SEMPRE ELE, O ANTIGO ZÉ MANEL

Não podia estar calado. Se estivesse calado, talvez o pesadelo das Lages permanecesse no recalcamento de todos quantos enganou. A raiva contra o mentiroso está diluída com tanta safadeza posterior por esse mundo fora.

O que o move é outra coisa. Ele vai mais longe. Nem todos têm o nariz que possui e para cheirar e ver ao longe, lá onde vida ganha outra dimensão. Ademais, como ele também já viu, a vida são dois dias e um já passou, então…

Enche-lhe a alma defender quem o trata bem. É de homem. Tire-se-lhe o chapéu. Ele está à espreita, mas sempre do lado certo, do lado do bem. Ele não disse bem assim, pois já uma vez o disse e passados vinte anos veio arrepender-se de ter confiado no homem que dizia falar com Deus.

Agora, dentro da sua lógica, ele vai noutra missão. Ele não vai ser enganado por um homem que fala com Deus porque o homem que agora assaltou o Irão tem-se a si próprio como a um Deus tendo em conta o poder de destruição que tem.

Cada um toma de Deus o que tem à mão. O de Mar-a-Largo tomou do seu Deus feito à imagem de si e dos seus amigos. Vê em Deus o poder de destruir a quem lhe faça frente. Dada a sua elevada cultura geral deve ter ouvido estórias fantásticas de um Deus devastador, em certo sentido igual ao do Deus destruidor do seu inimigo iraniano.

O homem que foi «enganado» em 2003 não é muito de se sentir inconformado com enganos, quando são bons que venham eles.

Explicou – ele está do lado das democracias abertas e do desarmamento do Irão e augura um grande futuro ao homem indiciado por crimes contra a Humanidade. Voilá.

A democracia aberta que ele defende será o oposto a uma democracia fechada, é de pressupor. Mas haverá democracias fechadas? Um regime fechado não é uma democracia pela simples razão de que uma democracia implica abertura a todos os democratas.

O homem que se tem como um Deus destruidor anunciou em junho de 2025 que tinha concluído um ataque ao Irão que o deixou obliterado no programa nuclear e nos mísseis balísticos. Pelos vistos, os dirigentes daquele país em pouco mais de oito meses refizeram tudo como se nada tivesse sido obliterado, o que só pode ser obra de uma democracia muito fechadinha, mesmo muito.

Para um cavalheiro, como é o caso do cidadão em causa, que reconhece, assim reza o Diário de Notícias de hoje, que há a violação da soberania do Irão, tinha de ter um último trunfo para defender o governo de Montenegro – a guerra é dos EUA e de Israel, mas se é deles pode ser também nossa porque um governo responsável (não é o caso do espanhol) segue os aliados só faltou dizer abertamente.

Em 2003 jurou ter visto as armas de destruição massiva que passados vinte anos foi um engano que custou a vida a mais de 500 000 pessoas.

Agora não viu. Tudo não passa de uma luta entre uma democracia aberta e uma fechada, e a afirmação no plano internacional de Netanyahu a quem visitou muitas vezes em serviço quando ambos eram Secretários de Estado e que tem o Tribunal de Haia à espera para julgamento e o de Telavive por corrupção.

O Dr. José Manuel Durão Barroso está em boa forma e no seu estilo de serventuário ninguém o bate.

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