CHARLES MICHEL NA SENDA BELICISTA DO IMPÉRIO ROMANO

A expressão latina… se vis pacem, para bellum…(se queres paz, prepara-te para a guerra) vale como imagem de marca do império romano na busca do domínio dos povos que foi submetendo por via da superioridade militar das suas legiões.

O seu poderio militar era de tal monta que intimidava e subjugava os povos recalcitrantes.

  O império romano, como todos, aliás, acabou por cair. O visigodo, Alarico I, tomou Roma e saqueou-a em 410.

Os impérios europeus para impor a “paz” aos povos colonizados preparavam-se para a guerra. Escravizaram, assassinaram, destruíram, subjugaram. Foi o que se viu.

 Como escreveu o centenário Edgar Morin, a Europa é …o maior agressor dos tempos modernos, o que ainda hoje é ocultado à consciência dos europeus… Pensar a Europa, Edições Europa- América.

Preparar a paz com a preparação para a guerra foi sempre o escudo protetor dos inimigos da paz e da cooperação entre os povos e os países. Na verdade, se queremos paz, preparamo-nos para a paz e não para a guerra.

O texto de Charles Michel, Presidente do Conselho Europeu, publicado no Público de 18/03/24, Pesquisa | PÚBLICO (publico.pt) explana com veemência os motivos pelos quais a Europa deve embarcar com toda a força no comboio da guerra para alcançar a paz…

A Europa é mais do que a U.E. Foi forjada de muitos diálogos e de muitas guerras e de grandes sangrias entre cristãos e muçulmanos, cristãos e judeus, cristãos e protestantes, burguesia e nobreza, burgueses e operários, liberais e absolutistas, democratas e fascistas e outros totalitaristas. A nossa História não é só feita de coisas fantástica, há horrores diabólicos.

Após a implosão da URSS surgiu a grande oportunidade de a Europa se pacificar e assumir a sua grandeza civilizacional e engendrar algo novo. Mas sucedeu que a velha Europa, já sem medo do comunismo e de certa forma da própria social-democracia, deixou-se ir na onda neoliberal e na vassalagem aos velhos descendentes de europeus que mandam nos EUA.

 Desaparecido o Pacto de Varsóvia e o perigo comunista, a NATO não se dissolveu e apesar das promessas solenes de que não se alargaria para os ex países socialistas integrou-os a todos na sua máquina militar e ao longo da fronteira da Rússia.

Repare-se: os EUA, com John Kennedy na Presidência, ameaçaram com armas nucleares a URSS por ela ter instalado armas nucleares em Cuba. Não se tratava de Cuba integrar o Pacto de Varsóvia…A Ucrânia na lógica dos EUA/NATO/U.E. pode integrar a NATO e a fronteira da Rússia passar a ser com os 32 países da Aliança.

Depois o Ocidente prometeu tudo à Ucrânia as long as it takes…Os EUA, face ao descalabro militar da contraofensiva ucraniana, começaram a desligar…A Europa, a U.E. entenda-se, onde se trava a guerra não desliga, tal é a cega obstinação.

Alegam que se desligam, os russos, os que nem frigoríficos haviam de ter pois precisavam dos chips para o armamento ( Ursula dixit), os que não tinham rações de combate, nem botas, os que não aguentariam as sanções, vão tomar a Europa. Os novos visigodos.

Pensemos um bocadinho. O único que disse que não negociava foi Zelenski. Por que não se pode negociar agora: a paz na Ucrânia, a segurança na Europa e no mundo, as relações entre a NATO e a Rússia, as relações entre a Rússia e os vizinhos. Por que não? Em Istambul, um mês depois do início da guerra, havia acordo. Por que motivo Boris Johnson a mando dos EUA foi aconselhar/pressionar Zelenski para rasgar o acordo porque lhe dariam o tal apoio as long as it takes para derrotar os russos? Os EUA estavam dispostos a lutar contra a Rússia até ao último ucraniano, e agora até ao último ucraniano e ao último europeu. E segue a guerra.

