Os encostos e os truques de certos figurões

Há algo na República portuguesa que gera um tremendo sentimento de injustiça e em simultânea descrença na nossa vida coletiva. Uma dessas situações pode resumir-se nesta singularidade – enquanto a maioria da população vive com imensas dificuldades para fazer frente aos encargos económicos da vida, uma minoria nada num pântano de milhões e milhões obtidos por processos enviesados.

Certas personagens que obtiveram uma espécie de auréola do próprio mundo financeiro obtêm dele sem pestanejar dezenas e centenas de milhões de euros através de negociatas em que homens de mão de quem cede crédito e de quem recebe enriquecem do dia para a noite. São negócios bem combinados entre quem conhece os meandros das possibilidades e de como se encher esvaziando instituições sem perder o quer que seja do seu património. As suas órbitas giram entre o poder financeiro e o poder político que lhes vai à mão à cata de votos ou de influência ou aguardando compensações.

São gente provenientes dos mais diversos estratos sociais, desde a Rua das Furnas ao glamour de Cascais, do Restelo ou da Lapa. O perfil identitário é ficar podre de rico seja qual for o esquema.  Procurar o encosto e depois dar o encosto é a arte.

O que importa é alcandorar-se seja a um clube, a uma empresa, a um empreendimento, a uma universidade e ei-los mais tarde condecorados.

Às vezes da mais vil insignificância correm para o Olimpo dos poderosos e famosos e lá chegados, os que já lá estão dão-lhes as boas-vindas, pois também eles sabem porque lá estão.

É tão imaculada a sua auréola financeira, gestora ou desportiva que logo o poder político os abençoa como novas figuras recebedoras dos mais altos reconhecimentos do Estado.   O que é que eles têm que os outros cidadãos não têm? A grande virtude destes novos empreendedores/empresários é sobretudo a total ausência de vergonha, o último pingo foi perdido no derradeiro negócio de sucesso que criou monumentais calotes no BPN, à CGD, no BCP, no BES e tutti quanti.

Em boa verdade são homens que concitam o apoio das mais vivas forças da Nação desde Ministros, deputados, juízes e autarcas – basta ser candidato a Presidente do SLB. Todos vão à mão destes “empreendedores”.

Os grandes homens e as grandes mulheres têm de ser apadrinhados, pois eles apesar de não se lembrarem dos cargos que ocuparam, se têm bens, sabem que os calotes que têm não são o resultado dos seus destrambelhamentos e da sua incontida gula de enriquecimento, mas sim do Estado, e até de quem se meteu onde não se devia como foi no caso do BES, segundo a desfaçatez de Vieira.

Sorte a destes ilustres benfeitores que por causa deles todo o povo está a pagar as suas reestruturações sem fim, ao contrário daqueles que em plena crise queriam pagar reestruturando as dívidas e não tendo historial de caloteiros foram impedidos de pagar porque diferentes bancos cederam os créditos e execuções a fundos que vieram ganhar o que os bancos não quiseram graças às imposições de Bruxelas quanto ao crédito malparado. Milhares de empresários que pagariam as suas dívidas não as pagaram porque as restruturações não foram aceites e foram ao charco. Ganharam os fundos abutres na roleta do casino que as compraram ao preço da chuva. Perdeu a economia.

Acontece que todos os que vivem sofrendo para pagar as suas contas desacreditam num sistema em que uns tantos vivem com sacos de milhões às costas e palheiros como garantia.

Desacreditam num sistema em que certos dirigentes políticos honram esta gente e impõem a todos os outros sacrifícios que nunca mais acabam.

A República portuguesa patrocinadora do Estado de Direito democrático precisa de dirigentes que sejam honrados e que vejam na política a arte de governar em prol da comunidade. Se assim não acontecer pode ser que quando ela precisar do povo ele faça o que o Bordalo fez com a figura do Zé.  

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De Minsk a Istambul a Riad e a Bruxelas

O que aconteceu ao avião da Ryanair desviado para Minsk quando sobrevoava a Bielorrússia é um ato de pirataria cometido por um Estado. 

A captura de Roman Protasevich, jornalista da oposição ao regime, obrigando o avião a aterrar ficará para a história das repressões não só na Bielorrússia, mas em todo o mundo. Puro terrorismo de Estado, colocando toda a aviação comercial em risco de segurança.

