Quo vadis PS?

Portugal, um pequeno país periférico, digno de uma História que grandes países não têm, vai a votos em outubro.
Não é demais ter presente a importância de diminuir a taxa de pobreza que se encontra por cima dos vinte por cento. Este é talvez o maior desafio que devia estar no centro do debate político – empobrecer como foi obra de Passos Coelho/Portas/Cristas ou manter e aprofundar o ciclo iniciado há quatro anos, recuperando rendimentos cortados? Tornar o país mais competitivo com salários baixos ou fazê-lo crescer com melhores rendimentos?
Para tanto o PS tem de ser claro no seu posicionamento: navegar à bolina como referiu Ferro Rodrigues ou manter a política de entendimento à esquerda? Ou ainda com desassossego procurar uma maioria absoluta e ter uma parlamento do género Yes Minister?
É agora o tempo de clarificar. E se os quatro anos de governo deram força ao PS e às esquerdas permitindo melhorias para a população por que mudar de rumo?
Em que aspetos o PS de César e Capoulas se sentiu constrangido? O que não fez o PS que o PCP e BE não deixaram e que fez o PS com o BE e o PCP que não queria fazer?
Continua a ser necessário elevar as condições de vida dos portugueses e criar mais e melhores empregos, o que parece ser do interesse dos três partidos.
As desigualdades sociais, no contexto europeu, são uma chaga que não engrandece o país. É com estes três partidos que elas podem diminuir.
Portugal precisa de serviços públicos modernos e eficientes com funcionários, quadros e dirigentes motivados. Com quem o PS pensa que o pode conseguir?
O SNS precisa de responder melhor às necessidades da população. O PS não pode querer um SNS que empurre para o privado a parte da população com rendimentos médios, deixando aquele para os pobretanas.
O mesmo se passando com a Escola Pública. Sem uma Escola Pública de qualidade o desenvolvimento do país não se alcança. Só com o empenho de professores motivados e tratados com dignidade se atingirá tal desígnio.
O chamado interior tem de deixar de ser notícia por causa das desgraças dos incêndios. É preciso um plano de discriminações positivas para aquelas regiões a todos os níveis para travar essa desgraça. Como pode o PS não se entender com os partidos à esquerda nesta área?
Como fazer crescer o país com uma tal elevado défice externo? E com os constrangimentos do Pacto de Estabilidade e Crescimento? Aqui haverá muita pedra para partir, mas entre a necessidade de investir e crescer e a camisa de sete varas há possibilidades de encontrar pontos que assegurem um melhor futuro. O PS aceitará que não é justo aplicar exatamente as mesmíssimas regras a países cujo grau de desenvolvimento é muito diferente? Por aqui será o caminho e não o do chamado bom aluno ou seja o da ausência de cerviz.
É preciso que haja quem invista em setores produtivos, já que há a nossa burguesia compradora tão patriótica coloca os seus rendimentos noutros países para fugir ao pagamento de impostos aprovados soberanamente.
Nestas circunstâncias um PS virando-se consoante os ventos é voltar ao velho PS com um rumo que o deixou mal visto e, por isso, há quatro anos Costa teve menos votos que Passos; convém aos socialistas terem presente esse dado.
O caminho é o de continuar a dar aos portugueses mais e melhores rendimentos e combater as desigualdades. É o caminho da modernidade contra o velho mundo da desesperança.

In Púlico online de 28/07/2019

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