Nas folhas dos plátanos muitos são os meses a rasar
meses de sussurro
de encantamento
até amarelecerem de maduras
Quando ele louco e perdido de amor
já mais não pode
e leva-as nas suas asas
sem destino

O conflito entre Israel e os palestinianos resulta da violação do direito internacional por parte de Israel, seja negando a possibilidade da edificação do Estado palestiniano incumprindo a Resolução 242, seja quanto a Jerusalém Leste que deve ser a capital do futuro Estado, seja alargando os colonatos com colonos armados, seja pela negação aos palestinianos dos mais elementares e direitos (circulação, propriedade, organização). O facto de em Israel haver eleições (o que é positivo) não o absolve da ocupação ilegal da Palestina e dos crimes para a manter.
Só por acédia o Ocidente não o quer ver. Vale a pena recordar que Israel recusava qualquer negociação com a OLP porque esta não reconhecia a existência do Estado de Israel. Em Argel, em 1988, o Conselho Nacional Palestiniano reconheceu a existência de Israel e defendeu a solução para o conflito com a criação de dois Estados, Israel que já existia e a Palestina a criar. Foi assim removido o argumento que Israel usava para se apresentar ao mundo como vítima dos terroristas da OLP.
Apesar do passo certo dado pela OLP muito pouco mudou do lado israelita. É importante que se diga que para Israel era fundamental quebrar a legitimidade da OLP enquanto organização de cariz patriótico, laico e ligado aos países Não Alinhados. Por isso ajudou objetivamente a criar o Hamas, como é conhecido. Para quê? Fazia falta a Israel apresentar os palestinianos como uma organização fundamentalista, ligada a movimentos islamistas que defendem a aplicação da sharia. Neste contexto, arrastaram as negociações com Yasser Arafat para um beco sem saída, criando, face às violências diárias da ocupação, um desespero que o Hamas soube aproveitar.
Quando se realizaram trocas de cartas entre Yasser Arafat e Isac Rabin, reconhecendo a OLP Israel e Israel a OLP, como representante dos palestinianos, um judeu fanático encontrou maneira de assassinar Isac Rabin.
Daí em diante os dirigentes israelitas tudo fizeram para enfraquecer a OLP, sabendo que quem ganharia com a situação seria o Hamas. Na verdade, a política de negociações sem fim à vista e sem concessões minou o apoio francamente maioritário da OLP em Gaza e na Cisjordânia.
Em Gaza, o Hamas acabou por ganhar as eleições, o que constituiu motivo para Israel bombardear o aeroporto, cercar como se fosse uma prisão a céu aberto o território, e deixar os palestinianos cercados e humilhados na sua própria terra.
Israel precisava de apresentar ao mundo esta falaciosa premissa – ou nós ou a barbárie. Só o Hamas servia este desígnio.
Bastava que Israel abrisse as portas de Gaza, criasse as condições para aquela população desfrutar das mais elementares liberdades e o apoio ao Hamas ir-se-ia esfumando. Apesar de se realizarem eleições em Israel há mais de cinco mil presos palestinianos.
Israel não quer lidar com organizações moderadas e democráticas palestinianas, quer lidar à lei da bomba e, por isso, o Hamas é a organização que lhes serve às mil maravilhas, mesmo quando a criatura ultrapassa todos os limites do criador.
Há quem queira passar por cima desta realidade tentando sem qualquer utilidade fazer dos outros idiotas, defendendo a barbárie necessária contra a barbárie desnecessária. Como se a barbárie de assassinar civis israelitas justificasse a barbárie de lançar o equivalente a duas bombas atómicas como a que explodiu em Hiroshima, ou seja, mais de 25.000 toneladas de explosivos sobre uma população indefesa.
Até Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, resolveu fazer de extremista e pedir moderação com o argumento de Israel está a cometer toda aquela barbaridade porque os palestinianos estavam mesmo a pedi-las e começaram. Cavaco nunca condenou o regime do apartheid, MRS também não condena a barbárie levada a cabo por Netanyahu. Como é possível falar de moderação…70 toneladas de explosivos por quilómetro contra os palestinianos. 4000 mil crianças mortas…Que crueza imoderada.
https://www.publico.pt/2023/11/09/opiniao/opiniao/palestina-imoderado-marcelo-nao-so-2069583
Circula como verdade suprema a ideia nascida e desenvolvida no Ocidente de que as democracias são contra as guerras, as quais, por sua vez, são apanágio dos regimes autocráticos.
É necessário desfazer este enorme embuste que não resiste à menor investigação. Na verdade, regimes democráticos liberais desencadearam guerras brutais para defender os seus interesses de potências coloniais ou neocoloniais.
Na Indochina a França colonial deixou as horrendas marcas da guerra colonial contra o Vietname entre 1946 e 1954 com 500.000 vítimas.
