A Europa é o quê? O show de Paris? Ópera bufa?

As relações internacionais entre Estados têm como chão em que assentam a força de cada Estado.  Inclusivamente entre aliados. Na própria U.E. há um núcleo de Estados cujo poder na Comissão e no Parlamento é mais decisivo do que o de muitos outros. O peso da Alemanha não se compara com o de Portugal ou da Estónia.

Com a criação do euro só a Alemanha e mais um ou outro país ganharam. Os do Sul e da periferia perderam competitividade. Todos aliados. Poucos ganharam, muitos perderam. As relações entre Estados não são relações de piedade ou misericórdia. Basta atentar na fatura de terras raras exigidas pelos EUA à Ucrânia.

Um dos problemas ao analisar o comportamento dos Estados na arena internacional foi e é alinhar um conjunto desses Estados como sendo os “bonzinhos”, cheios de virtudes democráticas, as chamadas democracias liberais e os maus, o resto do mundo, o Sul global, a selva, no entendimento de uma figura proeminente da UE, o socialista espanhol de nome Josep Borrel.

Esta visão idílica das relações internacionais nada tem de ingénuo, antes pelo contrário. Trata-se de criar um pano de fundo onde supostamente se enfrentaria o mundo das virtudes e o das maldades.

No fundo nada tem de original. O Bem e o Mal. Como o Daech e os Ayatollahs, os fundamentalistas sionistas e os islâmicos ou hinduístas ou ortodoxos.

Pregaram-nos anos e anos a fio todas as virtudes do Ocidente mesmo quando invadia o Iraque, ou bombardeava a Jugoslávia ou a Líbia ou ocupava o Afeganistão. Ou apoiava as carnificinas sionistas de Israel com base no direito a defender-se dos ocupados lutando contra os ocupantes.

Sempre a mesma história com algumas nuances. Já não se trata de expandir a fé e a civilização e a escravatura. Agora é a hegemonia a nível mundial.

É a “democracia e os chamados direitos humanos” contra os autocratas que são apenas aqueles que se colocam como adversários dos interesses dos EUA/NATO/UE. Há depois e também os “nossos” autocratas ou oligarcas. Dão-nos big Money. Não se lhes toca. Business is business.

Só que este mundo existia apenas para enganar as populações, sendo que muitas delas também não se importavam porque dava menos trabalho do que preocuparem-se. É muito fofinho um mundo cheio destas “virtudes” democráticas, mesmo quando as guerras no Iraque e no Afeganistão causaram centenas de milhar de mortos. Mesmo os palestinianos com mais de 50 000 mortos, que diabo, são muçulmanos ou mouros ou incivilizados face aos civilizados que descarregam metralha como só visto nos bombardeamentos dos EUA em Nagasaqui e Hiroshima…

Que diabo. Somos democráticos e ELES não. Este é o estado da arte e da alma. Não nos aflijam que cheios de aflições andamos todos de manhã à noite para viver.

Contaram-nos uma história diabólica: a necessidade de derrotar a Rússia autocrática que se hoje comer a Ucrânia amanhã vai a Europa inteirinha até Porto Santo, as Berlengas e a Amadora…Está-se mesmo a ver … os atrasados a dominaram a nata da civilização ocidental, cheia de modernidades. As guerras dos EUA/NATO/UE/Israel não contam, são as “nossas”.

Biden, Ursula, Scholz, Boris, Borrel, Macron e Cª garantiram-nos que tinham descoberto a maneira de esmagar a Rússia. Há três anos que andam a esmagar a Rússia. Sem apelo nem agravo. Todos os dias. O grande Stoltenberg garantiu-o até arranjar um grande job. Já Barroso passara de Presidente da UE para banqueiro.

O grande problema é a realidade. Na Ucrânia os russos avançam. Não obstante as derrotas estrondosas que o Ocidente lhe infringe…O Ocidente ainda não esmagou a Rússia apenas porque ninguém no Ocidente se lembrou de que numa guerra se usam carros, tanques, drones, mísseis e vejam lá que coisa rara, munições, verdade, munições.

É uma elite de euroburocratas sem qualquer ligação à realidade. São peritos em criar realidades paralelas. E se saírem delas inexistem, como uma tal Senhoras Kallas, disposta a mandar a Europa para a guerra para satisfazer os seus traumas de juventude. Claro que não tem qualquer mandato a legitimar as suas vociferações. Nem Costa. Nem Von der Leyen. Foram escolhidos em conclaves fechados. Nenhum europeu votou para os cargos que ocupam.

Foram a Paris encenar uma espécie de ópera bufa e na qual cada um jogava o seu papel. Não havia um plano, apenas show off. Macron vive em permanente sobressalto. Scholz já era. A Dinamarca está assustada com o grande amigo americano.

O caixeiro Rutte levou a encomenda do Pentágono para amaciar a aspereza do novo Imperador cheio de hamburgers.

Acreditaram na Carochinha. Que podiam ser o que nunca foram, nem serão. Trump com a sua brutalidade considerou-os descartáveis. Uma afronta. Não têm capacidade para compreender que não contam. O que conta para os EUA é tentar romper a aliança entre a China, a Rússia e o Irão. A UE não pinta. Faz o que os EUA mandam fazer.  Tem de comprar energia e muito armamento. Os EUA já conseguiram cortar a Rússia da Europa e torná-la dependente ainda mais. As usually em termos de relações internacionais. O resto é para encher os media e intoxicar as populações. O mundo move-se, diria Galileu. A UE ainda não deu conta. Está ancorada no passado.

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