Como se sabe (às vezes não dá jeito ter presente) ao longo da História os que foram apelidados de terroristas acabaram no poder. Cristo foi crucificado por ser considerado um subversivo. Hoje está no coração de milhares de milhões de cidadãos. Espartaco, o escravo que liderou a luta pela libertação do esclavagismo, foi considerado terrorista pelo Império romano e crucificado. O indiano Mahatma Gandi, o apóstolo da não-violência, era um terrorista para a monarquia britânica. Nelson Mandela era considerado pelo regime sangrento do apartheid terrorista e esteve preso 27 anos. Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane e Samora Machel eram considerados pelo fascismo português terroristas. Assim como os dirigentes da FNL da Argélia eram igualmente tidos como terroristas pelos colonialistas franceses. Os independentistas do futuro EUA eram terroristas para o Império britânico. Os exemplos encheriam páginas e páginas.
Um Estado que ocupa o território de outro país legitima a luta político-militar contra essa ocupação. Por isso, os lusitanos se bateram com tudo o que tinham à mão contra o império romano. Por isso, os portugueses pegaram em armas para expulsar os franceses durante as invasões napoleónicas. Por isso, o direito internacional considera legal a luta de libertação nacional contra a ocupação.
Israel é um Estado fora da lei que ocupa contra Resoluções do Conselho de Segurança da ONU territórios palestinianos, Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Leste. Contra esta ocupação o povo palestiniano através de ampla frente, a OLP, combate a ocupação colonial sionista. A OLP englobou a Fatah, a FDLP, a FDLP entre outras. Granjeou um enorme prestígio e para a combater, Israel e a CIA criaram o Hamas, fornecendo-lhe armas e tudo o que consideraram importante para minimizar o apoio dos palestinianos a Yasser Arafat e à OLP.
Pode discutir-se as formas de luta, mas não se pode esconder o sol com a peneira, Israel pratica o pior terrorismo, o terrorismo de Estado. Por isso está cometendo um genocídio dos palestinianos em Gaza, 73 000 mortos, dos quais 20 000 crianças. Este é o terrorismo sionista que tem o apoio dos EUA e UE, (exceção de Sanchez) tal como o regime do apartheid teve.
A alegação de que a FDLP é uma organização terrorista, com quem tive múltiplos encontros em Lisboa, e por todo o mundo, mostra a vergonha da hipocrisia ocidental. A FDLP luta contra a ocupação israelita e é justo, legítimo e legal que a uma ocupação armada se lute com armas, como toda a gente sabe.
Quando um partido tem relações com outros partidos não quer dizer que esteja de acordo com todas as políticas do convidado. Porém, um país quase milenar, como Portugal, não pode curvar-se diante dos mandões ocidentais que criaram toda a espécie de terroristas desde os talibans, à Al Qaeda e ao islamista no poder na Síria que lutou com armas contra as organizações patrióticas do Médio-Oriente e foi posto na presidência pelo Sultão Erdogan e o decadente imperador de Washington.
A eventual recusa a dar visto a uma delegação da FDLP é um ato inamistoso para com o povo palestiniano e uma vergonhosa submissão aos interesses das potências ocidentais dominantes que em data não muito distante irão ter relações diplomáticas com um Estado palestiniano livre e independente porque em 2026, apesar de todas as dificuldades, os povos, submetidos a uma ocupação estrangeira, em luta, acabarão por vencer, como vimos em Timor-Leste e noutros países, designadamente em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo-Verde, S.Tomé e Príncipe.
Claro que os sionistas farão toda a chantagem para que ativistas palestinianos não noticiam os crimes do terrorismo de Estado dos dirigentes israelitas que abrem garrafas de champanhe pela aprovação da lei que prevê o enforcamento dos combatentes palestinianos ou pela construção de uma prisão para palestinianos com uma cerca cheia de crocodilos para impedir fugas. A loucura naquele país atingiu tal nível que um tribunal impediu a instalação dos crocodilos porque são uma espécie em perigo…
O Portugal democrático deve ter voz própria para que os portugueses possam ter acesso às mais diferentes posições em confronto no território ocupado da Palestina pelas tropas de Netanyahu. Com toda a tranquilidade.
O terrorismo, a FDLPalestina e a Festa do Avante! | Opinião | PÚBLICO