Branquear ou enegrecer, o que está na moda?

O racismo é algo de abominável. Dois seres humanos são dois seres humanos, independentemente da cor da pele.

Simplesmente os brancos ao imporem os seus sistemas coloniais “justificaram-no” com a inferioridade dos não brancos. O cortejo é infindável desde a escravatura, ao apartheid, ao direito a votar, ao Ku Klux Kan, até aos que negam que em Portugal há racismo.

Os racistas têm tanta consciência do caráter criminoso do racismo que negam a sua existência e persistência.

Na verdade, a História da Humanidade tem páginas tenebrosas. Os europeus têm largas responsabilidades no espoletar do racismo. Nas guerras coloniais os soldados foram matar e assassinar.

O racismo está de tal modo entranhado nas nossas sociedades que qualquer coisa má é descrita como sendo negra, desde a tristeza às horas de tragédia ou azar.

A referência à cor da pele de um participante de um jogo de futebol a ser visto por centenas de milhões de cidadãos é racismo quimicamente puro. Os árbitros sabem que os treinadores têm nomes, quer os principais, quer os adjuntos. Está na ficha do jogo. Em Paris não houve exceção.

O que vale é que os jogadores das duas equipas, todos eles de diferentes nacionalidades, se uniram para derrotar a atitude racista do árbitro.

Os que acham que é moda, como Jorge Jesus, considerar racismo qualquer ataque a negro por ser negro estão a branquear o racismo. O verbo branquear nasce dessa suposta superioridade. A moda de enegrecer o  negro e branquear o branco é lastro da violência colonial. Não é moda. É uma triste realidade. Figuras com um peso tão grande em termos mediáticos deviam dar outro exemplo. E fazer como fizeram os jogadores no Parque dos Príncipes. A modernidade está na atitude deles, a boa moda.

O labirinto de Marcelo

Marcelo não gosta mesmo nada do cargo que desempenha. Uma vez, há já muitos anos, disse que tinha tido um sonho que era o de ser Primeiro-Ministro, mas isso foi antes de passar a vida na televisão. Depois de o sonho não se ter cumprido como Primeiro-Ministro, nem ter sido eleito Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, apesar do mergulho no Tejo, Marcelo foi eleito Presidente da República. Não foi um sonho; foi o que estava à mão.

Conseguiu finalmente ganhar uma eleição namorando o eleitorado à esquerda do PSD. Marcelo foi à Festa do Avante. Para que não houvesse dúvidas anunciou previamente que ia. Não tirou selfies porque na altura ainda não era o homem afetuoso em que a presidência o veio transformar.

Na presidência e foi o que se viu. Tudo menos populista. Ele não parou um segundo.

Foi ao Barreiro à ginjinha; ao mar de Cascais sem ninguém saber e deu umas braçadas, mas foi apanhado, rezam as imagens das televisões. Saiu disparado para salvar os feridos e a avioneta que tinha caído para os lados de Tires. Foi tomar a vacina contra a gripe, exibindo a peitaça. Andou de camião TIR durante a noite para saber como são elas. Cogitou, cogitou e arranjou modo de ir nadar sem a guarda naval o ver por causa do confinamento. Foi dar um mergulho algures num dos rios da nossa amada Lusitânia, sem os jornalistas saberem, mas que relataram.

Enviou três mil e tinta e sete mensagens a atletas portugueses que ganharam prémios ou estiveram próximos de ganhar. Foi ao Brasil à tomada de posse do irmão Bolsonaro e convidou-o a visitar Portugal o que teria todo o apoio de André Ventura se ele nessa altura não estivesse na Autoridade Tributária a safar uns desgraçados que não conseguiam fugir ao fisco e queriam ver como escapar de levar à coleta alguns poucochinhos milhões de euros. Foi acabar com o irritante a Angola e por lá nadou e teve muita gente na berma da estrada a acenar com bandeirinhas, parecia que aquilo tinha acontecido há umas décadas quando o cabeça de abóbora visitava aquela extraordinária e rica Província Ultramarina, cujo povo era português de gema, só que os independentistas estragaram aquela alma.

  Marcelo, do alto do seu cargo, com a gravitas ponderada na exata proporção do passo dado (cum grano salis) participou no programa da Condessa da Malveira, a nossa desempoeirada e multimilionária Cristina, ao tempo vedeta da SIC, hoje em queda na Bolsa de Valores do luso entretenimento. Ele recebeu influenzers. Ficou de quarentena na sua casa em Cascais e falou ao país de uma varanda onde não usou escadote por causa do corona vírus não subir e poder cair nalgum jornalista.

