As famosas e os famosos são nos nossos dias um espécie de complemento solidário de subsistência. Algo que a gente precisa, em modo de embasbacamento.
Há um novo céu onde se instalaram divindades para todos os gostos. Um regresso ao politeísmo. Sim. Um futuro feito do passado.
Se as andorinhas lavavam os pés a Jesus e as lavandiscas a sua mãe, agora com a catastrófica diminuição das espécies alguém tem de cuidar das novas divindades – desde logo os cabeleireiros que as põem ainda mais bonitas do que o que já são.
A morte de um cabeleireiro de uma divindade corresponde em tempo de complemento de subsistência à morte parcial da divindade.
No fundo as divindades morrem muitas vezes, cada dia que passa os seus cuidadores deixam de ter poderes de tapar rugas e cabelos fora da mãe. E apesar de divindades vão morrendo até que outras nasçam; daí a sua eternidade. Um politeísmo feito de eterna renovação. Morrem e nascem. Só os cabeleireiros morrem de uma vez por todas. Coitadinhos.
Cabeleireiros em tempo de complemento solidário de subsistência
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