Ai os nossos deuses, que parecidos connosco…criaturas ou criadores?

É curioso observar as divindades que a Humanidade foi criando desde os primórdios até à contemporaneidade. Os homens não passavam sem os seus deuses e as suas deusas.

Em diversos momentos trágicos ou alegres inventaram as divindades adequadas a esses momentos e circunstâncias.

Os humanóides que se ergueram para caminharem e percorrerem novas distâncias vendo o mundo de outro modo talvez ousassem nas suas representações da realidade alcançar o inalcançável. Imagine-se o ribombar do trovão, o barulho lúgubre dos terramotos, a força das ondas do mar, a escuridão da noite e os seus reflexos na cabeça de quem não tinha explicação para decifrar a Natureza.

Não espanta pois que muitas das primeiras divindades fossem o Sol, a Lua, a própria terra que dava alimento.

Os deuses da Grécia da Antiguidade não passavam de representações das mentes humanas.

Sendo a civilização mais avançada e pronta a dominar tudo em volta, os gregos das cidades Estado da imaginaram deuses à medida dos seus sonhos e aspirações.

Tal como na sociedade tinham um vértice também entre as muitas divindades. Umas obedeciam a Crono, Deus máximo derrotado e escorraçado por Zeus.

Segundo Ésquilo, Prometeu ajudou Zeus a derrotar Crono, mas tal como, em geral, os humanos, uma vez no poder os amigos já não faziam tanta falta e Prometeu afastou-se de Zeus, tal como descreveu Ésquilo, supostamente.

Não que sem antes quando soube que era vontade de Zeus substituir os humanos, seres efémeros, por outros, aniquilando-os, Prometeu com pena deles colocou à sua disposição a arte de adivinhar”… a mais bela de todas as ciências, as dos números e a composição das letras que conserva a memória…” a farmácia, arte de jungir os animais, as estações do ano, e sobretudo o fogo.

Prometeu a bem dizer deu tudo o que fez dos humanos verdadeiramente humanos.

Zeus nunca mais lhe perdoou. E condenou-o a ficar amarrado em cima de uma montanha no Cáucaso por milhares de anos dada a sua natureza imortal. O fígado de Prometeu alimentava uma águia que nele se cevava.

Esta posição de Zeus não teve a unanimidade dos deuses. Poucos ficaram do lado de Prometeu. Os humanos mal-agradecidos viraram as costas ao altruísmo de um imortal a favor dos mortais.

Muito mais tarde, Cristo seria crucificado e o povo da Judeia e Galileia nada fez pela sua libertação, deixando-o morrer na cruz. Três dias depois ressuscitaria. Prometeu aguardou por Atlas para o libertar cerca de vinte mil anos mais tarde.

Os deuses da Antiguidade eram como os homens desse tempo, fossem eles gregos ou romanos.

Os deuses que os humanos tinham na Antiguidade já não eram mais necessários. Os oprimidos do Império romano precisavam de outro Deus e apareceu Jesus Cristo, o filho de Deus, que veio ao mundo para anunciar a vida eterna. E então todos os outros deuses de séculos atrás tinham de ser esmagados pela nova Anunciação.

Os judeus na mesma linhagem monoteísta, mas sem aceitarem que Deus se tenha tornado homem para redimir os pecados. Abraão, o patriarca, acaba por se insurgir contra a idolatria e defende um Deus único.

O mesmo sucedeu aos beduínos e comerciantes do Próximo Oriente. Um novo Deus foi anunciado. O Profeta anunciou que só havia um Deus, o único e todo-poderoso Alá.

Na região do Médio e Próximo Oriente, na zona então civilizada e civilizadora, nasceram as três grandes religiões monoteístas que nunca mais acabariam de se digladiar fazendo das suas guerras de uns contra os outros montanhas de cadáveres, a maior parte de vítimas inocentes.

Aqueles Deuses – Jeová, Cristo e Alá – foram pretextos para verdadeiras guerras de saque e consequentes razias e mortandades. Era o tempo em que os homens invocavam o interesse de Deuses que sempre se mantiveram até hoje no mais completo mutismo. Até há muito pouco tempo. Até ao presente.

No Oriente mais longínquo onde o monoteísmo não teve tanto impacto nem por isso hindus, budistas e confucionistas deixaram de pregar a superioridade dos seus ensinamentos levando-os pela força das armas a quem não os seguisse.

Após releitura da tragédia “Prometeu”

Um pensamento sobre “Ai os nossos deuses, que parecidos connosco…criaturas ou criadores?

  1. António Melo

    Era uma vez… e tanto bulharam que se tornou impossível distinguir vítimas e carrascos; logo, cada qual podia matar à vontade, aproveitando a oportunidade de poder ser carrasco e não vítima.
    Moral da história:
    E assim acabaram as vítimas e só ficaram os carrascos…

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