O MUNDO À BEIRA DO ABISMO

O mundo gira para um absurdo precipício, caso não seja alterado o rumo para o choque bélico entre as principais potências mundiais. Muito se tem escrito sobre o tema e a mudança de paradigma na ordem internacional.  Uma potência em declínio e outras a tentarem impor-se. Uma União Europeia decadente a comportar-se como alguém já não é o que foi. O chamado Sul Global a fortalecer a sua presença mundial de onde sobressaem os BRICS com todas as suas contradições que são muitas, mas que a política de fanfarronice de Trump ajuda a superar. E conflitos e guerras por todo lado. Agora entre o Camboja e a Tailândia.

Os dois mais perigosos conflitos atuais estão na invasão da Ucrânia pela Rússia e na ocupação do território palestiniano por Israel.

A guerra na Ucrânia vai completar em agosto três anos e meio e o extraordinário neste conflito é que nenhum dos beligerantes quer que ele acabe tal como está. Com efeito, embora lento o avanço da Rússia é indesmentível. O confronto na Ucrânia entre a Rússia e NATO/EUA/UE vai continuar. A Rússia quer que a Ucrânia sucumba aos seus desígnios (impedir a sua entrada para a NATO e uma nova arquitetura de segurança internacional), e o Ocidente, na sua lógica, não “pode” perder esta guerra.

 A Rússia acha que consegue alcançar os seus objetivos, dada a sua força militar e a sua situação económica.

 Os EUA não perderam a ilusão de enfraquecerem significativamente a Rússia e até levar à sua exaustão interna, contando para tanto com os europeus a pagar os custos.

A elite da UE virou definitivamente as costas a qualquer política realista que assente no continente europeu e entregou-se à política do novo Presidente dos EUA que trata os europeus como vassalos, apresentando ao mundo com gaudio o vassalo maior, o Senhor Mark Rutte. Mesmo quando Trump ameaça filar a Gronelândia à Dinamarca e impõe novas tarifas de 15% às exportações europeias e a compra de.  750 000 milhões de dólares de gás líquido e 640 000 mil milhões de dólares em armamento e investimentos nos EUA de 600. 000 milhões de dólares. Nada mais. Ursula Von der Leyen, tendo em conta a linguagem corporal não estava nada bem.

O show off da Cimeira de Haia da NATO abriu várias fissuras com vista a agradar ao novo patrão.

 O ponto de desconfiança dentro da NATO e da UE já leva a Alemanha a congeminar transformar-se no país dominante na Europa ocidental do ponto de vista militar, deixando a França e o Reino Unido desconfiados. 5% do PIB em gastos militares é colossal, designadamente para as despesas sociais que terão de ser cortadas.

Zelenski também não “pode” aceitar a situação. Jogou tudo na convicção que o apoio ocidental derrotaria a Rússia e tal não se está a verificar.

A guerra vai, portanto, continuar. A menos que neste velho e sonolento continente os povos queiram impedir que seus filhos sejam incinerados no braseiro nuclear e exijam com veemência a paz.

Mas a anestesia que os faz virar ao olhar para não ter de enfrentar o genocídio dos palestinianos de Gaza e permita que os principais dirigentes da UE alinhem com o carniceiro de Telavive não augura nada de bom.

Os palestinianos de Gaza vão continuar a morrer à fome e a tiro. Será talvez uma nova Guernica. Aos burocratas europeus e ao negociante de estâncias balneares, as vidas humanas já não importam, só o big Money…

Está a ser difícil sair da ordem unipolar liderada pelos EUA para outra multipolar. O curso dos acontecimentos aponta, porém, como sendo irreversível essa direção, sem que, contudo, se vislumbre a sua arquitetura.  E tudo o que é incerto gera medo. Há quem recuse fazer exames médicos com medo da confirmação de uma doença grave. Os feiticeiros do domínio jogam nessa carta, o medo. No entanto, o rumo em direção ao precipício é visível. O medo cega.

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