Com De Gaule como Presidente da República travou uma guerra para manter a Argélia como colónia francesa (entre 1954 e 1962), sem a qual não sobreviveria, segundo o governo francês. O balanço da guerra foram 300.000 argelinos e 27.500 franceses mortos.
Quantos milhares de mortos causou a democrática Inglaterra na India, Birmânia, Quénia, Rodésia, Chipre para impedir a independência destes países?
No século XX os EUA quantas guerras de invasão levaram a cabo com milhões de mortos, designadamente no Vietname? E a invasão do Iraque com cerca de 500.000 mortos?
Israel, com eleições de quatro em quatro anos, ocupa militarmente contra Resoluções do Conselho de Segurança da ONU territórios da Palestina, os Monte Golan da Síria, prossegue a ferro e fogo a expulsão dos palestinianos das suas propriedades e tem seis mil presos políticos nas prisões.
A democracia israelita permite aos seus militares assassinarem a sangue-frio mais de três mil crianças, indefesas, desde 7 de outubro na Faixa de Gaza.
A toda a hora as televisões fazem passar este horror e do que mais será preciso Israel fazer ainda para que no interior de cada um de nós, na nossa humanidade, nos faça dar a mão às vítimas desta barbárie?
Os ataques cruéis do Hamas contra civis que nada tinham e têm a ver com a ocupação israelita merecem igualmente a frontal condenação. A luta de resistência contra o ocupante não pode ser cega e não justifica ações terroristas contra inocentes.
Mas (há um mas) a raiz de todos os males reside na ocupação de território. O direito internacional é, a cada segundo, violado por Israel cuja segurança a que tem direito não pode assentar na total insegurança dos palestinianos e dos países vizinhos.
As proclamações de vingança por parte dos dirigentes israelitas transportam-nos ao mundo da linguagem própria da Antiguidade. Entre as proclamações dos fanáticos islamistas e as dos fanáticos sionistas onde está a diferença? A exortação da morte e da violência gratuitas faz os fundamentalismos dos dois lados aproximarem-se e darem a mão contra o humanismo e o respeito por todos os seres humanos e contra a existência de dois Estados, Israel e Palestina, tal como decorre do direito internacional. Talvez este fanatismo explique o assassinato de Isac Rabin às mãos de um judeu fanático.
Como se pode apresentar ao mundo um povo cercado a céu aberto a sofrer bombardeamentos brutais como sendo uma punição coletiva como um direito de defesa coimo fez Biden, Von Leyen, Scolz, Macron, Sunak e outros? Como?
Como pode o Ocidente achar que Israel pode fazer o que está a fazer, confundindo esta barbárie como sendo o Bem contra o Mal?
Netanyahu, o homem que quer escolher os juízes para o julgar e absolver dos crimes de corrupção, aponta a solução para o problema palestiniano que Hitler apontou para os judeus, o extermínio. O ódio aos palestinianos está-lhe impresso em todos os gestos.
Israel pode reduzir Gaza a escombros se deixarem. Quantas mais mortes inocentes Israel provocar para espezinhar a vontade palestiniana de ter o seu Estado independente nos territórios ocupados, maior será o seu próprio sofrimento futuro. Pode parecer ao mundo ocidental que ter bombas nucleares e exércitos poderosos é suficiente para seguir dominando, mas não é.
As democracias liberais derrotadas nas guerras coloniais foram derrotadas em momentos bem mais difíceis para os povos da Indochina e de África.
As barbaridades dos ataques a Gaza farão acordar os adormecidos e os anestesiados. Os seres humanos ainda não estão dominados por forças ou mecanismos que lhe retirem a sua humanidade e os sentimentos de justiça e de equidade.
É inaceitável que em nome de uma guerra de ocupação se entenda a passadeira da democracia para os militaristas a atravessarem como se fossem inocentes. As democracias têm nas suas entranhas crimes violentos, como algumas delas apoiarem o regime brutal do apartheid que manteve Mandela mais de vinte anos preso.
A referência à qualidade do regime não é por si suficiente para o isentar de julgamento e eventual condenação em muitas guerras levadas a cabo por países onde tinham lugar eleições, basta ter em atenção que de um lado e outro das barricadas na primeira guerra mundial estavam países onde havia eleições.
O facto de em Israel terem lugar eleições não apaga de modo nenhum a ocupação que leva a cabo nos territórios palestinianos ocupados depois da guerra de 1967.
Os povos colonizados que lutavam pelos seus direitos nacionais, segundo esta peregrina ideia, nunca poderiam resistir à ocupação porque do outro lado estava um país onde se realizavam eleições. Este absurdo jaz algures no caixote do lixo da História, malgrado os defensores do colonialismo de Israel o ressuscitem. E, em seu nome, ressuscitem proibições das liberdades essenciais como a de cada se poder manifestar de acordo com os seus valores e consciência. É preciso que a coragem dos corajosos volte a fazer valer a força da razão contra a linguagem da violência e da morte, pois a paz é o caminho de toda a esperança.
