EIS A NOVA AMERICA DE OURO

Não perdeu tempo. Durante mais de cinquenta e seis minutos atacou a ONU (que o deixou sem teleponto, com ruídos, e a ele e à sua mulher sem poder usar as escadas rolantes).

 Karolie Kevitt, adida de imprensa, considerou a o caso como uma ação deliberada. Ele próprio defendeu que as pessoas responsáveis pelos casos deviam ser presas. Ao que se sabe, tudo foi tratado pelos serviços da Presidência.

Começou modestamente afirmando que no fim do seu primeiro mandato deixou o mundo em paz e agora é o caos. Em 2016, quando perdeu as eleições para o “dorminhoco” Biden, havia no mundo todas as guerras que agora existem, menos a da Ucrânia e mais a do Afeganistão. Talvez ele não contabilize o genocídio em Gaza por ter olho para o negócio e já só ver torres, piscinas e resorts nas águas do Mediterrâneo.

As “fábricas” de líderes dos EUA, à custa de tanto se fecharem, perderam o contacto com a realidade e substituíram-na pelo universo em que vivem, rodeados de cifrões por todo o lado. Ademais, Joe Biden estava igualmente bem inserido nesta bolha.

Discursou como se dirigisse a uma Assembleia de acionistas. O direito internacional não faz parte da sua formação. Pertence a outros domínios, como o dos palpites e o da chamada química, os quais ao fim de trinta segundos o faz topar o interlocutor. Por isso, olhou para Lula da Silva e topou um nice guy, yeah. Aguardemos pelo novo palpite.

O Rei dos autoelogios deixaria Narciso a chorar de vergonha por não ser capaz de semelhante feito.

O paraíso está nos EUA desde que tomou posse. Faz milagres. Infelizmente continua a haver mais cadeias que universidades e a esperança de vida diminui. Em 2024 houve 21 500 homicídios, 77% com armas de fogo. Provavelmente as armas são da natureza do carvão, lindas e limpas.

Expulsou e mandou prender dezenas de milhar de imigrantes associando-os à alta criminalidade, fazendo recordar a brutal crueldade com que os foragidos e imigrantes europeus exterminaram os nativos americanos daqueles territórios.  Agradeceu a El Salvador o papel de Herodes.

Invocou o nome de Deus em vão para justificar o ódio a todos os que não são evangélicos. O Cristo de que fala deve ser o redentor das criptomoedas e das Bolsas de valores mobiliários.

Exortou o mundo a seguir o seu exemplo e a fechar as fronteiras (menos Israel que as alarga), sendo os EUA um país de gente imigrada.  

Tem as melhores armas do mundo…soube há duas semanas que a China e a India são os sustentáculos da Rússia…até países da NATO que compram petróleo proveniente da Rússia e, acrescento eu, em vez de o comprarem aos EUA.

Lançou um violento ataque à energia verde. Achou extraordinário que só agora se poder ir jantar a qualquer restaurante em Nova Iorque ou Washington, o que não acontecia há oito meses. Disse-o sem se rir.

Em relação a Gaza reafirmou o seu papel de apoio a Israel e não se distanciou um milímetro da política de Netanyahu.

No que se refere à Rússia regressou à era de Obama apelidando-a de fraca. E o conflito de uma potência fraca que nunca aconteceria com ele ou que ele acabaria em 24 horas afinal é para continuar. Deve ser da fraqueza.

Tudo se passou na ONU para a qual os EUA deram um importante contributo após a 2ª guerra mundial como instância chamada a resolver conflitos por via pacífica (sendo essa a sua filosofia).

Afinal o novo Luís XIV das Américas quer substituir a ONU por ele próprio, devendo as Nações Unidas serem uma organização ao serviço do novo rei do mundo. Esta é a irrealidade em que vive Trump, o paizinho de Mark Rutt da NATO. O que vale é que ele vai impedir que as mulheres grávidas tomem paracetemol. Here is America.  

Eis a nova América de ouro | Opinião | PÚBLICO

Como rezam Rubio e Netanyahu? Sem mulheres por perto.

Mark Rubio foi a Jerusalém assegurar a Netanyahu que pode continuar a contar com o apoio dos EUA para bombardear os vizinhos e os países mais distantes, desde o Irão ao Catar e ao Iémen. O governo israelita vive da e para a guerra graças a Trump.


O jornal “Público” desta segunda-feira noticia que…O passeio deste domingo em Jerusalém – que esteve, numa parte, vedado às mulheres, incluindo às jornalistas, porque Netanyahu e Rubio “queriam rezar”…

Quando uma mulher ou duas mulheres, ou um homem ou dois homens querem rezar, rezam. Os que rezam, basta-lhes quererem.