Pensemos mais um bocadinho: então a ex chancelerina Merkl, o ex Presidente Hollande, o ex Presidente Poroshenko negociaram com a Rússia e agora os seus substitutos não podem negociar, porquê?

É melhor negociar ou ir para a guerra? Já perguntaram aos jovens se querem ir morrer porque o Sr. Scholtz, o Sr. Macron, o Sr. Sunak, a Sra Ursula, o Sr. Michel, o Sr. jardineiro, de nome Josep Borrel, prometeram meter-nos em guerra num conflito enquanto não derrotarem a Rússia e a desmembrarem?

Depois do eventual braseiro nuclear na Europa será melhor ficar a China e os EUA a negociarem a “divisão” do mundo ou em guerra? Que falem os que estão calados.

Faltam aos dirigentes da U.E. mulheres e homens corajosos que enfrentem os diferentes e contraditórios interesses e que livrem o continente da guerra, negociando uma paz o mais justa possível. Prepare-se então a paz e não a guerra.

https://www.publico.pt/2024/04/04/opiniao/opiniao/charles-michel-senda-belicista-imperio-romano-2085910

A procissão da descida da cruz de Cristo crucificado

Málaga

Ao fundo, o andor representando a descida de Cristo da cruz depois de ter sido condenado pelos representantes do império romano à morte por crucificaçao. 

Não morreu apenas. Mataram no. Não foi uma encenação. Temiam no. Torturaram- no. Crucificaram-no. Tudo num terror indescritível. 

Ali está a multidão sem ter em conta a barbaridade do assassinato  como se aquele homem  não tivesse sido julgado e condenado num tribunal . Sem se interrogar, por que o mataram?

O nazareno era moreno como todos os habitantes da zona, mas os supremacistas brancos do Ku Klux Klan  mudam- lhe a cor.

 Os encapuzados seguem com a cara tapada, porquê? Para que se não esqueça a Inquisição   onde os pobres condenados seguiam de cara tapada como animais sem nome?

Se o nazareno voltasse, os que adoram o novo deus, o Santo Mercado, voltavam a crucificá- lo, chamando- lhe louco, irrealista,irresponsável, talvez comunista. 

Depois os banqueiros, os fundos do fundo, chorariam e ajudariam a fomentar a quietude basbaque, normalizando a anormalidade para bem dos nossos¿ pecados.

Só a banda musical assinala a tragédia.

A chuva também

Até quando?

PARA QUE SERVEM OS SINDICATOS- DOIS RICOS EXEMPLOS

Não é incomum, muitos trabalhadores não sindicalizados afirmarem que os sindicatos não servem para nada, o que menos se estranharia se fosse afirmado por uma qualquer entidade empregadora.

Por parte de muitos desses trabalhadores fica-lhes mal esta afirmação, até porque mostra a sua ignorância sobre os benefícios, nas suas condições de trabalho, resultantes da negociação colectiva entre os sindicatos e os empregadores, quando esta é bem-sucedida e culmina com a outorga de uma convenção colectiva de trabalho.

Muitos dos não sindicalizados desconhecem ou fazem de conta que desconhecem que beneficiam das condições de trabalho mais favoráveis das convenções colectivas de trabalho, negociadas pelos sindicatos, por uma simples razão: porque as empresas lhes aplicam essas condições, sem que a lei as obrigue a fazê-lo.

Está em causa a ignorância do alcance do principio da filiação sindical, previsto no Código do Trabalho, que pode ser ilustrado com dois exemplos práticos apreciados nos Tribunais do Trabalho.

Por desempenhar determinadas funções, definidas numa determinada categoria profissional superior, institucionalizada na convenção colectiva de um determinado sector de actividade, o trabalhador alegou que lhe deve ser atribuída tal categoria. Apreciada a causa o Tribunal proferiu sentença e considerou provado que o trabalhador exercia efectivamente aquelas funções, da peticionada categoria profissional superior, mas não lhe pode atribuir a mesma, simplesmente porque o mesmo não provou que era filiado na associação sindical que outorgou aquela convenção colectiva de trabalho.

