DIA MUNDIAL DA POESIA

Lembrando o grande poeta persa Ommar Kayyam

A poesia está atordoada no país de Ommar Kayyan, agora que se acaba de comemorar o Noruz, a chegada primavera, a vitória da luz sobre as trevas, a renovação constante e irreversível.

As rosas de Shiraz, de Teerão, Isfaan e de tanto lugar, até as dos desertos, devem estar a morrer apavoradas com a metralha selvagem dos novos bárbaros que envergonhariam os antigos pela sua cobardia de mandar matar e morrer sem algum risco de vida para si próprios.

Neruda escreveu que poderiam arrancar todas as flores, mas não conseguiriam impedir a primavera.

 O novo imperador de Mar-a-Largo não tem capacidade para compreender que o mundo é muitíssimo mais que uma boa partida de golfe ou que o funcionamento da Bolsa de Valores ou a um bom negócio.

 É um homem perdido nas suas mansões de negócios e horríveis cenas de gente desprotegida em mãos de plutocratas sem escrúpulos, seus amigos de aventuras.

No país de Ommar Kayyam, as rosas que ele tanto amava e exaltava estão a morrer da tristeza da pobre gente iraniana que carrega às costas o destino de ter nascido na terra onde nasceu uma civilização e um país onde cabe um continente.

Kayyam cantava o amor, o vinho, as coisas mais simples da vida. Disse num poema que apesar da sua condição muçulmana nunca tinha rezado, o que é capaz de ser uma blasfémia para o poder em Teerão.

Kayyam escreveu que era vil um coração incapaz de amar…se tu não amas como podes apreciar a ofuscante luz do sol e a doce claridade da lua?

O homem que ordenou a morte de milhares de compatriotas de Kayyam não sabe que ordenou a sua própria morte.

O pai da História, Herodoto, conta que Creso, o último Rei da Lídia, antes de atacar o império persa cujo imperador era Ciro, se dirigiu ao oráculo de Delfos para consultar se devia atacar Ciro.

A resposta foi …«Se Creso faz a guerra contra Ciro, um grande império será destruído…»E foi. Creso foi esmagado e os lídios derrotados. A ambição era de tal monta que a Creso não deu pela ambiguidade da resposta.

Mas hoje, apesar da guerra do novo Creso de Washington, é o Dia Mundial da Poesia.

Devíamos corar de vergonha por aceitarmos ter como aliado e amigo um homem que em algum momento no exercício das suas funções manifestou o menor sentimento de empatia, a não ser pelo Big Money.

A poesia não resolve os males do mundo, mas tem no seu interior a força de vermos para além da tristeza, a força da amizade entre os humanos e os respetivos povos. Não temos de viver em guerra. Que com o Noruz venha a paz. Nada é tão doce como a paz.

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