Mas para estes dois sujeitos, homens dos mais poderosos, não é assim. Não rezam se houver mulheres por perto, mesmo que sejam jornalistas, profissionais que nos fazem chegar notícias.

Têm à mão quem impeça que as mulheres de os verem rezar. Provavelmente outros homens dados a rezar, dadas exigências destes extraordinários cavalheiros.

Eles não podem ser vistos a rezarem por mulheres porquê – o ato de rezar, se visto por mulheres não vale para o Criador? Ou estes cavalheiros se rezarem e avistarem uma mulher ou mais do que uma já não são capazes de rezarem?

O problema maior é outro: o mundo, em parte, depende destas criaturas. Segundo, Merz, o chanceler da maior potência da U.E., Netanyahu faz o “nosso trabalho sujo”. Mark Rubio é o Ministro dos Negócios Estrangeiros da potência protetora da U.E., a quem a sra. Ursula se submeteu sem a menor consulta às nações deste velho continente.

Chegados aqui cabe perguntar: porque criticam os dirigentes ocidentais os fundamentalistas islâmicos do Daech ou similar?

O mundo está mesmo nas mãos de gente muito perigosa, gente que não consegue ver uma mulher para rezar ou para continuar a rezar…

EPPUR SI MUOVE, SR. PRESIDENTE, UM ATIVO DA DISTOPIA 

O mundo está a mudar. O processo em curso traz dentro de si contradições, por vezes, violentas. É obra das forças que não aceitam o status quo e sentem que possuem a força para mudá-lo.

Na guerra da Ucrânia confrontam-se forças que pretendem operar a mudança de paradigma na relação de forças à escala mundial e aquelas que querem manter a unipolaridade.

O grande confronto é entre a Rússia e os EUA/UE/OTAN, mas na realidade é apenas uma parte desse confronto, pois basta abrir a mente para ver que é entre o Ocidente/EUA e seus aliados e a Rússia, China, Irão, e de uma forma mais esbatida, mas real, com os BRICS e o chamado Sul global. A Conferência de Shangai é um testemunho eloquente desta contradição.

O confronto militar sendo o eixo do conflito, até pode não ser o que é mais importante nele.  A guerra não é destinada a ocupar a Ucrânia, mas sim para obter uma resposta a um avanço do Ocidente /OTAN no sentido de se colar à Rússia (entrando para a OTAN) e empurrá-la para as estepes da Ásia Central, retirando-lhe qualquer centralidade europeia, tal como consta em vários documentos, designadamente no think-tank Rand Corporation, ligada ao Pentágono.

Tal como os EUA se sentiam ameaçados em 1962 com os mísseis nucleares soviéticos em Cuba, e que quase levou o mundo a uma guerra nuclear, também a Rússia se sente ameaçada com a entrada da Ucrânia na OTAN, tanto mais quanto em 09/02/1990, James Baker, Secretário de Estado dos EUA, concordou com Gorbatchov que a expansão da OTAN para Leste era inaceitável…National Security Archive, OTAN expansion: What Gorbatchov heard, Declassified documents.

 Esta era e é a questão central – redesenhar uma nova arquitetura de segurança e cooperação na Europa e no mundo. A segurança de uma potência não pode ser levada a cabo com a insegurança da(s) outra(s).

Todas as tentativas de envelopar o conflito nas chamadas normas morais liberais do Ocidente esbarram na História e sobretudo no atualíssimo genocídio em Gaza com o apoio do Ocidente, incapaz de aplicar a Israel a mais residual das sanções político/económicas.

A moralidade moraria no eventual resort de Trump em Gaza, a construir sobre os esqueletos dos palestinianos, já sem a coragem que teve Tamerlão no século XIV que ordenava a construção de torres, mesquitas e madrassas sobre dezenas e dezenas de milhares de prisioneiros dos povos derrotados.

Agora em Gaza Netanyahu e Trump encarregam os aviões, os tanques e a fome de matar os palestinianos sobre os quais se Trump poderia mandar construir as estâncias e receber o prémio Nobel da paz por acabar guerras que não acabaram e que os EUA começaram ou alimentaram.

A mudança no mundo tornou-se inevitável e possível. Trump e os seus conselheiros aperceberam-se desse facto e pretendem, dentro dessa perspetiva, diminuir as possibilidades da sua concretização ou e atenuar os efeitos.

O grande adversário da potência em perda da hegemonia é a China. Da outra banda, a Rússia não sucumbiu e torneou, para já, os obstáculos de natureza económica, e fez gorar as sanções de um Ocidente incapaz de ver o mundo como ele é, sobretudo a elite dirigente da UE que se bate pelos seus privilégios, de costas voltadas para os povos e países que a integram. Acresce que a nova Administração tenta separar a Rússia da China, na esteira de H. Kissinger.