No segundo exemplo, o Tribunal concluiu que o pagamento da remuneração de trabalho nocturno, de acordo com o estipulado em convenção colectiva de trabalho, aplicável aos trabalhadores filiados no sindicato subscritor, em montante superior ao que é pago a outros trabalhadores da mesma empregadora, não viola sequer o principio constitucional da igualdade de tratamento.

Nas grandes empresas, que celebram convenções colectivas de trabalho, por regra, a grande maioria dos seus trabalhadores não são sindicalizados, no entanto, por decisão das suas Administrações, estas empresas aplicam-lhes aquelas convenções, quando podiam não o fazer por força do principio da filiação sindical.

Serve de mero exemplo o Acordo Colectivo de Trabalho, outorgado no passado mês de fevereiro entre os sindicatos e a ALTICE PORTUGAL, no qual esta reconhece que foram abrangidos 6136 trabalhadores dos quais somente 2332 são sindicalizados.  Isto significa que a ALTICE PORTUGAL, apesar de ter fundamento legal para não aplicar o Acordo Colectivo de Trabalho a 3804 dos seus trabalhadores, que são os não sindicalizados, no entanto, não deixa de o aplicar.

Há duas razões essenciais para que as empresas apliquem as convenções colectivas de trabalho aos trabalhadores não sindicalizados.  Em primeiro lugar é do seu interesse próprio aplicar regimes laborais uniformes para todos os seus trabalhadores. A segunda razão deve qualificar-se como sendo politica, pois a aplicação pelas empresas de uma convenção colectiva de trabalho aos trabalhadores não sindicalizados, evita que estes se sindicalizem.

Os sindicatos através da negociação colectiva, que por força da lei deve ser promovida pelo Estado, melhoram as condições de trabalho de uma grande maioria de trabalhadores que não são sindicalizados, o que significa que estes, sem os encargos do pagamento de uma quota sindical, beneficiam do trabalho dos sindicatos que, alegadamente, para alguns, não servem para nada.

Por outro lado, o não aproveitamento pelas empresas, no seu interesse, do principio legal da filiação sindical serve, em última instância, para retirar representatividade e poder aos sindicatos, o que de facto acontece.

Sobretudo devido à ignorância de muitos trabalhadores não sindicalizados as empresas, que outorgam convenções colectivas de trabalho, matam assim dois coelhos de uma só cajadada: uniformizam o regime laboral para todos os seus trabalhadores, sindicalizados ou não, e contribuem para evitar a sindicalização daqueles que não precisam de se filiar em sindicatos, e pagar uma quota, para beneficiarem do trabalho dos sindicatos.

https://www.publico.pt/2024/03/23/opiniao/opiniao/servem-sindicatos-dois-ricos-exemplos-2084667

Em Gaza como em Odessa n’O Couraço de Potemkin

A Humanidade parece caminhar para um mundo ilógico e afastar-se de uma das características mais nobres dos seres humanos – os sentimentos que a faz aproximar-se dos outros e estender mão para ajudar.

Ao ver as imagens das forças israelitas a metralhar populares esfomeados junto dos camiões com ajuda humanitária, na passada quinta-feira, há naquela metralha a perceção de que quem dispara perdeu a essência que o faz distinguir de todos os outros animais.

Quem assim atira à queima-roupa contra gente maltrapilha nunca mais vai ser quem era por ter ultrapassado os limites da que a alma humana é capaz de suportar.

Eram esfomeados perseguidos como presas de caça, corridos de todos os lugares de Gaza, sob a mais avançada tecnologia militar de matar, que o único mal que fizeram foi nascerem na Palestina e serem palestinianos.

Outrora, aos judeus por serem judeus, os nazis davam ordens para os matar ao preço mais barato.

