A paixão destrambelhada do governo pelas cargas policiais em vez de garantir casas

A falta de habitação num grande número de países europeus é um sintoma da crise evidente que consiste na incapacidade para resolver um pilar em que assentam as modernas sociedades ocidentais, o acesso à habitação.

Em menos de uma década o acesso à habitação virou quase impossível de aceder, atingindo nas grandes cidades amplas camadas das classes assalariadas, incluindo a pequena e média burguesia urbanas. A verdade é esta: na UE há muitos países incapazes de assegurar aos cidadãos habitação.

Ao transformar-se a economia numa enorme banca de casino através da financeirização, o mercado passou a ser comandado pelos Fundos Imobiliários que se foram gradualmente apoderando de dezenas de milhar de imóveis para levarem a cabo uma das grandes negociatas do século. Essa aquisição contribuiu muito significativamente para distorcer completamente o mercado. Num outro patamar, por via das exigências de Bruxelas à banca, em relação ao crédito malparado, obrigou literalmente a entregar milhares de prédios de execuções a esses Fundos, o que constituiu um crime económico porque muitos dos executados queriam pagar noutras condições, tendo sido feita a entrega de mão beijada aos Fundos desses prédios que eram uma garantia real dos credores bancos.

Por outra banda, segundo o Censo de 2021 existiam 723 215 casas devolutas, o que configura, tendo em conta a grave crise habitacional, uma situação de absolutamente excecionalidade e que requer por parte dos governantes a coragem de lidar com a situação de molde que a propriedade cumpra a sua função social, dado que vivemos em sociedade e não na selva, nem em Marte.

O mercado está assim subvertido por ação dos Fundos com a complacência do governo e pelo supremo egoísmo de um conjunto de proprietários sem a menor preocupação social.

Trata-se de uma política que visa impor aos residentes das maiores cidades a renúncia às suas habitações por impossibilidade de acompanhamento do preço das rendas ou do pagamento das prestações dos empréstimos contraídos. Tal só é possível pelo facto de o governo produzir legislação que enquadra esta política de favorecimento dos Fundos tornando a habitação praticamente inacessível nos grandes centros urbanos quer para quem queira comprar, quer para que queira arrendar.

Assiste-se a uma verdadeira expulsão dos habitantes e a chegada de uma nova classe de gente multimilionária sem ligação a estas cidades. Ou seja, os portugueses que vivem dos seus vencimentos, designadamente os jovens, perdem o direito a viver nas cidades onde nasceram com as suas famílias, por motivos da chegada de emigrantes cheios de dinheiro a quem Ventura e o governo estendem o tapete vermelho e continuando a criar anátemas e ameaças aos que vivem amontoados em despensas e prateleira humanas.

A resposta à crise da habitação por parte de governantes, alguns dos quais a abarrotar de prédios, não devia ser chamar egoístas aos que reclamam habitação e atirar cães e polícias contra os manifestantes. O M.A.I não se pode transformar num braço violento que responde às reivindicações justas de acesso à habitação com cassetes, teasers, escudos, cães e pancadaria. Nem inventando conexões internacionais pelo facto de a juventude ouvir e ver nas têvês a insensatez dos dirigentes europeus enfatuados a gastarem rios de dinheiro em armamento e na guerra na Ucrânia e ao mesmo tempo acusarem a juventude de irresponsabilidade e egoísmo.

Esta desgraça, como não podia deixar de ser, iria desembocar num verdadeiro beco sem saída para a grande maioria dos jovens, muitos deles precários, com salários baixos e que se veem na contingência de emigrarem.

Os eurocratas de Bruxelas e de Portugal alegam que o défice tem de ser cumprido e daí inexistir investimento público na habitação, o que vai agravar a vida de quem não quer viver debaixo das pontes, enquanto não falta dinheiro para a guerra…será que o governo de cá e da Comissão conta com a mortandade da guerra para diminuir a procura de habitação?

Um governo que fecha os olhos a uma questão tão séria como a da habitação não é um governo, é um conjunto de ministros que vivem algures entre rentabilizar prédios e a cumprir ordens de Bruxelas e dos Fundos. Perdeu o sentido à finalidade que deveriam assumir e fazem do capataz Luís Neves o gladiador às suas ordens. Não serão-lhe dados perdões egoísticos. Talvez a urologia da habitação comprove o calibre desta gente e a da Ilha da Malheira esteja ligada à das acampadas. Cantem essa coisa nova que é a Grândola vila moreira e vão ao Organização do Atlético Norte à procura da Gronelândia. RIP.

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