Uma das características dos seres humanos é pensarem. Podem agir mediante um pensamento no fim pretendido com essa ação, desde o simples ato de colher uma rosa, enxotar uma mosca até escolher em quem votar para governar e estudar parar obter o grau académico.
Nas sociedades governadas de modo repressivo e opressivo quando essa repressão e opressão atinge níveis difíceis de suportar, como é do conhecimento histórico, os oprimidos revoltam-se.
Bertold Brecht escreveu algo luminoso sobre este fenómeno – Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem – e na verdade poder-se-á falar de situações limites de violência extrema verificadas no nosso caminho humano e que desaguaram em ações de uma violência inaudita.
Se se pudesse simplificar de um modo corriqueiro dir-se-ia que a violência gera violência.
A Faixa de Gaza com cerca de dois milhões e trezentos mil habitantes numa área de trezentos e sessenta e cinco quilómetros quadrados, constitui uma prisão a céu aberto capaz de criar um desespero absolutamente inimaginável e degradante para alguém que na sua terra vive preso e humilhado que a cada dia que passa vê os seus filhos e irmãos serem presos e torturados por terem nascido na sua bem antiga e amada pátria, Falestinia, Palestina em árabe, e que Cristo pisou.
Ademais, o direito internacional, por via das Resoluções do Conselho de Segurança, que implicaram unanimidade, consideraram que Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Leste são os territórios palestinianos onde deve ser instaurada a soberania de um Estado palestiniano.
Acresce que Israel não só não cumpre o determinado nas Resoluções como ocupa os Montes Golan da Síria e parte do Líbano, tendo neste país cometido um dos mais bárbaros massacres de que há memória num campo de refugiados em Sabra e Chatila, situado na periferia de Beirute, perpetrado entre 19 e 20 de setembro de 1982 com cerca de 3.500 vítimas, tendo-se distinguido nesta barbaridade Ariel Sharon, um sionista de primeira gema. Israel é um Estado fora da Lei.
Como não sentir uma mágoa a raiar a revolta aberta por não recordar por parte do Ocidente declarações de apoio à resistência libanesa e palestiniana face a esse massacre? Tudo se passou como se nada se tivesse passado, a vida de um palestiniano não vale uma dor de cabeça. As vidas humanas segundo os cristãos ocidentais que nos governam estão divididas do seguinte: a dos nossos amigos e aliados valem guerras, sanções, noticiários exasperados, consciências doridas, as dos outros não existem. Quantos milhares de vidas palestinianas assassinadas às mãos dos ocupantes israelitas são necessárias para que a diplomacia dos “valores ocidentais” seja capaz de criticar o extremista e prepotente Netanyahu, o corrupto que quer ser ele a escolher os juízes que o hão de julgar?
Quem nos garante que este ataque do Hamas não tem a ver com o seu isolamento em Israel?
Quem se esqueceu que a seguir ao 11 de Setembro Bush invadiu o Afeganistão e o Iraque?
Voltando ao princípio e à nossa capacidade de pensarmos e nessa senda recordaremos que o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica, em árabe) foi criado em dezembro de 1987, logo após a 1ª intifada liderada pela OLP, em 09/12/1987.
Na altura fazia parte da Conferência Popular arabo-islâmica, cujo Secretário-GeraL era o famoso islamista Hasan el Tourabi, ex Presidente do Sudão, que introduziu a pena de morte por enforcamento por apostasia para todos os muçulmanos que abandonassem a religião muçulmana.
A sua criação visou contrabalançar o forte apoio da OLP nos territórios ocupados. Teve o apoio de Israel, Jordânia e Arábia Saudita e dos Irmãos Muçulmanos do Egito.
Depois do atentado de um judeu sionista contra Isac Rabin, seguido da vitória eleitoral de Netanyahu reforçando a extrema-direita em Israel, assistiu-se a um reforço constante das posições extremistas e fundamentalistas islâmicas do Hamas.
Os dirigentes israelitas apostaram na violência para conter a revolta palestiniana, o que assimetricamente levou à conquista de apoio por parte do Hamas, exatamente porque a OLP com esta política de Israel ficou sem nada para negociar; até porque Israel preferia ter do outro lado o Hamas, preterindo a OLP.
Israel e o Ocidente “engordaram” os islamistas e impediram a criação de condições para negociar um Estado palestiniano laico, democrático, mesmo limitado na dimensão.
A resistência palestiniana está numa situação tremendamente difícil e ao que parece sem saída. Vejamos.
Primeira questão: é possível obter uma vitória militar sobre Israel? Sinceramente julgamos que não vai ser possível e jogar essa carta é condenar a Palestina a agonizar muitas mais décadas.
Este enfrentamento do Hamas com Israel causou enormes danos ao ocupante, mas é muito mais fácil recompor-se do que os palestinianos que vão sofrer a crueldade dos desmandos israelitas, salvo se os palestinianos de Gaza e Cisjordânia se levantassem e se envolvessem unidos nesse propósito. Se a assim não acontecer, a luta neste terreno favorece Israel.