Agora são os dirigentes de Israel que dão ordens às suas Forças Armadas para expulsar, como animais bravios, os famintos e doentes palestinianos de Gaza, há cinco meses escorraçados do Norte para o Sul, do Sul para o Norte, de um canto para o outro apenas por serem palestinianos.

Não há espaço dentro do coração de cada ser humano para aguentar a suprema malvadez de disparar friamente sobre crianças, mulheres, idosos que para aliviar a fome, por já não terem ervas, raízes, rações de animais e procuravam comida junto dos camiões com ajuda.

Metralhar à queima-roupa gente indefesa só em cinema, como no Couraçado de Potenkin de Serguei Eisenstein, quando os carrascos do czar dispararam sobre a população em fuga, em Odessa, dirigindo-se para uma escadaria monumental em que se estremece com a violência e se vê carros de bebés desgovernados serem projetados numa impiedade sem limites.

Em Gaza, mais de um século depois, um dos bastiões do Ocidente com regras, como alegam constantemente, assistiu-se a um episódio de igual ressonância. Palestinianos cercados e atraídos como presas, tal como nos comedouros de caça, para serem baleados pela tropa do novo Macbeth do Médio Oriente.

E, no entanto, as emoções, não estão viradas para os palestinianos que já “aceitamos” não serem exatamente iguais a outros seres humanos com o estatuto e a estirpe de ocidentais.

Eles estão do outro lado por não aceitarem que a sua terra não é deles. No caso, queriam comida que os dirigentes israelitas confiscaram ou destruíram como na Idade Média para impor a rendição.

Para o Ocidente, Israel tem o direito a defender-se e os palestinianos a morrer de fome ou baleados pelo grande aliado.

Esta Europa supercivilizada, em que só é permitido matar três perdizes e vinte tordos por caçada, convive com a brutalidade dos carniceiros que ordenaram a matança de mais de cem palestinianos famintos, num total de mais de trinta mil, um terço crianças nestes cinco meses.

Talvez se perceba – se comerem não morrem, é preciso que morram, segundos os cálculos do Primeiro-Ministro israelita. Nesta banda, a nossa consciência enferrujada olha para o lado. Quantos mais palestinianos é preciso Israel matar? Querem inquéritos, dizem Biden, Macron, Scholtz e Cª levados a cabo pelos autores de tão horrendos crimes.

 Ninguém se lembra de sanções, nem da entrega de armas aos que foram invadidos e ocupados. Que mundo! 

https://www.publico.pt/2024/03/06/opiniao/opiniao/gaza-odessa-couracado-potemkin-2082721

ACORDA EUROPA!

A Europa, à deriva entre a extrema-direita e um rotativismo de intérpretes do neoliberalismo desalmado (espécie de partido único), dilacerada por uma guerra sangrenta, sufocada de desesperança e de cidadãos ensimesmados, anestesiados por novas tecnologias de infantilização, perdidos entre a crua realidade e a desilusão, parece caminhar para um futuro sem futuro. Pior: há quem veja nos restos de um fascismo reciclado de democrático uma possibilidade de uma vida mais justa desde a Escandinávia ao Sul passando pelo centro do continente.

Duas guerras diante dos nossos olhos. A destruição e morte exaltada por ambos os lados como justificação para o injustificável.

A Rússia invadiu e ocupou uma parte do território ucraniano para impedir que a Ucrânia integre a NATO, tal como foi negociado entre os EUA/NATO/Rússia, nos termos do artigo 9 da Constituição da Ucrânia.

Em 1948 cerca de 700.000 palestinianos foram escorraçados das suas casas, roubados de tudo por Israel com o apoio ocidental. Deram-lhes tendas eternas. Desde então o rosário de catástrofes tem sido o quotidiano até hoje, com Israel fora da lei.

Talvez valha a pena respirar fundo e pensar no modo como a Europa se posiciona sobre estes dois conflitos e confrontar as narrativas dominantes, onde os maus são os inimigos dos bons, sendo estes os EUA. O país cujo Presidente George W. Bush dizia falar com Deus, mesmo após a invasão do Iraque para acabar com armas que não existiam e que Durão Barroso e Paulo Portas garantiram-nos existir e ofereceram os Açores para a Cimeira da guerra.

