A orfandade do PS nas presidenciais e a importância de ser segundo

Aproximam-se a passos largos as eleições presidenciais. Merecem reflexão. Marcelo caminha levado pelo glamour do som tremendo para a reeleição e amparado nos media que o acompanham desde o mergulho em qualquer riacho até à impenitente vontade de servir a pátria exibindo a peitaça para receber a vacina contra a gripe.

São conhecidos os imensíssimos saberes de Marcelo. Poucos se podem gabar de possuírem uma panóplia de conhecimentos como ele. É o último vendedor de fumo de palha.

O problema sendo esse, é também outro, sobretudo para os cidadãos comprometidos com os ideais republicanos, laicos e socialistas. Sim, socialistas. Os ideais socialistas persistem e ganham outra força face à deriva neoliberal capitalista.

Sim, o Presidente da República não é a rainha do Reino Unido. Tanto que não é que o vemos por tudo e por nada, basta um acidente ou um trepador ganhar uma etapa. É muito mais. Portugal ganhou outra modernidade em 05/10/1910. Outros optaram pelo passado. E mantêm esse passado no presente, até o filipismo passadista se tornou presente na vizinha Espanha.

Pois bem, seria de esperar que correntes laicas, republicanas, socialistas e de esquerda não se entrincheirassem cada uma a pensar em si oferecendo em bandeira de luxo a Presidência da República a alguém que durante o seu percurso de vida se afirmou contra os postulados laicos e socialistas.

O PS há muito desistiu de lutar por ter um Presidente que responda aos seus valores. Sócrates hipotecou o cargo fazendo penar Alegre até ser segura a vitória do enfatuado de Boliqueime, o doutor de York.

Costa arranjou-se com um capaz de arranjar tanta audiência como a Cristina, com quem partilha angústias existenciais.

Costa, órfão de si próprio, escolheu o omnipresente, deixando também o PS órfão; aliás fê-lo bem sabendo que seria assim, tendo na Autoeuropa feito ao PS o que Brutus fez a Júlio César, na versão shakesperiana.

O mal, para além desse, é outro, não menos grave e que tende a passar despercebido.

As outras forças situadas à esquerda do PS em vez de se esforçarem por encontrar uma mulher ou um homem que federasse as várias sensibilidades avançou cada uma  com os seus candidatos, sabendo que apenas estão a competir entre si, a ver quem é mais do que o outro.

Com Costa e Marcelo irmanados e com tantos problemas existentes, velhos e novos com a pandemia, alguém que sendo o pior que o sistema tem, apresenta-se  “contra” o sistema para tentar capitalizar o descontentamento da situação.

Um grande problema será barrar o caminho de modo que o ex-comentador da CMTV não fique em segundo lugar nas próximas eleições.

Costa quer Marcelo e acredita no seu chapéu. Com esta crença deixa o PS entregue ao homem de circunstância. Amalgamados funcionam como o sistema, assim pretende o pescador de águas turvas. Os que neste concreto momento escolheram ver quem fica à frente de quem ajudam à festa, mesmo sem o querer.

https://www.publico.pt/2020/10/28/politica/opiniao/orfandade-ps-presidenciais-importancia-segundo-1937077

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