Desde que Carl Jung se debruçou sobre o inconsciente coletivo tornou-se mais acessível a compreensão de certos fenómenos que têm origem nas memórias mais antigas da Humanidade.
Os humanos herdam todo um conjunto de arquétipos dos seus ancestrais que repousam no fundo das placas onde estão calcados pelo ego consciente.
Uma multidão de filiados de um clube de futebol, transforma-se noutra “coisa” com práticas contrárias, muitas vezes, ao perfil de cada elemento da multidão. Se lhe juntarmos o inconsciente coletivo salta para a superfície uma das mais deploráveis características humanas – o racismo.
Vinicius Junior, jogador de futebol do Real Madrid, negro, espalha com a sua arte, nos mais diversos estádios de futebol, a sua grandeza enquanto profissional dessa modalidade desportiva.
Face ao desespero da sua habilidade duas coisas se juntam numa só: o mais primário inconsciente coletivo – ser preto – e a irracionalidade das multidões enfurecidas pelo ídolo adversário que leva à derrota do seu amado clube.
Um negro proveniente dos países que os brancos escravizaram ousar em território branco derrotar os clubes que enfrenta leva-os ao desespero, à cegueira, ao inconsciente coletivo, ao tempo em que os negros eram coisas que se vendiam e cujo valo era pouco; mesmo que disso não tenham consciência.
Pois bem, Vinicius espalha a alegria subversiva pelos campos de futebol e nem todos os colegas adversários e apoiantes destes aceitam a trágica derrota. Uns e outros vão ao fundo dos fundos buscar o que de pior os humanos guardaram.
Se acontece muitas vezes é apenas porque muitas vezes a sua técnica espalha o terror entre os vencidos. E como nada mais têm para apresentarem face ao descalabro, gritam o que os envergonha se estivessem sozinhos e a coberto das multidões exibem toda a repugnância.
Como os tarados sexuais que justificam a sua violência com a conhecida frase – «estava a pedi-las».
Na hora da derrota nem todos se afirmam reconhecendo a grandeza do vencedor.
ob Li e apreciei o ensaio teórico sobre o inconsciente coletivo. Apenas uma interrogação: Tanto quanto me pareceu, o incidente racista que ocorreu ontem no decorrer do jogo Benfica – Real Madrid foi entre um jogador do SLB e o Vincius Jr, que levou inclusive à interrupção do jogo durante 8 ou 10 minutos. Ora durante esse tempo não ouvi gritos racistas por parte da assistência. Convém não confundir género humano com Manuel Germano, que no caso até tem um nome italiano. Aproveito para enviar duas notícias que confirmam que estamos a caminhar sobre brasas. ab ________________________________
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