No que se refere à invasão da Ucrânia os EUA/NATO/U.E. depois de instigarem Zelenski a armar-se, assumido publicamente por Merkl, Hollande e Poroshenko (rasgando os Acordos de Minsk) e, mais tarde, a declaração de Istambul prometeram sanções jamais vistas, rios de dinheiro, carradas e carradas de armas, as long as it takes, até à derrota militar da Rússia… apostando tudo nas sanções. Só que o PIB russo cresceu e continua a crescer.

Era o tempo dos grandes anúncios em Kiev e da fervorosa fé de Ursula von der Leyen que as sanções jamais aplicadas a qualquer outro país derrotariam Putin que iria parar direitinho ao Tribunal Penal Internacional, onde George W. Bush, Blair, Aznar estão proibidos de entrar dado o seu liberalismo em matéria de invasões de outros países.

Zelenski entrava-nos em casa de manhã à noite. Putin era amaldiçoada a pontos de João Cravinho afirmar que seria preso, se viesse ao Algarve. A notícia única – o anúncio glorioso da vitória do Ocidente que se esfumou com a contraofensiva ucraniana. Agora, até Stoltenberg se desdiz. A Ucrânia contou pouco, a não ser para dar o sangue para os EUA/NATO/U.E. tentarem derrubar Putin.

Desde outubro de 2023 que os Israel/EUA/NATO/U.E. amaldiçoaram os palestinianos. Todos os bombardeamentos por terra, mar e ar se justificaram, mesmo que matem mais sete mil crianças e outras tantas mortes de idosos e mulheres num total de vinte e sete mil, tudo em três meses. Para os palestinianos o máximo que o Ocidente exige são pausas para depois Israel continuar a bombardear. Nem uma fisga, nem armas antigas, nem uma sançãozita, nem no desporto, nem no festival da eurovisão. Que Israel mate até se cansar e que os palestinianos vão para o inferno, onde estão.

Reparem: Gaza fica do outro lado do mediterrâneo. Washington a 9460 quilómetros de Gaza. Washington a 7828 de Kiev. Os EUA têm tropas estacionadas em todos os continentes. Têm 742 bases militares em 80 países, 118 e 44 na Alemanha e Itália respetivamente. 119 no Japão. Nenhum outro país tem algo que se pareça com esta rede de militarização do mundo.

A Europa está em guerra e na Europa pouco se fala de paz, salvo o Papa Francisco.

 Os EUA querem amarrar a Europa à sua estratégia de confronto com a China. É vital enfraquecer a Rússia, cortá-la da Europa para que fique ainda mais amarrada ao Império e dependente de combustíveis para já quatro vezes mais caros. Cabe perguntar às mentes exaltas a Europa seria a mesma sem Dostoievsky, Chagal, Tolstoi, Gogol, Tchekov,  Lermontov, Lomonosov, Tchaikovsky, Rimsky Karsakov, Putshkin, Prokofiev, Maiakovsky, Gorky, Solienitsine, Vassili Grossman, entre tantos, sem os construtivistas, e a derrota dos turcos na Crimeia, de Napoleão, de Hitler?

Os dirigentes europeus nada têm a propor para resolver o conflito sem o beneplácito dos EUA, salvo armas e dinheiro que desaparecerá nos campos da Ucrânia entre sucata destruída, corrupção e vidas perdidas. A Rússia e a Ucrânia não vão fugir da Europa… Há que encontrar caminhos para viver em paz. Já morreram centenas de milhares de europeus. No clima de guerra medra a extrema-direita. Os EUA têm imensos problemas internos. Fala-se em guerra civil. Na Europa há pobreza a mais. Só a paz pode permitir encontrar soluções. O futuro de guerra não é futuro. Acorda Europa!

https://www.publico.pt/2024/02/08/opiniao/opiniao/acorda-europa-2079727

https://www.publico.pt/2024/02/08/opiniao/opiniao/acorda-europa-2079727

Al-Andaluz

No banquete de Platão os convivas apresentaram-se para comer, beber e discutir o que é o amor.