Segunda questão: Não sendo por via militar, que via seguir? Quando na India, Gandi enveredou pela resistência pacífica muitos se riram, mas a verdade é que veio a resultar.
Na verdade, só um movimento amplo, democrático, popular englobando todos os palestinianos nas suas diversas convicções políticas e religiosas pode ter sucesso no enfrentamento com Israel.
A experiência da luta palestiniana mostra que as diversas Intifadas não lograram o sucesso pretendido, mas será sempre tanto mais vitoriosa quanto mais ampla for e essa experiência assinalou quebras na unidade que favoreceram o ocupante israelita, designadamente entre a OLP, a Jihad e o Hamas.
Um inimigo tão poderoso quanto o Estado Israelita exigirá do movimento palestiniano uma unidade à prova da independência e de uma solidariedade internacional eficaz.
As ações terroristas do Hamas que não distingam os inimigos dos inocentes dão força aos sionistas e “justificam” a ladainha ocidental de apoio à ocupação.
O terrorismo não constitui nos seus pressupostos um movimento de libertação. O assassinato de inocentes que nada têm a ver com o poder do ocupante é um ato cruel que cava o isolamento de quem o comete e só merece a condenação.
O clássico dos clássicos revolucionários, Ullich Ulianov, teve na família vários combatentes contra o czar, incluindo o irmão mais velho, Alexander Ulianov, que tentou assassinar o czar e foi enforcado. Lenine não seguiu esse caminho.
O terrorismo na sua essência despreza o trabalho em profundidade, próximo das populações que pretende libertar; funda-se em ações que podem ter grande impacto mediático e político, mas desarticuladas da vivência das massas populares absolutamente imprescindíveis para atingir o fim da ocupação.
As ações terroristas palestinianas no passado não deram os frutos desejados, o que não significa (e se rejeita a ideia) que não se use a violência contra os ocupantes, tudo dependerá do modo e das circunstâncias. Outra coisa é programar assassinar inocentes que nada têm a ver com o poder ocupante. Tais ações só fornecem pretextos aos ocupantes para agravar a brutalidade da ocupação.
É à resistência palestiniana que cabe escolher os caminhos, mas os amigos da causa palestiniana que com ela são solidários podem pensar em voz alta. Não está escrito que a resistência tenha de ser exclusivamente de certo modo, por exemplo, através de um enfrentamento armado. Se de lado do ocupante ele dispõe de uma superioridade brutal, provavelmente o caminho por aí está fechado, mas não é o único.
Na África do Sul foi a combinação de várias formas de luta que abriu o caminho do fim do apartheid.
Em Timor-Leste foi mais útil o caminho de mobilização das massas timorenses que o da luta armada, embora a mobilização das populações viesse na sequência da luta nas montanhas de Timor Lorasae .
Combater um inimigo tão poderoso exige muita unidade e inteligência para enfraquecer e isolar os ocupantes que não são todos os israelitas, apenas a minoria que apoia a ocupação.
Exige a denúncia da hipocrisia ocidental que envia quase todo o armamento que tem para a Ucrânia e para a Palestina envia fome para os palestinianos e armas para Netanyahu, que glorifica ataques ao território russo com drones que matam civis e que considera barbaridades os drones do Hamas e promete armas aos ocupantes sionistas.
Este é o mundo em que vivemos. É triste que a vida de um jovem morto pelo Hamas numa rave seja para o Ocidente uma vida de um humano diferente dos milhares de vidas de jovens palestinianos, quando na verdade são vidas de seres humanos.
Arafat e Rabin tiveram a coragem de entregar um ao outro um ramo de oliveira. Os sionistas mataram Rabin. E perdeu-se a oportunidade. Como não acreditamos no Mito de Sísifo esperamos que o povo palestiniano se una como um bloco e enfrente a ocupação corajosamente. Se o fizer estará mais perto da vitória. O terrorismo levará à manutenção da ocupação e ao seu reforço. Nenhuma minoria desligada dos palestinianos resolverá o problema da ocupação. Ações espetaculares desligadas do movimento emancipatória não parece que conduzam à vitória. Que a Palestina conquiste o seu mais elementar e simples direito, ao de existir sem ocupação.
O Cáucaso, região historicamente altamente cobiçada, palco de tantas guerras, é a ponte entre a Ásia e a Europa por via terreste. A rota da seda atravessou a região.
Foi palco de invasões e conquistas ao longo da História – gregos, romanos, mongóis, árabes, persas, turcos, russos, sós ou aliados tentaram dominar a região.
Nestas guerras de domínio, as religiões estiveram sempre presentes (paganismo, zoroastrismo, sunitas, chiitas, cristão ortodoxos e arménios), sendo o maior confronto entre cristãos e muçulmanos.