Marcelo pensava que no verão o número de casos na região de Lisboa não ultrapassaria os cem casos.

Marcelo aprendeu com Portas a via-sacra das feiras, tascas, ajuntamentos de mais de três pessoas e foi o que se viu. Um fartote com toda a gente a querer ter o Presidente na sua casa, na sua rua, na sua aldeia, na sua vila, na sua cidade, onde calhasse.

Muito a sério, Marcelo disse a Costa mais ou menos isto: Tenha cuidado com a Lei da Saúde porque isto dos privados não entrarem nas parcerias público-privadas não dá. Eles, os privados, têm direito ao público, ou o Senhor Primeiro-Ministro é dos que pensam que o SNS é só para quem o paga e não é para quem não o paga? Ou o senhor não sabe que eu votei contra o SNS, e quer-me fazer essa desfeita?

Marcelo foi a todos os grandes incêndios e dixit ou eles se apagavam ou o governo ia à vida e não se recandidatava. Reparem não se recandidatava. Volta a sublinhar-se o verbo recandidatar. Pois. Apagaram-se os incêndios. O governo não foi à vida. E ele não sabe se se vai recandidatar.

Marcelo é um artista completo. De tão artista que é talvez ele acredite que se pode acreditar no que ele diz. Um labirinto.

https://www.publico.pt/2020/12/05/opiniao/opiniao/marcelo-labirinto-tabu-1941879

A gula de André Ventura pelo sistema

Ventura cresceu contra o sistema. Diabolizou-o. Espalhou cartazes caríssimos contra a choldra. Contra os tachos. Chega dizia o Chega. E assumiu-se contra o 25 de Abril. Ventura até dos ciganos se serviu para mostrar que é contra o sistema e a Segurança Social. A favor do Estado nas mãos dos Poderosos . Ajudou muitos deles a fugir aos impostos porque odeia o atual sistema fiscal. Os impostos deviam ser apenas para os indigentes ou pobres incapazes de subir na vida. Quem não é capaz de subir na vida merece apenas o que escorre da pirâmide dos ricos, a misericórdia. E daí o seu enlevo por Trump.

A verdade é que nos últimos dias anda eufórico. Rui Rio chamou-o e ele foi. Entrou para o clube do sistema. Agora quer mesmo fazer parte de corpo inteiro do dito. Quer ser Ministro do sistema. Que lindo. Só falta saber que fatia do sistema lhe entregaria Rio, se pudesse .

O cargo e as percentagens de João Ferreira

João Ferreira, candidato a Presidente da República apoiado pelo PCP, disse a Miguel Sousa Tavares numa entrevista à TVI e TVI24 que era candidato ao cargo e não a percentagens eleitorais.

No próximo dia 24 de janeiro ao começo da noite se verá a que cargo se candidatou. Se ao cargo de Presidente da República ou ao outro no seu partido, o mais elevado, e para esse a percentagem dos votos não é tão relevante. Esperemos pela percentagem para ver se não fica pelo caminho. O camarada Francisco Lopes em 2011 teve 7% dos votos.

A coragem e o desassombro de Ana Gomes

Conheci Ana Gomes na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa vai fazer meio século. Expulso da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, aterrei na Faculdade de Direito de Lisboa onde o MRPP tinha grande implantação com alguns quadros hoje de grande relevo (Saldanha Sanches, Maria José Morgado, Durão Barrosos, Ana Gomes, entre muitos outros).

Houve um momento raro, talvez 1973, em que todos convergimos em tentar enfrentar os gorilas plantados na Faculdade e lembro a brutalidade da repressão e da Ana a ser espancada por polícias de choque em frente à Reitoria. Tentavam pegar-lhe pelos braços e pelas pernas e ela esperneava e tentava impedir o impossível, ou seja, fugir dos carrascos.

Num mundo insonso, um tanto ao quanto encarneirado, à espera do que está à mão, faz falta a coragem.

Muita História passou nestes cinquenta anos e fui encontrando Ana Gomes na luta pela Palestina, pela eleição de Salgado Zenha, pela independência de Timor Leste, contra a invasão do Iraque e noutras situações. Casos houve em que estivemos e ainda estamos em campos diferentes.

A verdade é que o desassombro da Ana nunca a abandonou. Aliás, quero crer, que esse desassombro fez e faz dela a cidadã admirada, mesmo pelos que não partilham os seus pontos de vista.