Por outro lado, Trump quer evitar a derrota na Ucrânia, pois de contrário teria de escalar para um outro patamar incontrolável e incerto. E para tanto veste-se de negociador, o chefe do país sem a participação do qual a guerra já teria acabado. Percebe-se, uma vitória da Rússia deixaria os EUA de rastos interna e externamente, e daí a negociação com a Rússia.

Ao contrário do que afirmou Marcelo na universidade de verão dos jotas do PSD, o grande objetivo de Trump é enfraquecer Putin e a Rússia. A diferença entre o poder real e anulidade absoluta é a boutade de Marcelo. Ele e os líderes da UE são na verdade um ativo da distopia europeia, incapazes por anquilose de sair da derrota estratégica da Rússia e perseguir essa ilusão antiga e falida.

Neste confronto entre titãs, há um anão que se põe em bicos de pés para ser visto, a liderança da UE. Vivem entre privilégios e temem perdê-los. A denegação é o seu estado de espírito.

E, no entanto, como afirmou Galileu aos seus carrascos /juízes Eppur si muove, o que a fixação nas suas cadeiras de poder, agora em Bruxelas, não os deixa aperceberem-se. E, no entanto, o mundo dirige-se inexoravelmente para a multipolaridade.

Os eurocratas estão a trair os interesses europeus

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia os governantes, a inteligentsia e os media ocidentais cerraram fileiras em torno da inevitabilidade da derrota russa e, como tal, a negociação seria após a rendição russa. Todos os dirigentes eurocratas, estadunidenses, atlantistas da NATO anunciaram a derrota iminente da Rússia, todos e mais alguns. Ou seja, a guerra foi travada entre o Ocidente alargado e a Rússia com o sangue ucraniano porque Zelenski e Cª acreditava que a derrota da Rússia daria à Ucrânia um novo e poderoso estatuto da Ucrânia na NATO e na Europa.

Os socialistas, liberais, populares, conservadores e alguns verdes anunciaram a uma só voz a derrota da Rússia. Forjou-se um partido único da derrota estratégica da Rússia. Desde a Escandinávia até à Grécia. Quem destoasse era acusado de ser serventuário de Putin. Aqui e em qualquer, como diz a canção.

A cegueira atingiu tais proporções que a senhora alemã que foi posta à frente da Comissão afirmou que a Rússia ia deixar de ter frigoríficos porque precisava dos chipes para os mísseis … e o senhor socialista espanhol colocado à frente da política externa europeia considerou a UE um jardim e o resto do mundo a selva. Para produzir semelhantes declarações dá para imaginar o descontrolo mental ideológico dos que estão à frente da eurocracia.

É gente desligada dos povos e países respetivos e que ali está ao serviço do neoliberalismo e que pretende fazer da UE um porta-aviões dos EUA tanto em termos económicos como militares.

Gente incapaz de ver para além dos vidros dos edifícios da grande burocracia europeia e que tenta prolongar a todo o custo o seu poder e sobretudo os seus proveitos, nada despiciendos. Gente sem alma, de lustro artificial perdida no choque entre as realidades dos povos e das nações e o mundo da financeirização, entre a vida dos povos de que perderam o contacto e as metas das grandes corporações desejosas de abocanhar o que cada país tem de interessante no plano da rentabilidade. Vivem ao rés da uma cegueira paralisante que os faz gritar a mesma coisa a toda a hora para receberam mais de quem lhes exige comprar mais armas e mais produtos estratégicos ao outro lado do Oceano.

A cegueira atingiu tal ponto que não são capazes de ver que se a Rússia não foi derrotada militarmente na Ucrânia pelos EUA/NATO/UE não o irá ser apenas pela UE, pois os EUA ao retirarem-se deixam a UE e Zelenski a falar sozinhos e a receber milhares de milhões de armas compradas e pagas pelos europeus…

Se esta cegueira não for interrompida pela rebelião dos povos fartos de Macron, Starmer, Merz, Meloni que têm dinheiro a rodos para armas à custa da saúde, das pensões e de infernizar a vida de todos os que vivem do seu trabalho, então a UE caminhará para o desastre total na medida em que os seus dirigentes deixaram de defender os interesses das nações e dos povos europeus e passaram a defender os interesses das grandes corporações financeiras estabelecidas em todo o lado para cobrar mais lucros e esmifrar a desgraça de um continente que há décadas se apresentava ao mundo como algo interessante e digno quanto aos direitos humanos.