As deportações eram banais nos vários impérios que dominaram o Cáucaso e a URSS não ajudou a sarar feridas, nalguns casos juntou-lhe sal, designadamente com Staline e a deportação de um lado para o outro de povos em troca de paz com os contendores de sempre – russos, soviéticos, turcos e iranianos.
A guerra na Ucrânia ainda tornou o Cáucaso mais central na geopolítica – a proposta da nova rota da seda torna inevitável atravessar a região.
A Rússia pela sua situação geográfica e pela sua História não deixa de ter em conta o envolvimento dos EUA/NATO nestas paragens e, por outro lado, tem dificuldade em manobrar pela guerra que conduz na Ucrânia e pelas suas alianças mais ou menos ambíguas, como são exemplos com o Irão e a Turquia.
A implosão da URSS levou à independência por referêndum da Arménia, Geórgia e Azerbaijão, entre outras Repúblicas. Só que no Azerbaijão manteve-se o famoso enclave de Nagorno-Karabah com população arménia, sendo que esta população criou o seu próprio Estado dentro do Azerbaijão (Artsakh), saído da guerra em 1988 e declarando que o enclave fazia parte da Arménia. Ou seja, a ONU reconhecia o Azerbaijão onde se incluía Nagorno-Karabah, mas este enclave era dirigido pelos arménios. Tal facto deveu-se à ajuda da Rússia em 1988 que conduziu à derrota militar dos azerbaijanos – 30.000 mortos.
Entretanto, o Azerbaijão com muito mais recursos (gás e petróleo) e capacidades tecnológicas e mais população, o triplo da Arménia, em setembro passado esmagou a direção político/militar de Nagorno-Karabah onde pontuavam oligarcas e alguns indivíduos sem escrúpulos.
O Azerbaijão concretizou o seu velho sonho de expulsar do seu território os arménios do enclave de Nagorno-Karabag.
Estive nos dois países neste final de setembro e início de outubro e as campanhas belicistas de um lado e outro eram mais que evidentes. Do lado do Azerbaijão as bandeirolas nos prédios e os recibos das compras continham a frase – Karabah é do Azerbaijão; do lado dos vencidos, placas a manifestarem o apoio ao Artsakh.
Parece ser claro que o governo de Pashinyan (1º ministro da Arménio) tinha consciência da sua impossibilidade de fazer frente ao Azerbaijão. Iniciou uma manobra que consistiu em fazer crer que a esperada derrota arménia resultou da falta do empenho da Rússia em defender os arménios (tradicional aliado da Arménia), aproximando-se dos EUA, realizando exercício militares conjuntos, enviando a esposa a Kiev para apoiar Zelenski e fazendo lançar nos media uma campanha contra a falha da Rússia e que teve o apoio do N.Y. Times e outros grandes jornais ocidentais, em países onde a diáspora arménia é muito significativa (EUA e França). Realça-se a impressionante campanha em torno da adesão da Arménia ao TPI, apesar de um quarto dos votos contra no parlamento arménio.
A eventual mudança de aliado da Arménia trocando a Rússia pelos EUA e França, ou a chantagem e manobrismo, veio trazer à região este novo ator de peso e fazer escalar a tensão entre aquelas duas potências.
Na verdade, a Turquia apoiou a investida azerbaijana que teve outro apoio relevante, Israel. O equilíbrio da região reforçou o peso do Azerbaijão e da Turquia. A Rússia conta com uma certa neutralidade turca na guerra da Ucrânia. É evidente a afirmação turca como potência regional, competindo com o Irão e a própria russa a prazo.
A entrada dos EUA na região a partir da Arménia vai agravar a tensão com a Rússia noutra zona crucial do planeta, será por ali que passará a nova Rota da Seda que entusiasma chineses e russos.
A guerra na Ucrânia tem tendência a alargar os seus limites, este é um perigo muito sério a ter em conta.
Acrescente-se a tudo isto a guerra no Médio-Oriente, iniciada no sábado passado, e que resulta da ocupação dos territórios palestinianos, colocando-se o Ocidente, neste caso, do lado dos ocupantes israelitas. Independentemente das formas de luta do Hamas, há por parte de Israel o incumprimento da Resolução 242 do Conselho de Segurança aprovada em 1967, por unanimidade, e que reconhece o direito à independência da Palestina nos territórios ocupados depois dessa guerra.
https://www.publico.pt/2023/10/10/opiniao/opiniao/caucaso-medio-oriente-arder-2066182
O ruído está a tomar conta da luta política. Quase só existe o que faz muito ruido e o que os media noticiam. Nos partidos que governaram o país nos últimos 48 anos, a imagem que pretendem passar é a de uma oposição permanente entre eles, salvo o compromisso de fidelidade à NATO e à U.E.; os interesses portugueses diluem-se nesta fidelidade.
Por outro lado, é interessante verificar que no plano comunicacional essa chinfrineira esconde por exemplo que a maioria das decisões da AR tem os votos favoráveis do PS e do PSD.