Há quem diga em voz baixa que um tal desassombro não seria o indicado para um cargo tão alto. Aconselho a consulta ao dicionário para encontrar o significado do verbo desassombrar e há que não temer as palavras, nomeadamente as que são fortes. Tirar da sombra e aclarar só pode ser de louvar.

Colocando então a questão deste modo mais simples: deve ou não ser o(a) Presidente da República alguém corajoso(a) que diz o que tem a dizer, desassombradamente, porque do alto do seu poder aclara, ilumina, ou deve ser alguém que não diz o que pensa, alguém que pensa no que outros pensam e vai atrás dessa corrente em vez de forjar marés de esperança?

Sejamos claros, merece ou não a luta contra a corrupção desassombro? É ou não a corrupção um mal nacional? A afirmação desse combate não preenche a vida da candidata como é sobejamente conhecido. O impulso e a tensão nesse combate são relevantes. E esse é também o desassombro ao não tergiversar.

A coragem é um dos atributos mais valiosos nos cidadãos que assumem cargos de enorme poder. Portugal e o mundo exigem que haja coragem por parte de quem exerce o poder, e desde logo no vértice.

É preciso a coragem de remar contra as marés do conformismo, do esbatimento ideológico, da traficância de interesses.

Num mundo cada vez mais uniformizado, atrelado aos interesses dos Todo-Poderosos, faz falta a coragem.

Claro que há mais mulheres e homens de coragem, quer no PS, no BE, no PCP, nos outros partidos e fora deles, mas o combate que temos pela frente exige que saibamos ver quem está em melhor posição para fazer frente a Marcelo que muito antes de ser eleito já estava em campanha nas televisões que o projetaram, após inúmeras derrotas eleitorais. Nem com mergulhos no Tejo se safou como tão bem o retratou Natália Correia.

Não interessará tanto saber quem tem mais pergaminhos, tanto mais quanto não foi possível (desgraçadamente) encontrar nas esquerdas um(a) candidato(a).

Um último argumento: a maior desgraça a sair das eleições de 24 de janeiro seria André Ventura ficar em segundo lugar. Só Ana Gomes garante o alívio desse pesadelo.

Assim não poderá haver grandes dúvidas, apesar de lacunas, sobretudo no mundo laboral, que Ana Gomes se coloca na melhor posição para dar combate à candidatura de Marcelo, o homem que vive sob a forma de tropismo mediático, que para estar em todo o lado, não está de verdade em lado nenhum.   

Ao dar o passo e dizer ao seu partido que há gente no PS corajosa e capaz, independentemente do anúncio pessoal de Costa na Autoeuropa, Ana Gomes mostrou a fibra de que é feita – avançar quando podia fazer cálculos e mais cálculos. A sua candidatura é a que tem mais espaço e possibilidades para se bater com Marcelo.

https://www.publico.pt/2020/11/30/opiniao/opiniao/coragem-desassombro-ana-gomes-1941126

O califa de Telavive acha que as mulheres são como animais, mas com direitos

Extraordinário. Que descoberta. Que inteligência. Que surpresa. Que bondade. Que sabedoria. Que justiça. Que avanço. Que beleza. Que sofisticação. Que poderoso. Ai que as mulheres são como os animais, mas com direitos. Não se pode bater. Disse o Califa de Telavive – Alnetaniyahu. O amigo de Trump e de Bolsonaro. Que que. Nas mulheres que são como os animais não se pode bater. E nos homens que são  como Netanyahu?

A um Deus de mil ardis

Maradona era de Lanus, perto de Buenos Aires. Por ali cresceu e percorreu el Caminito para La Bambonera. Jogava futebol como se fosse um Deus de mil ardis. Tudo com o pé canhoto.

O Deus maior dos cristãos nasceu homem a mangar filho de um carpinteiro e de uma mulher porque segundo os livros sagrados foi um disfarce de Deus para salvar a Humanidade. Assim se escreveu e se diz.

Maradona nasceu como um humano sem ser a fazer de conta. A bola fez dele uma divindade impura e como tal partiu cheio de pecados para o céu dos homens. No braço esquerdo levava uma bola para se safar face à balança do Bem e do Mal.

Rio – finalmente CHEGA o diabo às costas de Centeno

Rio quando foi eleito líder do PSD logo anunciou urbi et orbe que dali em diante a política do vale tudo ia acabar. Com ele ao leme bem podia Emanuel Kant jazer tranquilamente que o primado da ética singraria. A paz e a moral repoisariam eternamente no nosso quadrado. Amen. Até ao dia em que precisou do Chega para ser governo regional. O partido mais votado já não seria chamado a formar governo como garantira aquando da formação do governo PS com apoio à esquerda. Explicou: foi o PS que furou a regra no Continente, por que razão não haveria de formar um governo com o apoio do Chega já que as condições impostas são inócuas?

