Diz-me quem escolhes, dir-te-ei quem és

Maria Luís Albuquerque é a candidata a Comissária europeia devido às suas extraordinárias qualidades, alegou Luís Montenegro.

Que conhecem os portugueses de Maria Luís? A sua implacável tenacidade para aplicar a política de empobrecimento da troica e de ir para além da própria troica, como braço direito do grande castigador, Passos Coelho.

Tirando isso, o seu zelo ao serviço de grandes empresas privadas, e a briga com Portas, nada mais se conhece da senhora.

Assim é altamente provável que a Professora vá para Bruxelas defender o empobrecimento dos europeus e o enriquecimento das empresas financeiras para as quais trabalhou.

Tudo bate certo na escolha do homem, líder do grupo parlamentar do PSD, que dizia na altura do protetorado da troica que o país estava melhor, mas os portugueses não o sentiam.

A Comissão vai ter guerreiras e guerreiros ao serviço do militarismo e do empobrecimento ao serviço do domínio do Big Brother estadunidense. Maria Luís já está equipada a rigor.

EASYJET

Os novos piratas do ar na esteira de Sir Francis Drake e os lambe-cus.

As chamadas companhias aéreas de “baixo custo” proporcionaram um enorme acréscimo de viajantes, designadamente no continente europeu.

Muitas delas, a partir de certa altura, para conseguir o lucro máximo, nova fé única que varre o mundo, começaram a atacar não só os direitos dos seus trabalhadores, como também a natureza dos serviços prestados.

Provavelmente a Easyjet inspirada no espírito empreendedor do famoso pirata/corsário inglês, Sir Francis Drake, passou a agir de acordo com as suas próprias leis, decidindo antes da entrada nos céus quem são os suspeitos de graves infrações à segurança das divinas aeronaves, impondo-lhes o cumprimento de sanções pecuniárias decididas no último minuto, não dando à vítima, também designada por consumidor, outrora cidadão, depois da revolução francesa.

As malas para caberem na bagageira por cima dos assentos devem ter estas medidas 45x36x20. Já tinha viajado na Easyjet para Lyon, Bordéus, Paris e noutras companhias de “baixo custo” com a mesma mala.

Aconteceu no dia 22 de agosto à entrada para o avião da Easyjet, após o check-in, que uma senhora fardada à easyJet me disse do alto do seu imperial olhar que a minha mala não cumpria o estabelecido e tinha de pagar por isso ou…ficar sem a mala ou mandá-la para o porão com os custos e o sorriso pirata/corsário.

Pedi-lhe uma fita métrica e ela com a perna apontou para um quadrado com as tais medidas. Nada de fita métrica. A mala deitada deixava meia roda de fora, pois aquela medida tinha acoplada às laterais outra extremidade e naturalmente eu tinha ofendido por meia roda a imperial decisão da Easyjet.

Como tinha de ser, tentei que ela me explicasse como é que eu podia saber que aquelas eram as medidas. Como ela não explicava e eu lhe pedia explicações aproximou-se um rafeiro a perguntar se era preciso chamar a autoridade. Despejei nos lambe-cus toda a minha indignação. E 48 libras.

Fiquei a observar o modus operandi e verifiquei que havia duas medidas, uma normal sem nada acoplado nos lados e outra com os lados mais salientes.

Foram várias as vítimas deste espírito empreendedor. Doeu-me a de um jovem negro que não tinha dinheiro para pagar.

Os cidadãos são apanhados à boca do embarque: ou pagam ou não entram. Que interessa terem razão e terem a mala com as medidas. Mesmo que mandassem chamar a polícia, caso viesse, o avião partiria e o prejuízo seria maior.

O grande corsário/pirata F. Drake tinha todo o apoio do british empire para atacar nos mares tudo quanto pudesse encher os cofres do reino e dos seus. As ordens eram aquelas. Verdadeiramente empreendedoras. O seu espírito permanece vivo no reino de Carlos III e da Consorte Camila, por sinal com o mesmo ar de enjoados.