As reações da União Europeia não se fizeram esperar e ao que parece seguir-se-ão sanções, e desde logo a proibição dos aviões daquele país aterrarem nos 27 países da UE.

O que espanta é a desproporção na condenação entre a prisão de Roman Protasevich e o assassinato de J. Khashoggi, no consulado saudita em Istambul.

J. Khashoggi também era jornalista e oposicionista do regime saudita e foi friamente esquartejado no consulado às ordens de MSB, o príncipe herdeiro. Nessa altura a condenação não implicou a menor sanção contra a Arábia Saudita.

O Primeiro-Ministro de Espanha, Pedro Sanchez, não foi capaz de cancelar o contrato de compra de barcos de guerra, nem a chanceler Merkel os chorudos negócios. O nosso Dr. Santos Silva não chamou o embaixador de Riad, nem o nosso em Riad.

Todos deixaram o tempo passar e o esquecimento tomar conta do horrível assassinato do jornalista do Washington Post.

Quem seguiu minimamente o caso aceitará que a repercussão na U.E. não se compara com a deste jornalista capturado do avião e conduzido selvaticamente à prisão e obrigado a vir às televisões dizer que está bem, pois se o não fizesse não conhecemos as ameaças. Obrigar um preso a fazer aquela declaração lembra a velha prática da Inquisição. Ninguém de motu proprio se presta àquela encenação.

A política externa e de defesa dos direitos humanos da EU é como uma linha dentro de um bolso, não tem princípios, ou dito de outro modo, atiça-se contra uns e é serventuária em relação aos do big money.

Em causa não está a firme condenação do ato de pirataria da Bielorrússia; mas sim uma justiça com dois pesos e duas medidas, o que faz perder credibilidade quando o mundo precisa tanto de justiça.

A defesa dos direitos humanos para ter o significado que a comunidade internacional necessita tem de ser coerente e firme.

O regime da Arábia Saudita é muito mais totalitário, violentro e retrógrado que o de Lukashenko, o que não serve para absolver este último, apenas para demonstrar as diferenças de conduta.

Felizmente podemos exigir a libertação de Roman Protasevich, mas a de Khashoggi já não podemos.

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O Herodes dos palestinianos

É sabido pelos governos, parlamentos, media e pelo mundo que Israel ocupa a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Leste e os Montes Golan contra todas as decisões do direito internacional.

E é sabido pelos mesmos governos, parlamentos e media que todos os povos do mundo têm direito a defender-se contra uma ocupação. Tal direito é conforme ao Direito Internacional.

Pode concordar-se ou discordar-se das formas de luta de um povo ocupado, mas uma ocupação não deixa de ser uma ocupação pelo facto de uma organização emanado desse povo utilizar tal ou tal forma de luta, mesmo que seja a menos indicada para si própria, tanto mais quanto o poderio da máquina militar é infinitamente superior à dos palestinianos – pedras e fisgas e à do Hamas – rockets caseiros.

Ocorre que na mortandade da primeira Intifada o Hamas não foi sequer ator de primeiro plano e não havia rockets, apenas fisgas e pedras contra as poderosas armas de Israel.

Todos os governos e deputados sabem que desde o início da ocupação de junho de 1967, os israelitas mataram milhares de palestinianos, prenderam e torturaram dezenas de milhares, expropriaram casas e terrenos aos palestinianos para os entregar a judeus vindos de todo o mundo.

A ocupação israelita é fundada numa violenta repressão e opressão que vai desde a segregação até ao impedimento de fornecimento dos serviços públicos mínimos e à expropriação ou devastação dos produtos produzidos pelos palestinianos.

Biden, Merkel, Putin, XI JiPing, Costa, Marcelo sabem que Israel ocupa uma grande parte da Palestina e que essa ocupação viola as resoluções do direito internacional.

Sabem todos que este grau de violência só pode incitar a violência. Sabem que independentemente da natureza político-ideológica do Hamas que esta violência só dá força àquela organização na medida em que elimina qualquer outro tipo de luta.

Todos sabem, mesmo em Israel, que Netanyahu é suspeito de ter cometido graves crimes de corrupção e que a única forma de fugir ao julgamento é manter-se como Primeiro-Ministro. Sabem-no Merkel, Biden, Xi Jiping, Putin, Von der Leyen e António Costa e até o pantomineiro do Rui Rio que foi visitar agora o museu do holocausto. 