Por serem inócuas nos Açores, Rio deixou claro na TVI que o sendo no Continente também haverá acordo. Mas disse e repetiu com estardalhaço que nunca um governo dele ficará nas mãos do Chega. Só que não explicou o seguinte: Se o Chega tirar o apoio ao governo nos Açores o governo cai, a conclusão é óbvia que se no Continente o PSD precisar do apoio do Chega e este lho der e depois lho retirar o governo cai, dado que a lei da gravidade de Newton também se aplica aos corpos parlamentares. O que é relevante nesta tirada à conselheiro Acácio está no facto do senhor doutor não fazer contas. Normalmente os economistas fazem contas, mas as de Rio não chega(m) a este elevado valor aritmético.

Rio para justificar o acordo alega ainda a inocuidade das condições; pois bem se o são para o PSD são também para o Chega, o que vale dizer que chegam bem um para o outro. Se calhar são um faz de conta. No dia em que o Chega achar que é melhor mandar o governo ao charco por ser contra o sistema, lá vai o governo fazer fila para entrar no Peter`s no Faial para depois ir à vela.

Entretanto convém recordar que o acordo governamental é com o CDS, PPM, mas quem aparece em todo o lado é o Chega por obra e graça de Rio.

Mas Rio foi mais longe e afinal veio dar razão a Passos Coelho avisando que vem aí o diabo. Vai chega(r) com a aprovação do orçamento. E invocou o salmo de São Centeno a propósito dos apoios sociais aos portugueses em risco. Rio e pelos vistos Centeno acham sempre que se pode apoiar a banca com milhares de milhões para o estoiraram, mas apoios aos mais desfavorecidos nunca, estes é que têm de apoiar a banca e o Estado deve existir para tal. E os culpados são alguns dos reformados que vão ter mais dez euros por mês e alguns funcionários públicos mais uns tantos euros poucochinhos e o SNS mais enfermeiros e médicos.

Se se reparar bem é a ladainha de Ventura – as funções sociais do Estado devem ser reduzidas ao mínimo e passar a pagá-las aos privados, os que estão em cheio por trás do apoio ao Chega para o virem a recuperar em força.

Que importa a Rio que Ventura mande a deputada Joacine para África? Ou insulte a etnia cigana? Ou queira introduzir a prisão perpétua e a castração química? Ou a laqueação dos ovários às mulheres que abortarem no SNS, às outras que podem ter acesso aos privados nem pensar. Ou que continue a espalhar ódio e racismo?

Rio o que quer é ser Primeiro-Ministro e para tanto está disponível para vender a alma a André Ventura. Porém, como se sabe, até hoje, o diabo nunca fez maus negócios, desde que foi escorraçado do Céu para atormentar os mortais.

https://www.publico.pt/2020/11/23/opiniao/opiniao/rio-finalmente-chega-diabo-costa-centeno-1940320

Ventura vive do esgoto do sistema

André Ventura é candidato a Presidente da República e licenciado em Direito. Conhece as competências do PR definidas nos artigos 133 e 134 da CRP, mesmo sendo totalmente contra a Constituição. É a que existe e a que o PR jura cumprir e fazer cumprir.

O PR é o Presidente de todos os portugueses seja qual for a sua etnia e a todos tem o dever de defender e de representar. André Ventura sabe que são portugueses todos os que  têm a nacionalidade portuguesa, cujos  requisitos constam da lei da nacionalidade.

É uma rasteirice servir-se do sistema para fazer de conta que a candidatura a PR é para deputado e eventualmente para governar.

Ventura sabe perfeitamente que a sua proposta desumana de castração química dos pedófilos é totalmente inviável e que no país, na Europa e no mundo civilizado não seria aceite. Ele sabe que assim é. Mas joga com os sentimentos mais primários dos seres humanos, com a parte mais obscura que existe na Humanidade, a que está disponível para assistir ao esturricamento na cadeira elétrica e comentar o cheiro a carne assada.

Ventura sabe que ao dar aquele passo atrai para ele essa “multidão” e vai instigá-la a salivar esse primarismo mais retrógrado.