Como a globalização e as diretivas da U.E. limitaram bastante as possibilidades das opções políticas de fundo, torna-se necessário aumentar o volume dos decibéis para que as gritarias apareçam como diferenças. Neste domínio o Chega já descobriu o filão.
O espaço de intervenção dos atores políticos obrigou-os a acotovelarem-se para ganhar audiência.
PS e PSD empurram-se mutuamente. O PS empurra o rival para a direita. O PSD o PS para a esquerda. Na sua histeria anticomunista Montenegro acusou o PS, a propósito da Lei da Habitação, de ser comunista. Bastou ler algo que contrariava num ou noutro aspeto os interesses dos senhorios (prédios devolutos) para vir em gritaria acusar o PS de práticas bolchevistas.
À esquerda, PCP e BE fazem de conta que o outro não existe para ver se de facto, deixando de existir, permitirá a um deles sentar-se nas cadeiras vazias. Uma verdadeira lição de sectarismo, tendo em atenção os valores que cada um defende.
No plano interno partidário praticamente ninguém vai por militância a reuniões para participar na definição das orientações dos partidos respetivos. Os partidos tornaram-se máquina de mobilização de fidelíssimos militantes, simpatizantes e interessados.
Para os grandes e verdadeiros problemas: pobreza, saúde, educação, habitação, justiça, desertificação e inverno demográfico, constata-se que a luta se trava através de um inumerável rosário de acusações, sem apresentar programas concretos que mostrem onde estão as diferenças. As diferenças assentam mais na modulação do som do que na substância do género – Costa não tem coragem; eu sou fazedor, diz o outro.
O PS e o PSD afirmam defender o SNS, mas o que é para cada um deles o SNS? Um serviço burocratizado, sem inovação, sem investimento, sem qualidade, destinado aos mais pobres, obrigando os restantes a bater à porta dos seguros de saúde num país em que em cada 3, 1 é pobre? Um serviço para servir os privados? Precisamos de ser esclarecidos e não fintados.
Na habitação vale tudo menos a verdade, como se o ruído acerca do que se anuncia há muitos anos fizesse nascer casas. O PS votou contra a Lei Cristas, mas no governo não lhe mexeu.
No plano da Educação é simplesmente um jogo de esconde-esconde. O governo do PSD por ordem da troica congelou totalitariamente parte descontos dos professores de modo a impedi-los de atingir o topo da carreira, opondo-se o PS na altura a tal decisão. Agora o PS no governo não desfaz a injustiça e o PSD clama conta a atitude do PS que não reverte a sua decisão. Brilhante.
Na Justiça, o Estado ganha dinheiro com as custas judiciais elevadíssimas para impedir os cidadãos de ter acesso a Justiça. Revela incapacidade para ter os tribunais a funcionar em tempo decente é uma marca dos últimos quarenta anos. Pode-se viver sem justiça, mas vive-se muito mal. Até agora estes partidos têm sido incapazes. E os outros que mobilização fazem contra este charco?
Qual é a dificuldade, a não ser por puro fechamento, dos partidos se entenderem para melhorar abonos de família e certas prestações sociais para os portugueses criem condições para aumentar a natalidade?
Como aceitar que não haja na AR um grupo de trabalho com deputados de todos os partidos para estudar e propor medidas para o país não cair ao mar e para fixar gente no interior do país, ou seja, num raio de 150 quilómetros em vez de 50? Se aumentar a população no “interior”, em breve diminuirá significativamente o número de incêndios e o impacte no clima far-se-á sentir positivamente. Não dá votos e mesmo os que se dizem não eleitoralistas, na hora da verdade investem onde há gente.
Há guerra na Europa. Que se discute em termos da procura de uma solução que salvaguarde a paz? A gritaria no lado ocidental não se distingue da do outro lado, até na censura. O insuportável ruído favorável à guerra continua.
Marques Mendes, Francisco, Assis e Sérgio Sousa Pinto tiraram o bilhete para ir falar aos 150 jovens liberais reunidos no Estádio Nacional tal era a imponência do acontecimento.
Pelos vistos, partindo do que os media deram notícia, estiveram de acordo que há Estado a mais. Nenhum disse onde havia Estado a mais, o que leva a pensar no estado de espírito que tomou posse destes oradores na plateia juvenil.
Marques Mendes desempoeirado, no meio dos liberais, com todo estrondo descobriu algo que até hoje nenhum pensador tinha atingido – é preciso ambição e coragem (não se sabendo se era o seu inconsciente em luta com o subconsciente no que toca a uma certa eleição).
Na verdade, sem coragem e sem ambição o que pode fazer um político? Talvez dedicar-se ao futebol… Mas isso não era para ali chamado. Marques Mendes acrescentou – agir, decidir, reformar. Extraordinário. Nunca até hoje se aglutinara num só homem tanta sapiência, pela simples razão que até hoje ao cabo destes 50 anos ninguém teve coragem, nem agiu, nem decidiu, nem reformou, nem ele, quando foi Ministro e Presidente do PSD.
