PIRATARIA INTERNACIONAL

O que melhor define a conduta internacional de Donald Trump é o cerco, o ataque e a captura do Chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro, na madrugada de sábado dia 3 de janeiro.

Trata-se, como é óbvio, de uma ação de pura pirataria da potência dominante na região, com base no monumental embuste da proteção do tráfico de droga do país com as maiores reservas de petróleo do mundo.

Tal como no Iraque a mentira do tamanho do mundo foi a existência de armas de destruição massiva, aqui é a da exportação de droga.

Os EUA são o país com um total de trinta e quatro intervenções militares em todo o mundo, 752 bases militares espalhadas pelo planeta, 168 044 militares em vários países; um país que só reconhece os seus interesses como pertencendo ao núcleo dos seus interesses vitais.

O país que comanda o destino da NATO e trata os aliados como sendo seus vassalos, designadamente no caso da Gronelândia.

Choca, pois, a posição da Alta Representante da UE para a política externa que justifica a conduta de Trump com a falta de “legitimação democrática” de Maduro, como, se um qualquer país tivesse algum mandato respaldado no direito internacional para atacar militarmente outro país pertencendo à comunidade internacional, como se kallas defendesse uma intervenção militar na Arábia Saudita para a realização de eleições.

O “mandato” da intervenção militar por ordem de Trump que Kallas apoia, como o faz em relação à ocupação de Gaza e Cisjordânia por Israel, é o da força brutal, restabelecendo o domínio das nações com base na exibição da bandeira imperial.

Trump prossegue a política de agressão de Kennedy, Johnson, Nixon na Indochina, de Clinton na Jugoslávia, de George W. Bush no Iraque, de Obama no Médio Oriente, de Bush no Afeganistão.

O mundo está frente a uma bifurcação: ou a lei da selva ou a multilateralidade com o respeito de todos por todos.

A ação armada dos EUA na Venezuela é um sinal do caminho que os EUA/NATO/UE pretendem percorrer.

Que os países latino americanos se unam para encontrar uma solução pacífica para sarar a crise aberta com a agressão militar dos EUA. E que todos a apoiem.

As mulheres e os homens deste mundo não podem continuar a virar a cara para o lado, fingindo que o que se passa no mundo não lhes diz respeito. Fazemos a História que nos faz. Que a indiferença não passe à frente dos sentimentos da empatia e da solidariedade.

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