Quando no Congresso do Chega surgiram propostas para retirar os ovários às mulheres que abortem, a finalidade é a mesma – fazer a Humanidade regressar ao tempo da queima das bruxas, bem sabendo André Ventura que tal proposta visa espaço mediático e que o mundo atual vai noutro sentido. Trump enjaulou crianças vindas da América Central, mas vai ter de fazer a mala.

Ventura decidiu transformar a sua candidatura a PR numa rampa de lançamento para obter maior apoio no eleitorado de direita, usando o arsenal do populismo de extrema direita. O seu método habitual é o da trafulhice e da rasteirice – dizer hoje algo que amanhã é desmentido. O pior que o sistema tem; jamais faria acordos com os partidos do sistema…Veja-se o que fez nos Açores graças a Rui Rio.

Ventura sabe e tem consciência perfeita que Ana Gomes é uma candidata saído do PS. Sabe que tem um passado e uma vida de que se pode orgulhar. Mente, portanto, quando afirma que é a candidata da etnia cigana. Sabe que os ciganos são seres humanos e como todos os seres humanos têm a dignidade de todas as pessoas. É um mau cristão.

Ventura sabe que Marisa Matias é eurodeputada e dirigente do BE, tendo obtido uma excelente votação há cinco anos. Ventura mente com todos os dentes que tem quando afirma que Marisa Matias é a candidatura marijuana. Não sabe debater. Engana. Simula. Não joga leal.

Ventura  atira-se aos outros. Insulta. As ideias que anuncia(2 ou 3) são sanguinárias. Ventura sabe que o seu mestre- Oliveira Salazar não introduziu no Código Penal a pena de prisão perpétua. E sabe que os países com penas mais duras como a pena de morte são os que têm mais altas taxas de criminalidade. Nem o sabre da degola saudita às sextas impede o crime. A Espanha tem prisão perpétua, mas Portugal não tem nacionalidades.

Ventura sabe que não há sistema judicial no mundo que não tenha decisões abstrusas. Todos têm. Ventura elogia os juízes, mas não os respeitando e lançando os mais abjetos anátemas, como no caso de Paulo Pedroso. Pega na justiça, como na restauração, como  na corrupção, como na vergonha (sem a ter) porque na verdade ele é como os cucos, aproveita os ninhos dos descontentamentos para lá pôr os ovos. Ventura se tivesse um bocado de um pingo de vergonha dava conta que tudo o que diz nada tem a ver com o que faz e que os outros têm olhos e ouvidos. Procura a bomba propagandística e lança-a à procura dois incautos ou dos parecidos com ele e o Chega. Representa o pior que há no sistema, vive do seu esgoto. Suja quem o acompanha.

O PR é o Presidente de todos os portugueses seja qual for a sua etnia e a todos tem o dever de defender e de representar. André Ventura sabe que são portugueses todos os que  têm a nacionalidade portuguesa, cujos  requisitos constam da lei da nacionalidade.

É uma rasteirice servir-se do sistema para fazer de conta que a candidatura a PR é para deputado e eventualmente para governar.

Ventura sabe perfeitamente que a sua proposta desumana de castração química dos pedófilos é totalmente inviável e que no país, na Europa e no mundo civilizado não seria aceite. Ele sabe que assim é. Mas joga com os sentimentos mais primários dos seres humanos, com a parte mais obscura que existe na Humanidade, a que está disponível para assistir ao esturricamento na cadeira elétrica e comentar o cheiro a carne assada.

Ventura sabe que ao dar aquele passo atrai para ele essa “multidão” e vai instigá-la a salivar esse primarismo mais retrógrado.

Quando no Congresso do Chega surgiram propostas para retirar os ovários às mulheres que abortem, a finalidade é a mesma – fazer a Humanidade regressar ao tempo da queima das bruxas, bem sabendo André Ventura que tal proposta visa espaço mediático e que o mundo atual vai noutro sentido. Trump enjaulou crianças vindas da América Central, mas vai ter de fazer a mala.

Ventura decidiu transformar a sua candidatura a PR numa rampa de lançamento para obter maior apoio no eleitorado de direita, usando o arsenal do populismo de extrema direita. O seu método habitual é o da trafulhice e da rasteirice – dizer hoje algo que amanhã é desmentido. O pior que o sistema tem; jamais faria acordos com os partidos do sistema…Veja-se o que fez nos Açores graças a Rui Rio.

Ventura sabe e tem consciência perfeita que Ana Gomes é uma candidata saído do PS. Sabe que tem um passado e uma vida de que se pode orgulhar. Mente, portanto, quando afirma que é a candidata da etnia cigana. Sabe que os ciganos são seres humanos e como todos os seres humanos têm a dignidade de todas as pessoas. É um mau cristão.