Mas as pérolas continuaram num arranque notável de profundidade máxima, o país precisa de crescer. Que se saiba até hoje nunca nenhum político o tinha dito, nem o homem que ele substituiu no comentário aos domingos.
Com estes acometimentos que tinha para dizer o dirigente do PS, Francisco Assis, que lhe desse o relevo que justificasse a sua presença no conclave? O socialismo democrático exige prosperidade como na Suécia. Por cá, escrevo eu, 1 em 3 portugueses é pobre, donde socialismo tem de esperar pela maior concentração de riqueza para daqui a várias décadas, então sim a distribuição começar a fazer-se a sério.
Por acaso, a riqueza e prosperidade da Suécia foi feita também com base num setor público forte a seguir à 2ª guerra mundial e na distribuição de rendimentos a partir da riqueza criada pelo setor privado, público, cooperativo e até misto. Foi essa política que levou os escandinavos a serem hoje os países com melhor nível de vida. É dos cânones social-democratas, ou Olof Palm era bolchevista?
Como se sabe em Portugal a imensa maioria da população empobrece e uma ínfima minoria torna-se cada vez mais rica porque exatamente o Estado lhe proporciona essa possibilidade.
Há cerca de 10 anos os bancos foram ao charco e que fez o Estado? Sacou o dinheiro privado dos cidadãos e entregou-o aos banqueiros que hoje se apresentam como grandes gestores. Louvada seja a coragem de Marques Mendes que em relação ao BES garantiu na tv onde comenta que esse banco estava mais que seguro.
Pelos vistos, não interessa a falta de riqueza para a sacar aos cidadãos e entregá-la singelamente àqueles que todos os meses sobem ufanos a taxas de juros para continuarem a guardar os lucros cheios de ambição e coragem.
Deve ser, por isso, que outra alta figura do PS foi tomar a palavra no Encontro de 150 jovens liberais para clamar contra o excesso de Estado, sem que os media apresentem onde há excesso de Estado, eventualmente porque Sousa Pinto achava que ali o que caía bem era o excesso de Estado.
Que bem andam os nossos socialistas e o nosso social-democrata. Qualquer dia pedem para se considerarem simpatizantes, que é um estatuto com ambição e corajoso, pelo menos ficamos a saber de que é feita a ideologia de cada um.
E não se esquecem, quem realmente distribuiu o pouco que cada um tinha para chegar aos 24.000.000.000 foi o Estado para o entregar aos pobrezinhos e sem que a Isabel Jonet se tenha posto em campo a tempo.
Sempre que uma alta figura ocidental viaja a Kiev ( perdão, salvo se for o nosso Marcelo, por causa dos afetos) acontece algo de extraordinário para justificar o anúncio que Blinken fez de um novo pacote de “ajuda” em armamento de mil milhões de dólares.
A Ucrânia acusa a Rússia de ter bombardeado um mercado em Donetsk e de imediato uma caterva de jornalistas assume essa acusação e leva-a para um bombardeamento de cidadãos ucranianos por um míssil russo.
O míssil é um AGM-88-HARM de fabrico norte-americano e empregue contra sistemas antiaéreos e pelo trajeto veio do lado ucraniano, portanto, não se compreende (ou compreende-se a pressa) na atribuição da autoria.
Como o Sr. Germano de Almeida da sua cadeira de Lisboa sabe quem foi, declarou que Putin já não pode sentar-se com mais Chefes de Estado, assim, tal e qual. Germano dixit…
Não é que o que ele diga tenha grande importância, o que pode ser importante é o modus operandi, o que leva à transmissão de um conclusão antes do facto estar apurado quanto à sua origem.
Seja quem for o autor é indiscutível de que se trata de um crime horrível. Mas, nós vivemos neste mundo e apesar desta engrenagem quase selvática de bombardeamentos constantes acerca do bem e do mal, valerá a pena recordar os inúmeros bombardeamentos de mercados, casamentos, hotéis, culminando com o bombardeamento do abrigo antiaéreo de Amiryiah com duas bombas inteligentes guiadas a laser GBU-27 Payveway, e que matou 400 a 1500 iraquianos que ali se abrigavam.
No liberal e democrático Ocidente tudo se desculpou. Donald Rumsfeld considerou aqueles bombardeamentos humanitários. Tudo explicado.
Acha o senhor jornalista Germano de Almeida que Bush tinha condições para se encontrar com outros Chefes de Estado? Acha que Biden tem condições para se sentar com outros Chefes de Estado sem apresentar as desculpas óbvias? E acha que Bush que ordenou a invasão com base numa mentira do tamanho do mundo deve ir a julgamento? Sozinho ou com Blair, Aznar, Durão Barroso e Paulo Portas?
Fale a sua consciência dorida de um lado.
Ronaldo quando ganhava bolas de ouro e competia taco a taco com Messi falava pouco e marcava muito.