A Easyjet ataca sem a menor defesa para fazer frente à imperial decisão de um(a)lambe-cus à espera de promoção devido ao seu mérito em gerar lucro para a empresa coitadinha.

Se um dia, os que mandam nos governos, sentirem que podem medir o oxigénio que o bonus pater familiae , ou seja, o cidadão normal respira, passaremos a pagar o que for a mais. Depois, para garantir o bom serviço, pagaremos o oxigénio. Para lá caminharemos se a manada não se extraviar…

PS, confirmei as medidas da minha mala –   45x 34×20. Dois centímetros a menos na largura.

Por terras toscanas

Nas visitas a monumentos, museus, designadamente nos países com uma História relevante para toda a Humanidade, há multidões de gente que à procura do “famosismo” e do exibicionismo invade monumentos, museus e exposições com o fito de se fazer notar ao lado da pintura, da estátua ou do que seja. A obra de arte vale menos que a carantonha da selfie.

A imensíssima maioria diz-se religiosa, mas nada lhe interessa a razão do martírio de homens e mulheres que pagaram com torturas e a própria vida a liberdade de serem livres, face ao império romano. A espiritualidade de uma catedral não entra no smartphone ou no android. As cores de uma pintura são meras cores, como todas as cores. Meras cores.

Como cristãos nada lhes interessa a história do cristianismo. São batizados, batizam os filhos e casam pela igreja porque é mais fixe. Quando o padre cita São Paulo, dando nota que a mulher é serva de seu marido fazem que não ouvem, mesmo as “servas”.

Nem lhes interessa saber a razão que levou Galileu ao tribunal da Inquisição. Nem quem foi Leonardo da Vinci, nem Caravagio, nem Botticelli. O que lhes interessa é mostrar a selfie a segurar com as mãos a torre de Pisa.

No caso, em Siena, Florença, Pisa, Vinci, ou outra cidade da Toscânia ou de outra região num país cheio de História, os bárbaros voltaram para espalhar o “bronquismo”. Publicada a selfie morre o interesse pelo que afinal não viram. A beleza do que veem, não veem. Já tinham ouvido falar. Os famosos mortos não valem tanto como os famosos vivos.

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EPPUR SI MUOVE

Esta frase é atribuída a Galileu Galilei – E, contudo, move-se – referindo-se ao facto de a Terra girar em torno do sol, o que renegaria, face à Inquisição, para salvar a vida, em 1633, e não esturricar na santa fogueira. O Vaticano admitiu o erro em 1983.

E, contudo, o mundo continua a mover-se. A derrota do comunismo com a implosão da URSS criou do lado capitalista a convicção que os ponteiros da História ficariam um sobre o outro para todo o sempre e a torrente neoliberal seria imparável. Tudo se passaria dentro do novo mundo dominado pela potência vencedora, os EUA. Sob a sua batuta aconteceram as invasões do Afeganistão e do Iraque, os bombardeamentos da Sérvia, a independência do Kosovo, a intervenção na Líbia, o golpe de Estado de 2014 na Ucrânia liderado por Victoria Nuland e que queria que a U.E. se fod—e…

Epurr, no fundo dos fundos, onde se amassam as grandes energias que moldam o mundo, continuavam os movimentos contraditórios de tudo quanto vive. Quando o poder se concentra, logos outros poderes se movimentam por múltiplas razões como é da mais elementar experiência.

A hegemonia dos anos 90 do século passado enfrentava os primeiros sinais de desgaste tanto interno, como no quadro global deste novo mundo, logo nos fins dessa década.

No plano interno, o Ocidente triunfante enfrentava o empobrecimento de camadas da população cada vez mais amplas. Caía o nível de vida. Sucumbia em significativos setores das sociedades a esperança como parte integrante da vida. O futuro iria ser pior que o passado. Medrou a extrema-direita que está no governo ou partilha acordos em quase toda a Europa e ameaça seriamente nos EUA.