Quando Trump teve consciência que a guerra na Ucrânia escalava para um conflito mundial ou se abria um processo negocial, os dirigentes da UE, perdidos na sua solidão ideológica, não revelaram a coragem de encabeçar e liderar o processo negocial enquanto europeus onde se trava a guerra e entraram no processo para o minar e subverter inventando pretextos ridículos e fora do teatro das operações chegando ao ridículo de Macron fazer de gauleiter , esquecendo que Napoleão foi derrotado em Moscovo e não em Paris.

Até um fulano como Trump é capaz de ver o que este conjunto de idiotas não é capaz de ver, prestando-se ao degradante espetáculo de os pôr sentadinhos de cada lado da mesa e chamando cada um a dizer ao senhor mestre escola o que ele gostaria de ouvir, sobressaindo o caixeiro viajante de seu nome Mark Rute que disse ao mestre que os sapatos de Trump eram os mais lindos do mundo e Macron fez rir o mundo ao ameaçar enviar tropas na tal coligação de voluntários que como toda a gente sabe não tem capacidade para mandar um cego tocar um bandolim em Kiev. Os conselheiros de Macron ainda não lhe fizera o ponto sobre as invasões napoleónicas.  

Esta trupe perdeu o pé e gravita fora do tempo. Parou e não percebeu ainda que o tempo novo é outro. Vive no passado enquanto nações inteiras na Ásia e noutras partes avançam a UE vive do que já não é.

O realismo de Trump não é compreendido pelo mundo surreal de Ursula, Kallas e Cª. Preferiam que Trump fizesse o que ele sente que não pode fazer. Na verdade, tem os norte-americanos à perna, estes dirigentes europeus têm à perna o pavor de perder as mordomias. É triste que a UE tenha esta estirpe à sua frente. Pertencem a secções diferentes do mesmo partido europeu, o partido dos interesseiros, o partido dos cegos pelo pavor de perder os seus privilégios. A UE é para esta gente um palco cheio de regalias.

Ademais, estão a conduzir a UE ao abismo. Os povos não se sentem representados por estes burocratas. O projeto neoliberal extirpou-lhes a alma. Ficou-lhes o mealheiro e a vaidade de serem o que julgam ser e não são.

Em Washington no dia 18, tal como no campo de golf de Trump na Escócia, a senhora Ursula e Cª mostraram o quão insignificantes são e face a um sujeito nada recomendável mendigaram o que ele nunca lhes dará porque um capacho serve para ele limpar a sola dos sapatos. Mais nada.

Há que abrir os olhos, varrê-los e substituir porque quem ame a Europa, as suas nações, os seus povos, a sua cultura e não viva fechado em jardins de eurocratas.

A Europa precisa de uma política de paz e de segurança para todos os países. É essa política que é preciso buscar com outra gente com coluna vertebral. Talvez se tenha aberto um processo de paz em Ancorage no Alasca. Isso atemoriza os que querem a guerra para se safarem.

Há 80 anos, em segundos, o Presidente Truman incinerou no braseiro atómico dezenas de milhares de inocentes.

No dia 6 de agosto de 1945, o Presidente Harry S. Truman ordenou que a aviação daquele país atacasse com uma bomba atómica Hiroshima, cidade japonesa, o que causou a morte imediata de um em cada cinco habitantes. Três dias depois atacou com outra bomba atómica Nagasaki.

 Nas duas cidades entre agosto e o final desse ano morreram respetivamente140 000 e 74 000 pessoas absolutamente inocentes. Muitos dos sobreviventes teriam querido ter perecido. 

O Japão estava derrotado. Os ataques tiveram como objetivo mostrar a Estaline quem mandava no mundo. Como se sabe, a supremacia durou pouco tempo, pois a URSS também se mostrou capaz de aceder à loucura que constitui o mundo das armas nucleares. Até hoje, há sempre um que chega primeiro à nova arma, mas os outros logo alcançam o mesmo patamar de destruição.

Na cabeça dos dirigentes mundiais parece só haver lugar para alcançar o domínio nas relações entre Estados. Até agora, desde tempos imemoriais a humanidade tem sido orientada por este critério, mais selvagem que o da selvajaria de todos os animais que lutam pela sobrevivência, pois na Terra cabemos todos desde Gaza à Ucrânia, passando por Taiwan até à Venezuela.

Quando os dirigentes ocidentais nos falam de valores nas relações internacionais bem sabem que nesse plano os valores são a força de cada Estado.