Quando a idade não perdoou e na Europa as equipas de relevo não o quiseram, pelo ego de Ronaldo não caber no balneário, teve de ir bater a outra Liga, com treinadores no mesmo registo – sem mercado.
Ronaldo está na Arábia Saudita onde o futebol praticado é, se comparado com a Europa, confrangedor. Basta ver um jogo. Adormece.
Ronaldo encarna uma daquelas personagens que se fixa a um passado e dele fica prisioneiro. No caso é a mania da grandeza que o impede de viver tranquilo dentro de si. Busca o que não voltará por total impossibilidade, a idade não para.
Um português, capitão da seleção nacional, que para justificar a descida de divisão afirma que a liga saudita está acima da liga portuguesa não está bem de cabeça, talvez que tantas cabeçadas vitoriosas o tenham feito perder a racionalidade. Os tentos tiraram-lhe o tento.
Há uns anos tolerava-se a Ronaldo o narcisismo, vindo de onde vinha e sobretudo porque era uma máquina de marcar golos. Agora corre a justificar-se e para tanto precisa de desqualificar o que tem outa qualificação no plano da qualidade.
A inveja dá cabo da cabeça a qualquer um, mesmo a uma cabeça que ficou mais conhecida por marcar muitos golos do que por pensar. Pelos vistos nem os duzentos milhões de euros por ano o deixam tranquilo; a inveja tem destes males. E ainda é tão novo…
Quando um governo é eleito a partir de uma maioria obtida por sufrágio universal a sua razão de ser e o seu objetivo é a defesa da Constituição, (a lei das leis) do país, do povo e dos interesses nacionais. No fundo aqueles que ninguém mais defenderá a não ser os portugueses e as instituições que têm essa missão, independentemente de darem cumprimento a esse nobre desígnio.
O facto de participarmos na U.E., na NATO, ou em qualquer outra estrutura internacional, com mais ou menos parceiros, é absolutamente certo que continuam a existir no contexto internacional interesses próprios e únicos de Portugal e dos portugueses.
Os interesses portugueses podem defender-se melhor ou não nesta ou naquela aliança internacional, mas seguramente não se diluem na aliança ou bloco, tanto mais quanto todas as alianças têm quase sempre um parceiro preponderante, sendo até que no caso da NATO os EUA pretendem através dela impor a sua leadership no mundo, dado até hoje todos os governos estadunidenses desde o século vinte o afirmarem como sendo a sua missão.
O caso da Alemanha dentro da U.E. é também claro, atribui a si própria o papel de locomotiva e, aquando da crise financeira que determinou a vinda da troica ficou claro o papel suserano daquele país e os pesados sacrifícios impostos aos portugueses para salvar os bancos e banqueiros, alguns deles mais tarde descobertos como verdadeiros criminosos.
Quando se fala no Ocidente e nos chamados direitos é preciso que se diga que realmente no Ocidente, principalmente na Europa, foram sendo conquistados direitos que deviam ser património da Humanidade.
Mas a História não é linear e está cheia de contradições – na fundação da NATO entrou uma cruel ditadura que reprimia e oprimia o povo português e os povos das colónias. Aí os valores cederam, como cederam em tantas outras ocasiões, basta recordar a criminosa e brutal guerra colonial na Argélia ou na Indochina ou mais recentemente as invasões do Iraque, Líbia, Síria e os bombardeamentos da Jugoslávia.
Certamente que é necessário ter presente todos os interesses em jogo e as possíveis soluções mais ou menos favoráveis a Portugal, mas os interesses de Portugal são os de Portugal não são os da Austrália ou da França ou de outro país qualquer.
Os seus aliados viraram as costas a Portugal na sua luta pela independência de Timor e apoiaram quase até ao fim a guerra colonial.
No conflito militar que opõe a Ucrânia à invasão russa a nossa posição não tem de ser a da NATO ou da U.E., antes a que melhor defenda os portugueses e Portugal, desde que consentânea com o direto internacional, pois ao contrário do que afirmou o PR das Selfies a fronteira de Portugal é com Espanha e não passa de uma posição bacoca de tão vassala ao Big Brother que envergonha não só quem a proferiu, como a própria imagem de Portugal. Um país com as Forças Armadas depauperadas e cada vez mais ao serviço dos interesses das grandes potências e das suas missões em África e por todo o mundo devia saber prestigiar-se na arena internacional e entre os povos do mundo.
Ao fazer de galo quando não passa, a esse nível, de um garnisé, dá sinais do seu destrambelhamento e até da total incapacidade para ser capaz de condecorar o homem que rivaliza com MRS no ecrã televisivo, nem que seja por causa dos Panama Papers.
Marcelo não defendeu os interesses portugueses nem Portugal, defendeu, isso sim, os interesses do Big Brother na sua cruzada para combater a Rússia até ao último ucraniano.
Em qualquer aliança que estejamos e sejamos obrigados ipso facto a defender o chefe da aliança não serve a Portugal.