraquiana levando à sua fragmentação entre chiitas, sunitas e curdos.

Não levou à instauração da democracia, nem ao respeito pelos direitos humanos, antes fazendo o país viver muito pior, em termos de respeito pelos direitos humanos, que no reinado totalitário de Saddam Hussein, como hoje é reconhecido universalmente.

O Iraque antes do embargo e da guerra era um país rico e que recebia mão-de-obra de muitos países, incluindo de Portugal. A guerra, como seria de esperar, levou ao êxodo dos iraquianos, criando nos países vizinhos novos problemas, somando aos que já haviam e não eram poucos.

A Líbia era um que precisava da mão-de-obra ocidental, quer a mais especializada, quer a outra. Era um país enorme produtor de petróleo e uma nação estável, dirigida por um homem que impunha um sistema repressivo, mas nada que se compare com o que está a acontecer desde que os EUA, a França, e o Reino Unido decidiram derrubar o regime e contribuir para o assassinato cruel (sem julgamento ou farsa como no Iraque em relação a Saddam) do homem com quem fizeram chorudos negócios.

Milhares de portugueses foram trabalhar para a Líbia à procura de condições de vida que não encontravam no seu país.

No que se refere à Síria governada por uma espécie de república monárquica com base na família Bachar o regime repressivo em termos de liberdades democráticas foi sempre um travão sério aos fundamentalistas islâmicos e na região um dos mais respeitadores das minorias cristãs, ao contrário da Arábia Saudita onde só é respeitada a fé muçulmana na versão Wahabita, muito próxima da praticada pelos jiadistas do Daesh.

A guerra civil entre o regime laico e repressivo de Bachar e os islâmicos do Daesh apoiados pela Arábia Saudita, Catar e Kuwait dilacerou o país e fez com que o Estado Islâmico pudesse ocupar uma enorme porção daquele país. Nestas condições os sírios fugiram do inferno criado pelo brutal confronto militar.

O Iemen é palco de um conflito militar que vem de muito longe (no período da guerra fria havia o Iemen do Norte e o Iemen do Sul, o primeiro próximo dos EUA, o segundo da URSS) e que as duas potências regionais ( Arábia Saudita e o Irão) exploram a fundo, sendo certo que a Arábia Saudita sempre teve ambições de anexar parte do território iemenita.

Há mais de um ano que os aviões sauditas bombardeiam o Iemen, e esta é uma verdade indesmentível.

Os EUA são os principais responsáveis pela situação criada nestes países cujos nacionais são agora também deste modo vítimas da sanha persecutória de Donald Trump.

Não bastava a estes países terem sofrido os horrores das guerras provocadas pelos EUA(caso doIraque) e do Ocidente/Nato no caso dos outros países envolvendo sempre os EUA em grande escala e sem a colaboração do qual talvez  não tivesse sido possível levar a cabo as intervenções abertas e encobertas.

A ordem de Donald Trump, entretanto considerada ilegal pelos tribunais daquele país, é uma nova violência brutal sobre os cidadãos daqueles países muçulmanos e incompreensível à luz da escolha dos visados tendo em conta que o ataque de 11 de setembro aos EUA tinha como terroristas uma maioria de cidadãos de origem da Arábia Saudita, o país cujo petróleo interessa à nova Administração ( e às anteriores) e os multibilionários negócios de venda de armamento.

Trump justificou estas medidas como sendo essenciais para a segurança da América embora não tenha adiantado factos que sustentassem essa tese.

Não se pode esquecer que George W. Bush invadiu o Iraque exatamente com base na defesa da segurança dos EUA por causa das armas de destruição massiva e do terrorismo; Trump usa o mesmo argumentário.

Trata-se de uma política perigosa vinda de um homem que se apoia em figuras ligadas a círculos da extrema-direita e tremendamente reacionários. A falta de consistência da política trumpista é um perigo para o mundo. Trump à solta pode incendiar o mundo.

Trump com estas políticas vai fazer recrudescer nas populações daqueles países e no mundo muçulmano em geral uma radicalização anti-EUA e Ocidente.

Por outro lado a proximidade da Europa do Próximo e Médio Oriente acarreta novos problemas aos países europeus já a braços com a crise dos refugiados. Será mais um problema a juntar a tantos que a União Europeia defronta.

Que se cuide o mundo, cuidando de derrotar a política trumpista.

domingos lopes

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s