Que glorificamos hoje desde a escola até ao fim da vida? a força – leia-se a Odisseia, O Lusíadas, Cid, o Campeador, a Chanson de Roland…A nossa civilização assenta na força, no domínio, na escravatura, na servidão, na exploração e na força de que é exemplo o spetacular ataque dos EUA ao Irão. Como exclamou Donald Trump, se calhar sem saber, (que saberá ele), que foi, tanto quanto confirmam várias fontes, um espetacular fiasco, apenas para americano ver e acreditar na força bruta que Trump afirma possuir, sobretudo quando interrompe o jogo de golf e se dedica na Sala Oval ou no Mar-a-Lago a encher o mundo de tuítes mal escritos e cheios de bazófia.

Os valores liberais são impor aos aliados tarifas brutais, ameaçar com a força pilhar partes de países, transformar territórios nacionais em estâncias balneares e expandir de uma lado ao outro da Terra os seus campos de golfe e sacar big Money everywhere .

Num tempo que quase já só se fala só de guerra, de mísseis hipersónicos ou de drones e a paz é uma palavra proscrita em quase todas as capitais, é preciso recordar Hiroshima e Nagasaki.

 Foram os EUA quem atacou as duas cidades mártires com bombas atómicas. Hoje aquelas bombas são quase irrelevantes face ao poder destrutivo dos novos mísseis com ogivas nucleares.

Tanto faz ser bilionário, milionário, trabalhador, cristão, muçulmano, ateu, o que quer que seja para nos irmanarmos na morte nuclear. Que cada um compita com a sua ideologia em paz. Não há nenhuma bomba nuclear boa, são todas más, e todas deviam ser desmanteladas. Que o mundo acorde. Hiroshima e Nagasaki nunca mais. Acabar com a guerra na Ucrânia e em Gaza. Desarmamento em vez de corrida às armas. PAZ.

  O MUNDO À BEIRA DO ABISMO

O mundo gira para um absurdo precipício, caso não seja alterado o rumo para o choque bélico entre as principais potências mundiais. Muito se tem escrito sobre o tema e a mudança de paradigma na ordem internacional.  Uma potência em declínio e outras a tentarem impor-se. Uma União Europeia decadente a comportar-se como alguém já não é o que foi. O chamado Sul Global a fortalecer a sua presença mundial de onde sobressaem os BRICS com todas as suas contradições que são muitas, mas que a política de fanfarronice de Trump ajuda a superar. E conflitos e guerras por todo lado. Agora entre o Camboja e a Tailândia.

Os dois mais perigosos conflitos atuais estão na invasão da Ucrânia pela Rússia e na ocupação do território palestiniano por Israel.

A guerra na Ucrânia vai completar em agosto três anos e meio e o extraordinário neste conflito é que nenhum dos beligerantes quer que ele acabe tal como está. Com efeito, embora lento o avanço da Rússia é indesmentível. O confronto na Ucrânia entre a Rússia e NATO/EUA/UE vai continuar. A Rússia quer que a Ucrânia sucumba aos seus desígnios (impedir a sua entrada para a NATO e uma nova arquitetura de segurança internacional), e o Ocidente, na sua lógica, não “pode” perder esta guerra.

 A Rússia acha que consegue alcançar os seus objetivos, dada a sua força militar e a sua situação económica.

 Os EUA não perderam a ilusão de enfraquecerem significativamente a Rússia e até levar à sua exaustão interna, contando para tanto com os europeus a pagar os custos.

A elite da UE virou definitivamente as costas a qualquer política realista que assente no continente europeu e entregou-se à política do novo Presidente dos EUA que trata os europeus como vassalos, apresentando ao mundo com gaudio o vassalo maior, o Senhor Mark Rutte. Mesmo quando Trump ameaça filar a Gronelândia à Dinamarca e impõe novas tarifas de 15% às exportações europeias e a compra de.  750 000 milhões de dólares de gás líquido e 640 000 mil milhões de dólares em armamento e investimentos nos EUA de 600. 000 milhões de dólares. Nada mais. Ursula Von der Leyen, tendo em conta a linguagem corporal não estava nada bem.

O show off da Cimeira de Haia da NATO abriu várias fissuras com vista a agradar ao novo patrão.

 O ponto de desconfiança dentro da NATO e da UE já leva a Alemanha a congeminar transformar-se no país dominante na Europa ocidental do ponto de vista militar, deixando a França e o Reino Unido desconfiados. 5% do PIB em gastos militares é colossal, designadamente para as despesas sociais que terão de ser cortadas.

Zelenski também não “pode” aceitar a situação. Jogou tudo na convicção que o apoio ocidental derrotaria a Rússia e tal não se está a verificar.

A guerra vai, portanto, continuar. A menos que neste velho e sonolento continente os povos queiram impedir que seus filhos sejam incinerados no braseiro nuclear e exijam com veemência a paz.

