Poseidon e os que se julgam da estirpe das divindades

No início do século XX distintas mulheres e homens da mais alta burguesia triunfante entravam a bordo do Titanic, o mais extraordinário navio até então construído.

O luxo, o glamour, ao acesso só de alguns humanos, deixaram as populações embasbacadas com aquela vida muito próxima do mais puro ideal burguês- ter e desfrutar a riqueza até ao mais alto pináculo do desejo.

Um século depois um grupo de multibilionários em busca do Titanic e de vestígios de uma riqueza carcomida pelo sal e encoberta de limos e lodo foi à procura de todas as glórias apenas ao alcance de um punhado de famosos-capazes-de-tudo. Vingar-se de certo modo do destino, o que não está ao alcance dos comuns mortais.

Na verdade, toda a atenção do mundo se centrou neles. Durante uma semana consumiram os media. Se já eram famosos devido à sua conta bancária que podia começar no fundo mar e subir ao Everest ficaram ainda mais famosos e talvez para todo o sempre, como o navio perto do qual Poseidon não lhes permitiu que pudessem assemelhar-se à estirpe das divindades.

Um pensamento sobre “Poseidon e os que se julgam da estirpe das divindades

  1. António Melo's avatar António Melo

    Subscrevo, Foram mortes imorais.
    Não sei se foi castigo dos deuses, mas foram certamente vítimas do orgulho, como titula a certeira crónica.

    Gostar

Deixe um comentário