Em volta de uma mesa, um banquete entre amigos, deu o chão onde eruditos patrícios de Atenas se entretiveram a trocar argumentos sobre a importância do corpo e do espírito no amor.

Sócrates ergueu-se acima de todos os outros. Diotima (segundo vários autores, trata-se de Aspásia, a heitara – espécie de amante – de Péricles), atinge no simpósio uma elevada reputação pela sua explicação do que entende ser o mais importante no amor. 

O nosso cirurgião António Damásio explica-nos, salvo erro, a propósito do sistema nervoso entérico, a importância das vísceras na formação do sentimento de bem-estar.

Ora tudo isto para falar de uma taberna e de um mundo de afetos. Quem passar por Reguengos de Monsaraz tem a possibilidade de se sentar à mesa e desfrutar de uma boa comida servido pelo conductor da orquestra, o engenheiro José Morgado.

Platão menosprezava os sentidos. Ignorava o corpo enquanto realidade material e perseguia a alma, o tal espírito.

Na taberna El-Andaluz José Morgado realizou a síntese entre a boa mesa e o afeto que dedica aos convivas e que gera novos afetos entre os convivas.

Adivinha-se, quando a comida chega, o gosto na sua confeção; os que cozinham sabem o quanto lhes vai na alma quando oferecem aquela espécie de amor. Os que a recebem também veem nos olhos do anfitrião essa incandescente partilha dos alimentos e a satisfação pela partilha.

À mesa da taberna tudo é simples porque tudo é inventado ou reinventado a partir do que melhor tem a cozinha alentejana ou andaluz onde José Morgado mergulha.

 Os canapés de anchova são alimento de entes divinos, talvez arte aprendida na costa andaluza. Depois tudo o que no Alentejo é digno de se servir a preparar o prato maior: queijos, enchidos, pezinhos de porco, e outros inesperados esmeros que mais vale saboreá-los que nomeá-los como diria o nosso enorme Luís Vaz de Camões de quem agora se comemora os 500 de nascimento, sem que as autoridades se preocupem muito.

A tradição é a maior valência: galo do campo estufado, rabo de touro de lide estufado, sopa da panela, sopa de tomate, cozido de grão, e o mais que se encomende.

As sobremesas vêm do mesmo solo alentejano e em parte algarvio devido a uma costela de Dom José.

Lembrem, porém, que comer não é apenas mastigar, é muito mais. Comer numa mesa de amigos com o afeto do cozinheiro tanto na confeção como no entabular da conversa que só a comida, a amizade e o amor concedem aos que merecem.

Uma taberna de um tempo antigo atualizado no presente, onde a boa mesa e o bom convívio não nos elevam na nossa condição de humanos.

Talvez José Morgado um dia organize um simpósio para entre as gulodices de sua mestria se discuta o amor em todas as suas dimensões.

Aos ascetas fica o convite para se converterem à boa mesa e aos melhores afetos.

PS- Um clamorosos lapso obriga-me a vir substituir o rabo de porco por rabo de touro de lide, sem que tenha explicação para tal disparate.

El-Andaluz – a taberna da boa vida

No banquete de Platão os convivas apresentaram-se para comer, beber e discutir o que é o amor.

Em volta de uma mesa, um banquete entre amigos, deu o chão onde eruditos patrícios de Atenas se entretiveram a trocar argumentos sobre a importância do corpo e do espírito no amor.

Sócrates ergueu-se acima de todos os outros. Diotima (segundo vários autores, trata-se de Aspásia, a heitara – espécie de amante – de Péricles), atinge no simpósio uma elevada reputação pela sua explicação do que entende ser o mais importante no amor.  