Mas a anestesia que os faz virar ao olhar para não ter de enfrentar o genocídio dos palestinianos de Gaza e permita que os principais dirigentes da UE alinhem com o carniceiro de Telavive não augura nada de bom.

Os palestinianos de Gaza vão continuar a morrer à fome e a tiro. Será talvez uma nova Guernica. Aos burocratas europeus e ao negociante de estâncias balneares, as vidas humanas já não importam, só o big Money…

Está a ser difícil sair da ordem unipolar liderada pelos EUA para outra multipolar. O curso dos acontecimentos aponta, porém, como sendo irreversível essa direção, sem que, contudo, se vislumbre a sua arquitetura.  E tudo o que é incerto gera medo. Há quem recuse fazer exames médicos com medo da confirmação de uma doença grave. Os feiticeiros do domínio jogam nessa carta, o medo. No entanto, o rumo em direção ao precipício é visível. O medo cega.

Um Miguel de Vasconcelos de saias, Mariana Leitão da IL

Portugal, ao longo da sua História, foi enfrentando diversos inimigos. Naturalmente por se localizar na Europa, enquanto território organizado em Estado, foram sempre europeus, sendo o maior deles, Castela.

Os franceses também nos quiseram pôr na ordem e ao serviço do Imperador Napoleão.

Os ingleses, mais sofisticados, por via do comércio, Tratado Methuen, 1703, e do monumental roubo do chamado Mapa Cor de Rosa ( a ligação do Atlântico ao Índico) por via do ultimato da Inglaterra em 1890.

A frugal Holanda, hoje Países Baixos, conseguiu sacar-nos Malaca, mas sucumbiu em Angola e no Brasil. Tudo boa gente de valores e muitos liberais.

Há dois Portugais em Portugal. Um valente. Outro que se instala por dentro e é o Portugal do estrangeirismo, do que rasteja para ganhar força fora para se impor contra o próprio povo. É o Portugal da burguesia rentista, dos negócios ao cair da untadela ou do facilitador, da “modernidade” que se divide entre o Solar dos Presuntos, o Eleven ou o Avilez. Entre Cascias/Estoril e certas praias do Algarve. Estamostãobem, numestamos?

Mariana Leitão veio agora obnubilada pelo esplendor da motosserra de Milei, o antizurzo, proclamar que a IL quer que o Governador do BP seja escolhido por um concurso internacional.

Como toda a gente sabe de tal concurso só sairia alguém que agradasse aos júris, tudo gente qualificada nas mais altas instâncias das finanças e como tal lá seria escolhido homem/mulher a gosto do Black Rock, Goldman Sachs, e outros que tais.

Não viria para defender interesses portugueses ou até da banca portuguesa (por onde anda?) mas a dos mercados. Ou seja, o tal júri escolheria um altíssimo sacerdote pago a preço de ouro para fazer a política dos mercados, onde o país conta pouco.

Só é possível que tal aconteça num país que se habituou e o habituaram a viver de mão estendida. Como se alguém por essa Europa fora fosse dar a Portugal o que ele não produzir. Cavaco foi o primeiro a vender a marinha mercante, a indústria naval, a agricultura por uns tantos milhões de euros que se derretera em jipes e negociatas, tendo sido necessário tipificar um novo crime, desvio de subsídio.

Por sinal, os cheganos nunca falam destes subsídios que enchem alguns dos seus financiadores. Falam dos subsídios de tuta e meio para os desgraçados que na vida inteira não passarão de migalhas ao pé daqueles que enchem carrinhas de dinheiro.

A razão de um estrangeiro à frente do BP era ter uma espécie de sátrapa dos mercados. Bem pago, comme il faut.   

Há pelo país inteiro quem pense que estar no chamado clube dos ricos dá riqueza e gosta de se sentir o que não é. É um fenómeno explicado na psicologia social.

Na Faixa de Gaza morre-se de fome e de sede por ordem de um serial killer

O inferno nem sempre existiu. Talvez tenha dez séculos da nossa Era. Mas essa invenção de sofrimentos atrozes perpetrado pelos demónios contra a alma dos mortos, se bem que seja difícil imaginar as almas a sofrerem torturas do fogo e similares (dada a sua imaterialidade), já existia em muitos locais da Terra. Os escravos, os servos da gleba, os desgraçados padecentes de doenças que os tornavam incapazes, os que viviam de quase nada e sofriam de quase tudo. Os infinitamente pobres que morriam de fome. Como hoje se morre em Gaza.