Por outro lado, a compressão desta nova ordem gerou aproximações inesperadas há décadas. A grande maioria dos países do Sul e que são a imensa maioria da população mundial, pelas mais diversas razões sentiu o chamamento dos que se organizaram em tornos dos BRICS.

A seta do tempo está a pôr em causa esta nova velha ordem. A China, a Rússia, a India, o Brasil, a África do Sul, o Irão, a Arábia Saudita (quem diria) juntam-se neste terreno para se afirmarem (cada um à sua maneira) que fazem parte do mundo e querem participar no estabelecimento de regras de segurança e cooperação que permitam que todos respirem sem asfixias das organizações internacionais de um mundo inclinado para um lado.

O próprio capitalismo derrotou os propósitos hegemónicos dos EUA, na medida em que as sanções não funcionaram devido ao facto de ser mais forte a pulsão para comprar mais barato do que as sanções impostas pelo Ocidente sem o peso de outrora. A invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo os experts ocidentais, seria derrotada no plano económico. E não foi porque ainda há quem se oriente pelos princípios capitalistas originais. Só os serventuários preferiram comprar mais caro e estagnar as suas economias. Tenha-se presente que os EUA com as sanções passaram a ser o primeiro exportador de gás liquefeito a nível mundial. A U.E. paga agora cerca de cinco vezes mais do que pagava.

Nestes embates, agora à superfície, surge o que opõe Israel/EUA/U.E. à luta contra a ocupação israelita dos territórios palestinianos definidos na Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU. A fórmula de que Israel tem direito a defender-se ,perde todo o sentido quando Netanyahu destrói Gaza ao milímetro com ódio tribal e ordena a execução no Irão do chefe das negociações por parte do Hamas, após a China ter conseguido unir 14 organizações palestinianas. Ordenar o assassínio do negociador, num país terceiro, é uma ação de puro terror. Revela a incapacidade de ganhar a guerra que trava vai fazer um ano em outubro. E também que com Netanyahu não há paz.

Este movimento do mundo traz à tona a natureza das coisas tal como elas são; de um lado Israel com o Ocidente, do outro lado, os palestinianos com a imensa maioria do Mundo.

Epurr, o mundo vai continuar a girar e a mudar o que se torna imperioso mudar. Sucederá o que tiver de suceder, como diria o cego Tirésias na tragédia de Édipo de Sófocles. Netanyahu pode arrasar Gaza, mas o mundo não lhe perdoará, muito menos os palestinianos. Netanyahu sempre que se levantar, verá sangue por todo o lado, já não escapará à sorte que engendrou.

https://www.publico.pt/2024/08/08/opiniao/opiniao/eppur-muove-2100127#google_vignette

EPPUR SI MUOVE

Esta frase é atribuída a Galileu Galilei – E, contudo, move-se – referindo-se ao facto de a Terra girar em torno do sol, o que renegaria, face à Inquisição, para salvar a vida, em 1633, e não esturricar na santa fogueira. O Vaticano admitiu o erro em 1983.

E, contudo, o mundo continua a mover-se. A derrota do comunismo com a implosão da URSS criou do lado capitalista a convicção que os ponteiros da História ficariam um sobre o outro para todo o sempre e a torrente neoliberal seria imparável. Tudo se passaria dentro do novo mundo dominado pela potência vencedora, os EUA. Sob a sua batuta aconteceram as invasões do Afeganistão e do Iraque, os bombardeamentos da Sérvia, a independência do Kosovo, a intervenção na Líbia, o golpe de Estado de 2014 na Ucrânia liderado por Victoria Nuland e que queria que a U.E. se fod—e…

Epurr, no fundo dos fundos, onde se amassam as grandes energias que moldam o mundo, continuavam os movimentos contraditórios de tudo quanto vive. Quando o poder se concentra, logos outros poderes se movimentam por múltiplas razões como é da mais elementar experiência.

A hegemonia dos anos 90 do século passado enfrentava os primeiros sinais de desgaste tanto interno, como no quadro global deste novo mundo, logo nos fins dessa década.