O nosso cirurgião António Damásio explica-nos, salvo erro, a propósito do sistema nervoso entérico, a importância das vísceras na formação do sentimento de bem-estar.

Ora tudo isto para falar de uma taberna e de um mundo de afetos. Quem passar por Reguengos de Monsaraz tem a possibilidade de se sentar à mesa e desfrutar de uma boa comida servido pelo conductor da orquestra, o engenheiro José Morgado.

Platão menosprezava os sentidos. Ignorava o corpo enquanto realidade material e perseguia a alma, o tal espírito.

Na taberna El-Andaluz José Morgado realizou a síntese entre a boa mesa e o afeto que dedica aos convivas e que gera novos afetos entre os convivas.

Adivinha-se, quando a comida chega, o gosto na sua confeção; os que cozinham sabem o quanto lhes vai na alma quando oferecem aquela espécie de amor. Os que a recebem também veem nos olhos do anfitrião essa incandescente partilha dos alimentos e a satisfação pela partilha.

À mesa da taberna tudo é simples porque tudo é inventado ou reinventado a partir do que melhor tem a cozinha alentejana ou andaluz onde José Morgado mergulha.

 Os canapés de anchova são alimento de entes divinos, talvez arte aprendida na costa andaluza. Depois tudo o que no Alentejo é digno de se servir a preparar o prato maior: queijos, enchidos, pezinhos de porco, e outros inesperados esmeros que mais vale saboreá-los que nomeá-los como diria o nosso enorme Luís Vaz de Camões de quem agora se comemora os 500 de nascimento, sem que as autoridades se preocupem muito.

A tradição é a maior valência: galo do campo estufado, rabo de porco estufado, sopa da panela, sopa de tomate, cozido de grão, e o mais que se encomende.

As sobremesas vêm do mesmo solo alentejano e em parte algarvio devido a uma costela de Dom José.

Lembrem, porém, que comer não é apenas mastigar, é muito mais. Comer numa mesa de amigos com o afeto do cozinheiro tanto na confeção como no entabular da conversa que só a comida, a amizade e o amor concedem aos que merecem.

Uma taberna de um tempo antigo atualizado no presente, onde a boa mesa e o bom convívio não nos elevam na nossa condição de humanos.

Talvez José Morgado um dia organize um simpósio para entre as gulodices de sua mestria se discuta o amor em todas as suas dimensões.

Aos ascetas fica o convite para se converterem à boa mesa e aos melhores afetos.

NAS ASAS DO SONHO, CARÍSSIMA CARMO AFONSO

Há um sonho que nos move. Vem do primeiro sentimento humano. Talvez no exato momento que um humano se aproximou de outro para o ajudar.

Foram tantos os humanos sonhos que não caberiam nas páginas deste jornal. Vivemos sonhando. Imaginemos o sonho de Espártaco de libertar os escravos que fez tremer Roma e séculos mais tarde abolir a escravatura. Há sempre um princípio. O sonho dos servos da gleba. O sonho de ter trabalho e um salário. O das mulheres sufragistas. O de ter um país livre. E o de viver numa sociedade onde os direitos individuais e os sociais/culturais/ambientais caminhem sem se enfrentarem, o que ainda não aconteceu.

Tenho plena consciência do falhanço de um modelo totalitário que acabou conspurcando o ideal socialista. Mas atenção, todo o caminhar humano é imperfeito. Até o da Igreja, onde estariam os mais “puros”.

O grande erro foi congeminar que bastaria a vontade para que as coisas se passassem como estavam na cabeça de uns tantos dirigentes. Se repararmos somos feitos de muitas imperfeições. Felizmente.

O empedernido sonhador não vai deixar de sonhar enquanto caminhar nesta Terra. A sua pequenez no Universo não o impede de voar pelo próprio Espaço. Lá está, é o sonho.

Vem tudo isto a propósito de um texto da Carmo Afonso que admiro e leio o que escreve com grande lucidez e sabedoria.