A céu aberto, na Faixa de Gaza, o país que diz ser o escolhido de Jeová reuniu todas as maiores maldades do mundo, aquelas que pensávamos inexistirem, e de regresso à Idade das Trevas, à idade da força bruta, implacável, traiçoeira, covarde e vergonhosa cercou aquele território, obrigando os seu habitantes a deslocarem-se de um lado para o outro, sendo metralhados do céu e de todos os lados pelo mais poderoso exército da região há quase dois anos. E continuam a metralhar.

Depois de bombardearem hospitais, escolas, mesquitas, pelo menos uma igreja, habitações e já quase tudo se ter desmoronado, Netanyahu, o tresloucado, impõe aos palestinianos de Gaza a fome e a sede. Isto é, o extermínio dos habitantes de Gaza. Netanyahu é em linguagem de foro criminal um serial killer, a sua sede de sangue é inesgotável.

 As imagens chocantes de crianças esqueléticas e de disparos à queima roupa sobre quem corre para obter alimentos em recintos e filas controlados pelos israelitas não têm no mundo que vivemos a explosão de repúdio que se justificava.

Qual foi o crime cometido por estas dezenas de milhares de mortos? Serem palestinianos. Viverem em Gaza há milénios. Assistiram à chegada de fenícios, romanos, árabes, turcos, europeus. Ali viveram até serem corridos na ponta das baionetas pelos dirigentes sionistas de Israel com o total apoio ocidental. Milhões foram forçados a partir a famigerada NAKBA. Alguns milhões ficaram.  É a estes que Netanyahu quer exterminar. E toda vingança é ignominiosa, mas o massacre de inocentes por ordens de Netanyahu e seus parceiros é ainda mais aviltante. Fere-nos a todos. Faz-nos macambúzios. Revolta-nos.

Olhamos em redor de nós e que vemos? No mundo fechado dos dirigentes da UE os sorrisos de apoio ao carniceiro de Telavive que está a fazer o trabalho sujo da UE, segundo Merz, o homem com currículo  na Black Rock; o fugitivo de da justiça israelita, o amigo Trump, que se o deixassem fazia de Gaza um resort sobre as ossadas e o sangue do povo palestiniano.  

Os nossos olhos e os nossos ouvidos parecem estar fechados para o extermínio palestiniano, talvez de tão preocupado estarem com o destino do Estádio da Luz ou da assinatura do contrato de Cristiano Ronaldo ou do namoro de uma atriz portuguesa com um corredor da Fórmula1… Depois o que passa na televisão é uma guerra, só que a guerra é entre ocupantes e ocupados. Veja-se a diferença com a Ucrânia. Não se toca em Israel…é o cão de fila dos interesses ocidentais, faz o trabalho sujo…

Posso estar enganado, mas há aqui uma perda do mínimo de lucidez. Várias personalidades, ao longo de vários séculos, ensinaram-nos que pode enganar-se muita gente durante muito tempo, mas é impossível enganar toda a gente todo tempo.

Aqui bate o ponto, até onde irá esta espécie de letargia dos povos ocidentais para aguentar este extermínio?

Se Netanyahu entregasse a Trump numa bandeja as últimas cabeças dos palestinianos de Gaza, então seria verdade que os monstros tinham vencido e que o mundo resvalaria em direção ao ponto negro onde deve estar a morte.

Sim, se a morte de tantas crianças, mulheres e velhos palestinianos já não nos choca, que podemos merecer? Já não seremos humanos, talvez semáforos que acendemos e apagamos, como os telemóveis.

Os sentimentos fizeram de nós humanos; a falta de sentimentos far-nos-á desumanos. Qual o caminho? O grito de Viva la Muerte está ao rés das nossas cabeças. Então…

Os media, os basbaques e o jogo das emoções

O mundo está mergulhado num enorme vazio. Os outros, os nossos companheiros desta curta caminhada na Terra, é como se não existissem. Mas como somos seres tremendamente sociáveis, somo levados em certas situações a tirar os olhos dos nossos queridos telemóveis.

A nossa pertença à comunidade está a transformar-se num imenso espetáculo universal em que a dor ou a alegria de alguém, quase sempre pertencente à lista restrita dos chamados famosos, se transformam em doses gigantescas de transmissão de tudo e de nada referente ao evento em questão.

A falta de sentimento de pertença à comunidade seja ela profissional, vicinal, religiosa e até ideológica como resultado de um mundo cada vez mais egoísta, hedonista a rondar o narcisismo faz com que cada aja de acordo com as vagas mediáticas que transformam certos acontecimentos em espetáculos de densas cargas emotivas.

Se algum(a) famoso(a) com acentuado pedigree casa ou dá uma festa de arromba os canais televisivos disputam entre si os exclusivos e transmitem-nos ad nauseam e naturalmente que uma sociedade perdida de sentido e mergulhada num desânimo quase total aceita com toda a naturalidade o basbaquismo a que se configurou.