No plano interno, o Ocidente triunfante enfrentava o empobrecimento de camadas da população cada vez mais amplas. Caía o nível de vida. Sucumbia em significativos setores das sociedades a esperança como parte integrante da vida. O futuro iria ser pior que o passado. Medrou a extrema-direita que está no governo ou partilha acordos em quase toda a Europa e ameaça seriamente nos EUA.

Por outro lado, a compressão desta nova ordem gerou aproximações inesperadas há décadas. A grande maioria dos países do Sul e que são a imensa maioria da população mundial, pelas mais diversas razões sentiu o chamamento dos que se organizaram em tornos dos BRICS.

A seta do tempo está a pôr em causa esta nova velha ordem. A China, a Rússia, a India, o Brasil, a África do Sul, o Irão, a Arábia Saudita (quem diria) juntam-se neste terreno para se afirmarem (cada um à sua maneira) que fazem parte do mundo e querem participar no estabelecimento de regras de segurança e cooperação que permitam que todos respirem sem asfixias das organizações internacionais de um mundo inclinado para um lado.

O próprio capitalismo derrotou os propósitos hegemónicos dos EUA, na medida em que as sanções não funcionaram devido ao facto de ser mais forte a pulsão para comprar mais barato do que as sanções impostas pelo Ocidente sem o peso de outrora. A invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo os experts ocidentais, seria derrotada no plano económico. E não foi porque ainda há quem se oriente pelos princípios capitalistas originais. Só os serventuários preferiram comprar mais caro e estagnar as suas economias. Tenha-se presente que os EUA com as sanções passaram a ser o primeiro exportador de gás liquefeito a nível mundial. A U.E. paga agora cerca de cinco vezes mais do que pagava.

Nestes embates, agora à superfície, surge o que opõe Israel/EUA/U.E. à luta contra a ocupação israelita dos territórios palestinianos definidos na Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU. A fórmula de que Israel tem direito a defender-se ,perde todo o sentido quando Netanyahu destrói Gaza ao milímetro com ódio tribal e ordena a execução no Irão do chefe das negociações por parte do Hamas, após a China ter conseguido unir 14 organizações palestinianas. Ordenar o assassínio do negociador, num país terceiro, é uma ação de puro terror. Revela a incapacidade de ganhar a guerra que trava vai fazer um ano em outubro. E também que com Netanyahu não há paz.

Este movimento do mundo traz à tona a natureza das coisas tal como elas são; de um lado Israel com o Ocidente, do outro lado, os palestinianos com a imensa maioria do Mundo.

Epurr, o mundo vai continuar a girar e a mudar o que se torna imperioso mudar. Sucederá o que tiver de suceder, como diria o cego Tirésias na tragédia de Édipo de Sófocles. Netanyahu pode arrasar Gaza, mas o mundo não lhe perdoará, muito menos os palestinianos. Netanyahu sempre que se levantar, verá sangue por todo o lado, já não escapará à sorte que engendrou.

NETANAYAHU – O DÉSPOTA

O primeiro-ministro deu ordens aos seus subordinados para assassinar Ismail Haniyeh, líder do Hamas, assumindo-se como um político capaz de tudo para de manter no poder. Há meses tinha mandado assassinar a sangue frio três filhos e quatros netos do líder palestiniano.

Como Macbeth, nada o faz deter o seu aparelho de terror e de opressão.

Às suas ordens já foram assassinados cerca de 40.000 palestinianos, dois terços crianças, mulheres e velhos.

Um homem que está a negociar com o seu interlocutor e organiza o seu assassinato é um monstro. É um sujeito que vive noutro tempo, ou dito de outro modo, o tempo de Netanyahu não é deste tempo. Mata para fugir à justiça. Mata para poder escolher os juízes que o hão julgar pelos crimes de corrupção de que é acusado.

É a este homem, a quem o Tribunal Penal Internacional emitiu mandado de captura para levar a julgamento, que Kamala Harris e Trump se vergam.