Sabem que para ganhar as eleições Netanyahu é capaz de destruir, arrasar e matar a sangue-frio a população palestiniana de Gaza.

Nas Bolsas de Valores a vida de duzentos palestinianos vale nada e, por isso, os governos do mundo não se preocupam. A sorte de Netanyahu, essa sim, preocupa-os. Ele vai com a força total. Todos o ouviram ameaçar com a força total e o tempo que for preciso, até ganhar eleições à custa da carnificina dos palestinianos. Ouviram todos. E calaram-se. Protegem-no.

 Ele fala como se fosse Herodes em Jerusalém. Ele é o sacripanta do Ocidente e os palestinianos são os judeus de Nazareu ou os dos campos de concentração de Auschwitz. A mortandade de palestinianos indefesos por Israel é própria de quem despreza totalmente o outro povo e a sua cultura; é a barbárie tão característica dos regimes nazis. Deviam ter o que não têm-vergonha

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Os campeões da 2ª circular

Anos seguidos o Sporting era o campeão do Natal. Agora o Benfica é o campeão da 2ª volta. É um novo título e uma velha “conquista” à Sporting.

Segundo Jorge Jesus o campeão da 2ª volta não foi campeão devido à COVID-19. O treinador do Benfica não deve estar em Portugal. O Sporting e o Porto tiveram tantos casos ou mais que o Benfica. O Porto não foi campeão porque ganhou menos pontos que o Sporting. Simples.

O cruel abandono do povo palestiniano

O mundo desinteressou-se pelo conflito entre Israel (ocupante) e os palestinianos dos territórios ocupados.

É triste. O quanto doeu aos timorenses esse fazer de conta que se não vê o sofrimento e a opressão de uma ocupação. Pois em Israel sucessivos governos violando grosseiramente o direito internacional mantêm a ocupação direta ou indireta sobre a Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Leste, tendo em relação à parte oriental com o apoio dos EUA absorvido essa parte palestiniana e incorporando na cidade e declarado capital da potência ocupante.

Israel de cima de sua supremacia militar vem expropriando famílias palestinianas, alargando os colonatos (totalmente ilegais) e submetendo o povo palestiniano à miséria, à dor, à vergonha e à exasperação na sua própria terra.

Apelando à vinda de judeus de todos os cantos do mundo para Israel (que nunca foi a sua pátria) oferecem-lhes colonatos e expulsam os pastores, os agricultores, os comerciantes, a população que ali nasceu e os seus antepassados desde há milénios.

A tudo isto o mundo assiste de braços cruzados, sem mover uma palha, sem nada fazer, fazendo de conta que é uma luta entre ocidentais (que partilham as competições europeias de futebol, o festival da canção, entre tantas outras) e os terroristas palestinianos.

Não, o ocupante tem um nome – Israel e o ocupado são os territórios palestinos após a guerra de 1967.

O que aconteceu recentemente foi mais uma provocação israelita contra a presença indefesa e massiva (sobretudo jovens) na mesquita Al Aqsa, a terceira mais importante após as de Meca e Medina na Arábia Saudita. Trata-se de um local sagrado para os palestinianos muçulmanos, assim como o Santuário de Fátima o é para os católicos portugueses.

A tropa e a polícia israelita invadiram e expulsaram os palestinianos que se encontravam em oração na mesquita e logo o rastilho se incendiou.

À provocação montada respondeu o Hamas com o lançamento de rockets para território israelita, tentando impedir que aquela luta da juventude tivesse o seu rumo independente.

Muito provavelmente Netanyahu aproveitou — desvairado com o processo de corrupção em tribunal e desesperado face à luta dos palestinianos. Em colaboração com a ultra/extrema-direita ordenou os bombardeamentos de Gaza cujas mortes não param, incluindo de crianças.

É de sublinhar que a mobilização da juventude palestiniana surpreendeu tudo e todos.

É esta juventude parte integrante do povo que quer sair do impasse militar, pois os confrontos militares nas condições de Gaza e até da Cisjordânia só favorecem, como vem sendo demonstrado há pelo menos desde os Acordos de Oslo, Israel.