Os media, pertença de bilionários, bem assessorados pescam nos mares das emoções superficiais e servem a cada minuto diretos dos festejos ou das desgraças.

Estas incontinências sentimentais entram diretamente na área descoberta da sensibilidade humana e corporizam a tal pertença que se foi perdendo num mundo alucinado de guerras e de desigualdades sociais brutais.

Estes espetáculos mediáticos só têm o pleno efeito quando dizem respeito aos que vivem no cimo, no cume, na vida boa. E para que a dose tenha plena eficácia a juventude nos casos de júbilo ou desgraça é também um elemento de glamour ou de dor.

A morte de Diogo Jota e de seu irmão ao volante de um potente Lomborghini Huracan, abanou o quotidiano porque não é suposto que um ídolo como o Diogo morra ao volante aos vinte oito anos.

Ninguém pode esperar algo como aquelas mortes. Então a nossa condição de humanos nivela-nos a todos. Podemos morrer. Todos os dias morrem jovens e outros em situações dramáticas. Só que não pertenciam ao firmamento da Terra. Morrem e ninguém fala deles. Compreende-se, dado que admiramos os que se distinguem nas suas vidas. Tudo certo.

 Diogo Jota era um futebolista do Liverpool, da seleção nacional. Jogava bem. Ganhava rios de dinheiro. O que ele fez na vida foi jogar futebol a um elevado nível e recebia porventura num ano o que a maioria dos portugueses não recebem a vida inteira. O mal não estava do lado do Diogo, mas sim de uma vida desumana de grande percentagem dos seus compatriotas.

Durante estes dias de manhã à noite os media serviram tudo quanto puderam sobre Diogo Jota, desde o acidente ao casamento, filhos e progenitores.

O Presidente da República, o Primeiro-Ministro e individualidades de toda a espécie foram ao funeral e botaram declarações. Pedro Proença para se diferenciar atribuiu ao malogrado Diogo a condição de “aicone”.

Este é um traço bem carregado do atual estado das nossas comunidades e da forma como os tais valores dominantes entram pelas nossas casas e batem à janela das nossas consciências.

Um jogador de futebol morre numa autoestrada em Espanha a fazer uma ultrapassagem e desde esse instante até ao funeral os media não mais largaram a desgraça, sentando frente às televisões ou telemóveis milhões a acompanhar o ídolo distante, contrastando com a insignificância da morte para o resto da Humanidade.

No mesmo dia faleceu o General Garcia dos Santos, um homem que arriscou a vida no 25 de Abril de 1974 e que foi um dirigente impoluto, íntegro e que defendeu com toda a sua força os interesses democráticos. Quase não se soube.

O vazio civilizacional que atravessamos precisa de espetáculos para nos anestesiar e de seguir em frente e acordar com as alegrias e os infortúnios dos outros. Parece que nos basta a vida boa ou a morte dos famosos porque a nossa e a dos outros não vale a pena. A arte é fazer de todos nós basbaques que seguem os da vida boa.

A diferença entre Gregor, o caixeiro-viajante de Kafka e Rutte, o caixeiro da indústria da morte

Mark Rutte, o ainda Secretário-geral da NATO, não deve ter lido a Metamorfose de Franz Kafka.

Resumindo: Gregor, caixeiro-viajante, a personagem da novela acorda feito num inseto enorme e que o deixa horrorizado.

Se Rutte tivesse lido a famosa e intrigante novela jamais teria dito o que disse a Donald Trump, o novo Imperador do blasfemo Império Ocidental.

 Pensando melhor, talvez tenha lido e devido a esse facto antecipou o seu destino de inseto rastejante.

Na verdade, o ex primeiro-ministro dos Países Baixos, baixou-se tanto, tanto que atingiu os pináculos do rastejamento.  

Rutte, conhecendo as contradições e fragilidades da NATO, decidiu ir pelo caminho mais fácil – julgar que “compra” Trump com adjetivos elogiosos do novo imperador ocidental. Elogiou-o como só o sucessor na dinastia.

Até paizinho lhe chamou. E como bom fora da lei colocou nos Himalaias dos encómios as agressões dos EUA e de Israel às instalações nucleares iranianas.

Este senhor é Secretário-geral da NATO à qual pertencem quase todos os países da Europa e o Canadá, daí que seja o Secretário-geral de todos eles.

A estes países, alguns quase milenares, não incomoda um lambe-cus desta estipe? Nem um se distancia? A NATO é isto?

Gregor era um humilde caixeiro-viajante que tinha de vender mercadorias para ganhar a vida; este é o caixeiro-viajante da indústria da morte.