A ordem liberal internacional com regras dos EUA serve para apoiar a política de sangue inocente levada a cabo por Netanyahu. Tanto por parte do Partido Democrático como do Partido Republicano.

No congresso foi aplaudido de pé. Agora depois de meses de massacres, Kamala alega o direito de Israel de se defender porque tem medo das palavras, caso contrário substituiria o verbo defender por assassinar, mas isso ela sabe que não pode dizer. Faz parte do sistema e é dele dirigente.

É esta ordem internacional que vai sucumbir. O medo da decadência é tal que perderam a cabeça. O mundo não vai aceitar o regresso ao velho direito tribal. Os dirigente israelitas têm as mãos tingidas de sangue e tal como em Macbeth nenhum detergente lhe lava o sangue das mãos.

Mesmo que, para além dos EUA, a maioria dos líderes da U.E. se curve e se afirme como servil, o povo palestiniano vai resistir e ter o apoio do Sul Global e dos povos do mundo. Netanyahu terá o destino que escolheu.

Os crimes em Timor-Leste não impediram que a liberdade vencesse a opressão. Na Palestina não haverá exceção.

Isto não é decadência?


…”Acredito que o meu trabalho como Presidente, a minha liderança no mundo, a minha visão para o futuro da América, tudo merecia um segundo mandato…”

Houve um levantamento no Partido Democrata para ele desistir, mas merecia um segundo mandato. E ninguém se riu na sala Oval. Devem ter comentado – merecias, merecias…

Mas o melhor está no meio da frase…a minha liderança do mundo… Quando alguém perde faculdades políticas e não vê o que se passa no mundo, então pode liderar à vontade o que lhe vier à mão, incluindo todos os planetas do sistema solar.

A minha liderança no mundo…disse o que não lidera o seu partido e lidera mal o seu país, pois afirma que o que está em causa é a própria democracia, o que ninguém dirá em Malta que não lidera o mundo.

Assim vão os EUA, com um homem que governa o país a pontos de correr risco de interromper a vida democrática e que desconhece o mundo que diz liderar, pois ninguém desse mundo, salvo os dirigentes servis da U.E., de Israel e das ilhas Marshal, lhe conferiu esse mandato.

Isto não é decadência?

Paulo Rangel em delírio de subserviência

Hoje, dia 24 de julho, Sua Excelência, o MNE de Portugal, declarou numa longa entrevista ao DN, enquanto o Chefe estava em Angola…

” … Há uma coisa que os EUA sempre respeitaram e que faz parte da sua idiossincrasia em termos de de situação internacional que é a ideia de que não pode haver violação da integridade territorial com base na força…”

O senhor ministro já nos surpreendeu de muitas maneiras até esta descoberta fantástica.

Se o Sr. Ministro estava em pleno uso das suas faculdades – ainda não tem 81 anos – faça o favor de se apetrechar e vá então descobrir por causa da tal idiossincrasia quem à força muito muito bruta invadiu

Cuba

República Dominicana

México

Guatemala

Vietnam

Laos

Cambojda

Iraque

Granada

Líbia

Jugoslávia até à independência unilateral do Kosovo

Fora o resto.

Sr. Ministro, fica- lhe mal tanta sabujice. Acredite. Os gringos são lixados, nem por tais fretes o vão considerar mais.

A democracia made in USA e a realeza dos oligarcas

O debate entre Trump e Biden veio expor perante os Estados Unidos da América e o mundo, de modo impressivo, o modo como se afirma e se apresenta o sistema liberal/democrático naquele país.

Aqueles dois homens representando os dois partidos dominantes dos EUA são os seus expoentes máximos. Dois velhos, em que cada um tentou mostrar estar melhor fisicamente que o outro. Um aproveitando a senilidade evidente do outro para lhe chamar dorminhoco/sonolento e o outro perdido, no meio de tanta luz das câmaras, sem saber onde pegar o debate e fugir ao duelo. Se poucas esperanças havia nos esclarecimentos, ficou ainda mais evidente que a política dos dois candidatos ao lugar ainda mais importante do mundo cairá para o que tenha mais destreza no puxar do gatilho. Uma espécie de duelos nos novos saloons mediáticos.