Só a luta unida de todo o povo palestiniano pode levar a bom porto a sua independência.

O ciclo de violência imposto por Israel não pode ser derrotado militarmente. Os próprios países árabes não estão preocupados com a Palestina.

O impasse criado pelo Hamas e pela Autoridade Palestiniana, ambos desprezando o trabalho político de unir todo o povo palestiniano sem sectarismo só favorece a ocupação.

Começa a ser cada vez mais evidente a importância de uma liderança da luta palestiniana que coloque para alcançar o objetivo da independência a unidade de todo o povo acima de tudo e de todos os interesses. Se o caminho não passar por aí só os que querem o povo refém de estratégias fundamentalistas ou de subserviência é que imporão as suas regras do jogo, com Israel a continuar a metralhar a população e a manter a ocupação.

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A estirpe de Vieira, o encosto da banca, o Ricardo, o homem que devia estar pendurado e a falta de vergonha

Vieira disse que foi empurrado pela banca para Presidente do SLB. A banca tem um amor do outro mundo ao Benfica. Empurrou o Sr. Vieira para lá porque com o “encosto” ao empresário de pneus e alguns prédios era um mar de oportunidades que se abria, como se viu. Uns dão umas coisas, outros outras. É a vida dos negócios de olhão.

A banca, mesmo mal gerida, dá sempre para os amigos. Homens e mulheres tão capazes e inteligentes querem lá saber do crédito malparado, o que conta é quem fica rico, com o vil metal algures.

Na sua notável ascensão das Furnas à alta finança foi um fantástico voo nas asas da banca que o quis lá. Noblesse oblige.

Que fazer com este apoio? Ele os vários Reis piscaram o olho (isto é para quem tem olho) e foi sempre a abrir. Bruuuum por aí fora. Sempre no encalço do sucesso. O Ricardo ajudou, disse o Vieira, pois.

O mal, Vieira dixit, não é o crédito malparado, é ser Presidente do Benfica. E pensando bem apesar das dívidas serem dele, se não fosse o que ele é no SLB, o Sr. Vieira andava a polir esquinas no Largo frente ao Jardim Zoológico. Mas também é verdade que ele não estava lá – na AR- por dívidas do Benfica, mas sim porque alguém a quem recebia como um príncipe saudita nos camarotes VIP, devia ser pendurado e enforcado. Coitadinho do Professor que tanto cativou. Nem só de cativações vive um benfiquista. De ingratidão também vive.

O SLB é o clube com mais Ministros, juízes, Deputados, Autarcas, banqueiros em todo o mundo. Na catedral da Luz a urbanização de Vips por metro quadrado é a mais elevada da Europa.

Em Portugal para se fazer um bom negócio é preciso um bom encosto e daí a cativação dos encostos. Grande ladino já deu o encosto a Rui Costa para este por sua vez lho retribuir. Ah vida.

A diferença entre um empresário e um homem que voa nos encostos, incluindo da banca é esta- sem o SLB o Sr. Vieira era mal conhecido nas esquinas de S. Domingos de Benfica. Assim dá para ir ao programa da Cristina, a dos gritos da Malveira.

Vieira é da estirpe dos ladinaços. A ambição, porém, lixou-o. Até a cartilha levou para a audição na AR. Sem encosto não passa do que é. O bruxo da Guiné pode responder, já que não respondeu ao” … Que passou se?…”   

O regresso dos pelotões de fuzilamento

Os pelotões de fuzilamento estão de volta no Estado da Carolina da Sul, após a aprovação nas duas Câmaras do Congresso estatal.

A ideia do regresso ao tempo dos pelotões de fuzilamento é de um senador do Partido Democrata, Dick Harpootlian, que surgiu como resposta ao boicote das farmacêuticas em fornecer os “medicamentos” (leia-se venenos) para a injeção letal.

Naquele Estado, os condenados à morte podiam escolher entre a injeção com o veneno ou esturricar na cadeira elétrica.

As autoridades estavam a ficar inquietas, pois os condenados pediam a injeção letal que não havia.

Para acabar com esta situação foi aprovado o regresso dos pelotões de fuzilamento, caso o condenado não queira arder na cadeira elétrica.

