Os governos ocidentais, a toque de caixa dos EUA, enveredaram por um caminho cínico de confronto com o povo russo a pretexto da invasão da Ucrânia por ordem de Putin.
Confundir salazarismo com o povo português equivaleria que os portugueses, entre outros, os antifascistas, não pudessem viajar na Europa porque eram oriundos de um regime governado por uma clique fascista.
Não teria sido possível à juventude portuguesa (que foi a Berlim em 1973) abraçar as juventudes guineense, angolana e moçambicana que combatiam o colonialismo português e se irmanaram num espírito de paz e cooperação com os jovens portugueses que combatiam a ditadura. Foi a alegria de uma paz vindoura anunciada e que aguardou até 25 de Abril de 1974.
Seria o mesmo que fechar a porta aos brasileiros que fugidos da ditadura militar não encontrariam as portas abertas em Portugal.
Confundir o regime russo com o povo russo é o mesmo que confundir a vida de um povo com as vicissitudes de um regime político.
Impedir os cidadãos russos de viajar pela Europa corresponde a um primitivismo quase tribal de confundir um delinquente com toda a sua família ou a sua nacionalidade. É algo que envergonha do ponto de vista político, cultural e civilizacional. Seria o mesmo que impedir os israelitas de visitar Portugal porque o seu país ocupa territórios palestinianos e sírios. Seria o mesmo que impediria os sul-africanos no tempo do apartheid de viajar.
Trata-se da instilar o ódio contra o povo russo já de si sujeito a um regime autocrático e que um dia acertará contas com o poder asfixiante desta elite conservadora e ultranacionalista.
O apelo de Zelenskii para que não sejam concedidos vistos a cidadãos russos mostra uma face persecutória do homem que deliberadamente confunde o povo russo, tão digno como qualquer outro povo do nosso Planeta. É estranho, vindo de quem prega princípios civilizacionais e humanitários.
Pior que um erro, é uma medida contra inocentes. Que o governo português não entre neste desfiladeiro de vergonha.