Ventura sabe que Marisa Matias é eurodeputada e dirigente do BE, tendo obtido uma excelente votação há cinco anos. Ventura mente com todos os dentes que tem quando afirma que Marisa Matias é a candidatura marijuana. Não sabe debater. Engana. Simula. Não joga leal.

Ventura  atira-se aos outros. Insulta. As ideias que anuncia(2 ou 3) são sanguinárias. Ventura sabe que o seu mestre- Oliveira Salazar não introduziu no Código Penal a pena de prisão perpétua. E sabe que os países com penas mais duras como a pena de morte são os que têm mais altas taxas de criminalidade. Nem o sabre da degola saudita às sextas impede o crime. A Espanha tem prisão perpétua, mas Portugal não tem nacionalidades.

Ventura sabe que não há sistema judicial no mundo que não tenha decisões abstrusas. Todos têm. Ventura elogia os juízes, mas não os respeitando e lançando os mais abjetos anátemas, como no caso de Paulo Pedroso. Pega na justiça, como na restauração, como  na corrupção, como na vergonha (sem a ter) porque na verdade ele é como os cucos, aproveita os ninhos dos descontentamentos para lá pôr os ovos. Ventura se tivesse um bocado de um pingo de vergonha dava conta que tudo o que diz nada tem a ver com o que faz e que os outros têm olhos e ouvidos. Procura a bomba propagandística e lança-a à procura dois incautos ou dos parecidos com ele e o Chega. Representa o pior que há no sistema, vive do seu esgoto. Suja quem o acompanha.

https://www.publico.pt/2020/11/17/opiniao/opiniao/ventura-vive-esgoto-sistema-1939569

Pensamento em volta de uma noz – nós precisamos mais da noz do que ela de nós.

Ao mastigar uma noz dei conta da seguinte interrogação – este fruto escondido na sua carapaça forticada quantas centenas de milhares de anos ou até milhões de anos precisou para chegar a ser noz? A minha ignorância apenas me permite imaginar o tempo até que a noz se tornasse noz.

E aqui chegado o pensamento logo se desdobrou para imaginar as etapas que sob o Sol e sobre a Terra que foram precisas para que germinassem as sementes e estas por sua vez dessem azo a um novo ciclo para se chegar às árvores que dão a linda flor neste hemisfério em fevereiro/março.

Este caminho que a mente humana despreza enfrenta desafios tremendos.

Um primeiro e atroz em tempo de pandemia é o de que a nossa sobranceria sobre a vida do Planeta pode conduzir-nos ao apocalipse. Nós somos os mais vulneráveis e arrogantes. O Planeta passará bem sem nós, incluindo a pequenina noz.

As árvores, os rios, os mares, os animais e a Humanidade são o resultado de um processo evolutivo de muitas centenas de milhões de anos. Os humanos foram os últimos a surgir. Inteligentes, altamente sofisticados, vêm pisando esta nossa Terra como se fossem seus donos. Mais recentemente obnibulados pelos avanços técnicos, tecnológicos e científicos ditam mão a tudo o que o Planeta tem para o submeter à sua cruel ambição. A Terra dá sinais de enfarte nas suas estruturas. Os rios carregam dejetos . Os mares aquecem e milhões de toneladas de plástico ameaçam as vidas no e do mar. O globo arde em muitas regiões. Um vírus se espalha. A Terra já não consente tanto desvario. O mundo não pode ser um negócio, cujo fim é o lucro. O mundo no seu conjunto é muitíssimo mais que a Humanidade. Podemos perecer enquanto espécie. Ele é eterno. E isso faz de nós seres muito efémeros diante da eternidade. Ea ganância ganha à paz e à generosidade.

Se tivessemos presente o que se andou para chegar à noz, talvez nós fôssemos mais naturais no sentido de que o nosso domínio sobre a Natureza nunca será total. Temos ferramentas ótimas que nos permitem construir aviões, naves e ponte de mais de cinquenta quilómetros, Certo. Como diria o saudoso Joaquim Namorado contemplando a Torre de Pisa com trinta metros de altura com uma pupila de dois milimetros de largura.

O Planeta que recebemos está doente devido à ação humana. Ou paramos ou o Planeta nos enterra.

Uma noz é uma noz. E nós somo nós. Nós precisamos mais da noz do que a noz de nós. Alguém as comerá sempre, mesmo que não sejamos nós.