Para o Senador do Partido Democrático foi uma decisão humanitária …” Não estamos aqui para nos vingarmos, nem para infligir dor. Estamos aqui para cumprir a sentença de morte, e esta parece ser a forma menos bárbara de o fazer.

Para o senador não se trata de infligir dor, nem vingança; apenas a escolha entre as balas ou queimado até rebentar na cadeira elétrica.

Não há dor, segundo o senador. Que haverá então? Ser atingido pelas balas não causa dor? Acresce que talvez a dor maior tome o prisioneiro a partir do momento que sabe que irá ser executado.

O senador envolto num tão elevado espírito humanitário coloca o dedo na ferida quando afirma acerca do pelotão de fuzilamento …”Esta parece ser a forma menos bárbara de o fazer”…Assume que a forma de executar através do recurso ao pelotão de fuzilamento é tão só a menos bárbara.

Trata-se assim de assumir que naquele país federado os Estados podem optar por soluções bárbaras (umas mais, outras menos) para combater a criminalidade, sendo que essa pena não tem contribuído para a diminuição da violência, como é do conhecimento geral.

Quando o Estado torna banal (ao executar) a morte, o que acontece é que, em certa medida, a replica por parte dos criminosos. Não se está a defender que é o Estado responsável pela violência, mas apenas que a sua execução não é dissuasora.

Os países que aplicam a pena de morte não são os que têm menor criminalidade violenta, antes pelo contrário.

Nesse sentido o castigo máximo, seja qual for o método utilizado, encerra algumas conclusões.

O Estado ao executar o sujeito criminoso pratica uma espécie de vingança para supostamente proteger a sociedade, quando tinha à mão outros meios, desde logo a prisão vitalícia.

A execução é muitas vezes alimentada por um coro de pedidos vingativos de familiares das vítimas ou outros, como se a justiça fosse tribal, em que os seus parâmetros se enquadram nesse tipo de sentimentos em que os valores prevalecentes a proteger parecem exclusivamente ser os dos familiares.

A vingança é um sentimento negativo e, portanto, um Estado que o perfilha difunde de sentimentos negativos.

Sendo um país muito religioso, que Deus lhes recomenda matar outros seres, irmãos na criação desse Deus?

A pena de morte a tiro, por enforcamento, na cadeira elétrica, na câmara de gás ou por injeção letal é uma monstruosidade. Só um Estado com elementos de pura barbaridade sai a correr em busca de pelotões de fuzilamento para tirar a vida aos condenados.

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Sócrates e a cicuta

Esta é a flor da cicuta. Muitos poucos gramas são suficientes para causarem a morte. A cicuta talvez não passasse de uma simples planta venenosa, entre tantas, se um gigante da História não tivesse ingerido uma tisana desta planta.

Platão, um admirador de Sócrates escreveu após a sua morte publicou uma obra “O elogio de Sócrates” onde dá conta que após o injusto julgamento de Sócrates, acusado de perverter a juventude por afirmar que os Deuses podiam estar em todo o lado, inclusive no subsolo, foi condenado à morte por não se retratar.

Antes da execução Críton, seu seguidor e adepto, com apoios internos na cadeia, chegou a Sócrates com a missão de o retirar do presídio e impedir a a morte do filósofo, fazendo-lhe ver entre tantos assuntos que deixava três filhos para educar.

Sócrates recusou abandonar a sua cidade- Atenas- na qual sempre viveu e onde se tornou conhecido devido à sua estranha forma de vida e de filosofar.

Disse ele, segundo Platão “… Parece-te possível que um Estado subsista e não seja derrubado quando as decisões dos tribunais não têm força e se vêm desrespeitadas…se deixares esta vida agora, morrerás vítima de uma injustiça. Se te evadires assim vergonhosamente respondendo à injustiça com outra, e ao mal com o mal e violas os teus compromissos…”

Sócrates nunca tinha saído de Atenas salvo para participar na guerra. Era ateniense de corpo e alma . Participou na feitura das leis da cidade e entre fugir e cumprir a sentença disse…Qual de nós terá melhor sorte, ninguém sabe a não ser a divindade… O filósofo enganou-se. Fomos nós que ganhamos com a coragem exemplar de Sócrates. A sua força dá-nos força, mesmo a quem não sabe quem foi Sócrates e a razão pela qual foi julgado e cumpriu a sentença. E deu fama à cicuta.