E então qual é o propósito do a propósito? Simples – os comunistas não são uma espécie de espécie em vias de extinção, mesmo que as sondagens se confirmem em relação ao PCP, o que não se espera.

É que os comunistas não fazem só falta pela oposição aos aspetos mais negativos do capitalismo. Percebo-o para os que se afeiçoaram ao que A.C. designa como social-democracia europeia. Mas não me fico nesse apeadeiro. O sonho é mais longo.

O projeto dos comunistas (ou outro nome que venham a ter) afirma-se sobretudo pela positiva e não cabe apenas num partido, nem sobretudo num partido que a si próprio se atribui a representação quase exclusiva desse ideal.

O ideal socialista de que os comunistas também são defensores deverá consubstanciar mais direitos individuais e coletivos que os existentes no capitalismo, cada vez mais afastado da social-democracia, plasmado num modelo neoliberal (único) já sem o sonho de um mundo de paz como recentemente vimos no corrupio de dirigentes social-democratas para apoiar o carniceiro de Israel. Que é feito do sonho/legado de Olof Palm?

A vaga neoliberal que é a expressão do capitalismo atual, onde jaz a social-democracia, tem como objetivo restringir e, nalguns casos, liquidar direitos e liberdades, sobretudo os que constituíram alavancas para melhorar as condições de vida materiais e espirituais, e, na sua essência, empobrecer os assalariados e fazer das classes médias classes assalariadas, reduzindo-as substancialmente, ficando uma minoria de um por cento com a riqueza de mais de cinquenta por cento de toda a população mundial, como acontece.

É preciso alterar esta realidade, ganhando para um projeto político a imensa maioria dos que vivem do seu trabalho e as empresas produtivas. Numa perspetiva hegemónica gramsciana, as cabeças deverão ficar direitinhas nos pescoços de quem as tem, pois, como já vimos, não deu certo e a repetição seria ainda mais trágica.

Impõe-se, quase como dever kantiano, um outro mundo onde se possa ser mais humano, onde cada um não é o lobo que se abate sobre o seu companheiro de espécie, onde a meritocracia altamente duvidosa nos põe em guerra de todos contra todos.

Apenas uma simples pergunta (in)comodativa (?!): era mais fácil admitir na Antiguidade que um dia se viveria sem escravatura ou hoje que os seres humanos poderão optar por um regime de verdadeira igualdade social, onde todos não serão semáforos porque diferentes, mas iguais? Sempre que um homem sonha…

https://www.publico.pt/2024/01/06/opiniao/opiniao/asas-sonho-carissima-carmo-afonso-2075904

Jeová, Abraão, Isaque, Marcelo Rebelo de Sousa e o Génesis

E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isac, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi (Gênesis 22:2)

Se lermos com toda a atenção este ponto da Bíblia, não é pedido a Abraão que ele sacrifique qualquer Secretário de Estado, apenas seu filho a fim de provar quanto ele exigia a quem quisesse assegurar que O adorava.

Numa hermenêutica das declarações complexas de Marcelas, no Barreiro, ele deixou claro que, tal como Abraão, ele também sacrificava seu filho.

Mas fazia mais – sacrificava o filho e para agradar ainda mais ao Juiz Supremo que o elegeu, entregava a cabeça do Dr. Lacerda para que não houvesse dúvidas acerca da sua capacidade de denunciar os que servem para marcar consultas nas costa do Povo.

Veio, muito recentemente, envergonhado por ter de falar aos media, dizer que, apesar de tudo o que se passou, ele ainda gozava do apoio de sessenta e cinco por cento dos portugueses, isto porque a sondagem não incluiu Kiev, onde todas as velhinhas o adoram sem limites, faça o que fizer.

Tendo em conta os milhares de anos entre o episódio do Génesis e este agora na Capela das Ginjas no Barreiro, a conclusão é óbvia – vale a pena o sacrifício pelo Juiz Supremo. Talvez valha voltar à Cristina quando ela acertar contas com a SIC.