Num mundo tão conturbado, marcado por duas guerras brutais, sem pacificação à vista, o debate em que os argumentos acerca do mérito das políticas de cada um foram substituídos por golpes e contragolpes, sendo uns mais baixos que outros. Nenhum deles esclareceu fosse o que fosse. Insultaram-se.

O resultado foi o que se viu: Trump tinha mais aptidões físicas que Biden. Centenas de milhões de dólares desviaram-se para a conta de Donald, naturalmente para quando e se for Presidente tenha presente que os votos custaram muito big money e sem ele os votos voavam. Trump que contribuiu para a campanha de Kamala Harris para Procuradora-Geral da Califórnia sabe como se faz a coisa.

 Elon Musk declarou ao Wall Street Journal em 16/07/2024, que planeava doar à campanha de Trump até novembro 43.1 milhões de euros em cada mês. Os amigos são para as ocasiões e os negócios as usually. A declaração ocorreu três dias depois do atentado…que se tivesse sido bem-sucedido ninguém faz ideia das consequências, designadamente entre os apoiantes de Trump, muitos de entre eles mais conformes a uma seita a roçar ideais fascistas e nacionalistas onde só os EUA têm lugar à mesa de Deus Pai, gente que encontra no discurso de ódio e vingança de Donald Trump o seu sustento.

 Trump, filho de um emigrante escocês, prega o encerramento das fronteiras e apelida de criminosos os deserdados de tudo e que esperam encontrar na América algo, tal como o pai de Trump. Para a sua fé cristã só são filhos de Deus apenas os branquíssimos norte-americanos que o apoiem.

É este país pleno de violência em todo lado, incluindo nas escolas, cuja solução Trump considera ser armar os professores, que pretende ter a liderança do mundo e que nem sequer foi capaz de derrotar os talibans e se coloca sem o mínimo pudor atrás do homem chamado Netanyahu que age de acordo com normas tribais vigentes naquela região há mais de dois mil anos. Todas as ocupações são boas se forem a favor dos EUA, daí a ocupação da Palestina.

Biden foi obrigado a sair de cena num regime de gerontocratas e oligarcas a receberem milhões de outros que tais, para dar lugar a uma sucessora cujas ideias são as mesmas e que estão bem ancoradas no chamado Deep State de tal modo que os fundos para a campanha bateram recordes. Quem pode concorrer a Presidente nos USA? Quantos milhões é preciso para ter votos?

Quem acredita que só agora os dirigentes do Partido Democrata se tenham dado conta que o Presidente Biden confundia o Presidente do México com o do Egito, entre outros dislates?

Estavam disponíveis para o manter porque em boa verdade contava muito pouco, tal como irá contar Trump ou Kamala Harris se forem eleitos. Basta ter em atenção os atentados contra Presidentes e ou candidatos na terra das armas de acesso livre para assassinar e de abortos duramente penalizados, mesmo quando a mulher é violada, nomeadamente em certos Estado.

A substituição de Biden, “por amor ao país”, já rendeu largos milhões de fundos à nova candidata. Bela colheita junto de gente que decide, em grande medida, quem vai ser Presidente.

Se nas monarquias os Reis são escolhidos por hereditariedade, nos EUA os Presidentes são escolhidos entre os mais ricos que contem com o apoio dos estrondosamente multibilionários.

Os EUA nunca tiveram monarquias, mas têm reis – do imobiliário, do Espaço, dos carros Tesla, da indústria do armamento, do cinema, da aviação, do entretenimento, do gás líquido, do petróleo, dos fundos muito fundos, das Bolsas de Valores Mobiliários, do crime como Al Capone, and so one. Uma democracia à medida dos reis e dos oligarcas.